Na época da Guerra Fria,
o Estado norte-americano viu a Teologia da Libertação e a Igreja Católica como
problema geopolítico, isto é, como problema para o império norte americano de
base protestante querendo dar uma cor mais parecida com o protestantismo deles
lá. O caminho mais curto seria exportar para a América do Sul a sua vertente
neopentecostal. E começaram uma campanha enviando pastores muito bem pagos com
seus $dólares para fundarem templos e mais templos em cada canto e esquina. E
em maior escala incentivando-os a se infiltrarem na política, de tal maneira
que não custou a infestarem o Congresso com deputados e senadores frutos dos
$dólares americanos, que logo avançaram para formar a bancada da Bíblia, no
pior ultraje que jamais se deu de misturar religião e política. Relatórios oficiais dos EUA apontavam a
Igreja Católica latino-americana como força de mudança social, especialmente
após o concilio do Vaticano II. Então o governo americano conseguiu levar o
Vaticano para o lado dele através de muitas visitas de deputados e elementos da
CIA que foram recebidos no Vaticano. Daí em diante, documentos da Igreja
católica defenderam combater a Teologia da Libertação obedecendo assim à
política dos Estados Unidos, como conta H.Kung no livro “A Igreja católica tem
salvação? E houve aproximação entre política externa dos EUA e o Vaticano. Pesquisadores
como David Stoll tratam a expansão evangélica na América Latina como fenômeno
religioso combinado, ocorrido num ambiente em que Washington via a nova onda do
catolicismo como ameaça, e setores conservadores dos EUA incentivavam
alternativas religiosas para combatê-lo, no que conseguiram o apoio do Vaticano
na época em que inclusive o Card. Ratzinger deu sinais que não queria aceitar o
concílio cem por cento, mas pelo contrário, com muitas reservas. Era o pano de
fundo que os Estados Unidos queriam. No Brasil, o crescimento neopentecostal
também tem causas internas: urbanização acelerada, televisão, rádio,
empreendedorismo religioso, falsas promessas de cura, rigorismo moral, rede de
apoio à teologia da prosperidade. Autores como Ricardo Mariano descrevem o
neopentecostalismo com forte presença midiática, política e empresarial tendo
como pano de fundo a prosperidade ao jeito dos sonhos do Antigo Testamento mediante
o imperialismo, o poder e a riqueza. O exemplo maior desta ideologia está na
réplica do “Templo de Salomão” construído em São Paulo para trazer de volta o
que já tinha a validade de prazo terminada. Afinal, ao que Jesus tinha dito que
“não iria ficar pedra sobre pedra” do velho Templo que tinha se tornado “um
antro de ladrões”, o seu Edir Macedo foi na mão contrária de querer voltar à
réplica do mesmo Templo, ressuscitando de novo outro antro de novos ladrões que
à custa de tanta enganação do povo e de tantos dizimeiros projetaram a mais
baita safadagem de lavagem de dinheiro até formar o “Dizibanco” que agora
enfrenta igual processo da Policia Federal igualzinho o EXBanco Master de
Vorcaro. Vale dizer que Edir Macedo e seu Daniel Vorcaro são dois irmãos
gêmeos. E o que vemos hoje é que o neopentecostalismo
brasileiro acabou se tornando uma das principais bases políticas da extrema direita no Brasil.
Lideranças religiosas transformaram púlpitos e redes de igrejas em estruturas
de mobilização eleitoral. Em contrapartida, todos eles sustentam o pânico moral
em torno de gênero e sexualidade, continuando a defender tudo quanto é de
ideias arcaicas, e obsoletas tanto em matéria de ciências humanas e filosóficas
como de religião. Em um comentário a este estado de coisas trago aqui a opinião
e afirmação de um especialista do social, filosófico e religioso: “O povo
descobrindo só agora que o neopentecostalismo foi uma estratégia da CIA para
combater e enfraquecer a Igreja Católica e americanizar a sociedade brasileira”
(Tauat Resende @eutauat).
P.Casimiro João smbn
www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br






