Um dia uma mulher pagã sírio-fenícia foi até Jesus que se
encontrava no seu território estrangeiro e lhe pediu que expulsasse um espírito
impuro de sua filha, “Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o
demônio. Jesus lhe disse: deixa primeiro que os filhos fiquem saciados, porque
não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-los aos cachorrinhos. A mulher
respondeu: é verdade, mas também os cachorrinhos debaixo da mesa, comem as
migalhas que as crianças deixam cair. Então Jesus disse: “Por causa do
acabas de dizer, podes voltar para casa; o demônio já saiu de tua filha”
(Mc.7,25-30). Este CrCode não é sobre fé, mas sobre a purificação dos
territórios estrangeiros que são purificados por meio da expulsão dos demônios.
Isto porque na doutrina dos Judeus os territórios estrangeiros eram habitados
por demôniios ou espíritos impuros. Não é sobre “milagre”, mas sobre
purificação de territórios pagãos, simbolizados
por aquela mãe pagã
e estrangeira e sua filha que não pertenciam ao povo judeu e portanto não eram
“filhos” mas “cachorrinhos”. O resumo e a lição teológica e catequética é
portanto esta: o demônio que habitava em todos os pagãos e nessa filha e nessa
mãe já tinha saído. Observemos a cena: “Primeiro os filhos devem ficar saciados, porque não está certo tirar o
pão dos filhos e jogá-lo aos
cachorrinhos”. Os filhos eram os
judeus; os cachorrinhos eram ela e a sua filha. Assim era eram tratados, como
cachorros ou gente habita por demônios e espíritos impuros. Por sua vez, a
resposta de Jesus nos surpreende: “Por causa do que acabas de dizer podes
voltar para casa, o demônio já saiu de tua filha”. Não é sobre fé mas sobre
que a mulher entrou por suas próprias palavras no povo dos filhos. Como quem
diz: se os filhos comem o pão, nós também queremos embora seja o que sobra ou
que cai mas é o pão dos filhos que eu e minha filha queremos comer, “por causa
do que acabas de dizer você e sua filha já não são gente possuída por demônios”.
Também não é sobre milagre, mas como nós estamos cheios da síndrome de
milagres, tudo achamos como “milagre”. Porém os ouvintes daquela época não
entendiam como milagre mas como lição de purificação daqueles territórios
pagãos: aquela filha e aquela mãe, pelas suas palavras já se tinham tornado
“filhas” do povo dos filhos de Deus. Este QrCode é paralelo ao homem de Gerasa,
o geraseno, também de território pagão possuído por uma legião de demônios
(Mc.5,1-20). Era também um território pagão e estrangeiro. Pela ação de Jesus,
simbolizada na saída dos demônios do corpo daquele homem e entrando em porcos
que se jogaram no mar, tanto aquele homem estrangeiro como o seu território
estrangeiro ficaram purificados. São dois QrCodes paralelos e com a mesma lição
teológica e catequética. Notemos que a linguagem era usada para o entendimento
e a cultura daquela época. Porque a Bíblia não fala a nossa linguagem de hoje,
mas da época em que foram escritos os
evangelhos. O nosso trabalho agora é saber ver as distâncias e as diferenças de
cultura e de linguagem. Por isso já dizia uma professora que a "Bíblia tem que ser lida com uma lupa". Quisemos clarear este CrCode de Jesus e os estrangeiros explanando esse
episódio da mulher sírio fenícia. Sempre recordando na nossa lupa e no nosso
QrCode o que diz a teologia bíblica no seguinte jargão: Os evangelhos não são
geográficos nem históricos mas teológicos.
P.Casimiro João smbn
www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

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