segunda-feira, 13 de julho de 2026

EVANGELISMO SUL AMERICANO, ANÁLISE EM PRATOS LIMPOS


 

Na época da Guerra Fria, o Estado norte-americano viu a Teologia da Libertação e a Igreja Católica como problema geopolítico, isto é, como problema para o império norte americano de base protestante querendo dar uma cor mais parecida com o protestantismo deles lá. O caminho mais curto seria exportar para a América do Sul a sua vertente neopentecostal. E começaram uma campanha enviando pastores muito bem pagos com seus $dólares para fundarem templos e mais templos em cada canto e esquina. E em maior escala incentivando-os a se infiltrarem na política, de tal maneira que não custou a infestarem o Congresso com deputados e senadores frutos dos $dólares americanos, que logo avançaram para formar a bancada da Bíblia, no pior ultraje que jamais se deu de misturar religião e política.  Relatórios oficiais dos EUA apontavam a Igreja Católica latino-americana como força de mudança social, especialmente após o concilio do Vaticano II. Então o governo americano conseguiu levar o Vaticano para o lado dele através de muitas visitas de deputados e elementos da CIA que foram recebidos no Vaticano. Daí em diante, documentos da Igreja católica defenderam combater a Teologia da Libertação obedecendo assim à política dos Estados Unidos, como conta H.Kung no livro “A Igreja católica tem salvação? E houve aproximação entre política externa dos EUA e o Vaticano. Pesquisadores como David Stoll tratam a expansão evangélica na América Latina como fenômeno religioso combinado, ocorrido num ambiente em que Washington via a nova onda do catolicismo como ameaça, e setores conservadores dos EUA incentivavam alternativas religiosas para combatê-lo, no que conseguiram o apoio do Vaticano na época em que inclusive o Card. Ratzinger deu sinais que não queria aceitar o concílio cem por cento, mas pelo contrário, com muitas reservas. Era o pano de fundo que os Estados Unidos queriam. No Brasil, o crescimento neopentecostal também tem causas internas: urbanização acelerada, televisão, rádio, empreendedorismo religioso, falsas promessas de cura, rigorismo moral, rede de apoio à teologia da prosperidade. Autores como Ricardo Mariano descrevem o neopentecostalismo com forte presença midiática, política e empresarial tendo como pano de fundo a prosperidade ao jeito dos sonhos do Antigo Testamento mediante o imperialismo, o poder e a riqueza. O exemplo maior desta ideologia está na réplica do “Templo de Salomão” construído em São Paulo para trazer de volta o que já tinha a validade de prazo terminada. Afinal, ao que Jesus tinha dito que “não iria ficar pedra sobre pedra” do velho Templo que tinha se tornado “um antro de ladrões”, o seu Edir Macedo foi na mão contrária de querer voltar à réplica do mesmo Templo, ressuscitando de novo outro antro de novos ladrões que à custa de tanta enganação do povo e de tantos dizimeiros projetaram a mais baita safadagem de lavagem de dinheiro até formar o “Dizibanco” que agora enfrenta igual processo da Policia Federal igualzinho o EXBanco Master de Vorcaro. Vale dizer que Edir Macedo e seu Daniel Vorcaro são dois irmãos gêmeos.  E o que vemos hoje é que o neopentecostalismo brasileiro acabou se tornando uma das principais bases  políticas da extrema direita no Brasil. Lideranças religiosas transformaram púlpitos e redes de igrejas em estruturas de mobilização eleitoral. Em contrapartida, todos eles sustentam o pânico moral em torno de gênero e sexualidade, continuando a defender tudo quanto é de ideias arcaicas, e obsoletas tanto em matéria de ciências humanas e filosóficas como de religião. Em um comentário a este estado de coisas trago aqui a opinião e afirmação de um especialista do social, filosófico e religioso: “O povo descobrindo só agora que o neopentecostalismo foi uma estratégia da CIA para combater e enfraquecer a Igreja Católica e americanizar a sociedade brasileira” (Tauat Resende @eutauat).

P.Casimiro João      smbn

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

A PECAMINOSIDADE SEMPRE CONSIDERADA PARA OS FIÉIS, NUNCA PARA A “HIERARQUIA”.


 

A autoridade é sempre considerada como como sem culpa, e os fiéis considerados sempre como culpados. Em  outra nossa publicação dissemos que Cristo não quis para si o título de “rei”. E hoje em dia os reis acabaram praticamente no mundo Os povos não quiseram mais os reis. Porém, tempos atrás, acabou o império romano, e a Igreja definitivamente ocupou o lugar dele. Aí nasceu a Igreja feita pirâmide: Papa, bispos, padres, leigos. E na sociedade civil: Clero, nobreza e povo, como era classificada em toda a Idade Média. A missão do Espirito Santo era só de fazer os fiéis acatarem e aceitarem na obediência o que decidiam e programavam os que estavam no topo da pirâmide.

Historicamente a “infalibilidade” do Papa não vem desde o nascimento da Igreja, mas vem a colegialidade, como se vê no primeiro concílio de Jerusalém onde as decisões saíram da colegialidade (At. 15). Hoje em dia isso tende a ser revisto cada vez mais, para deixar essa forma de uma Igreja abusiva usando essa plataforma como bengala de poder. Vimos ainda que os povos pagãos simpatizavam com  o nome de “rei” dado a Jesus. E de rei passava logo a imperador, ganhando o conceito de “império supremo de Cristo” sobre o mundo inteiro. Já se vê que respaldo daria essa ideologia a uma pessoa que se considerasse na terra o “representante” desse império, o Papa. Nada mais nada menos de que dar continuidade aos velhos sonhos de Israel de dominar o mundo com seu messianismo com a vinda do “reino” do filho de Davi e do sonho do velho Daniel (Dan cap.7), manifestado naquele pedido dos apóstolos:  “Senhor, é agora que vais restaurar o “reino” de Israel”? (At. 1,6).

Na época de Pio X e com a herança de toda a Idade Média fortaleceu-se a ideia da configuração da Igreja de Jesus como esse reinado vindo e nascido diretamente de Jesus sem que nada pudesse ser mudado e mexido nunca mais. Era a “infalibilidade” papal que estava em jogo. Porém, no concílio Vaticano II já começou sendo admitido  que a tão proclamada infalibilidade só pode ser assim conceituada  dentro de um consenso colegial. Neste setor temos que reconhecer que após século e meio de resistência às aquisições das liberdades oficiais do cidadão e do cristão vieram os textos do mesmo Vaticano II sobre a liberdade de consciência, liberdade religiosa, e direitos humanos que a muito custo foram sendo aceitos pela Igreja oficial. Na verdade até esta data, para a hierarquia eclesiástica o homem novo moderno que evoluía nestes conceitos de liberdade e emancipação e compreensão era tachado de “o homem velho” pecador e desobediente. Tudo que tinha o gosto de “moderno” era suspeito para a Igreja e considerado “tabu”. O conc. Vaticano II corrigiu a imagem anterior da Igreja para uma Igreja mais aberta. O Papa São João XXIII anunciou uma Igreja mais aberta mesmo e uma reforma mais ampla do Direito Canônico como frutos do Concílio que ele anunciou.  E dizem os entendidos que a edição que foi feita do Direito canônico não correspondeu às intenções fundamentais do mesmo Vaticano II, invertendo  o valor dos conceitos institucionais e dando mais valor à instituição do que à nova definição de Igreja como “povo de Deus” onde se realça a igualdade e liberdade dos fiéis leigos e os fiéis com outros títulos no mesmo serviço da Igreja. Vale dizer, na Igreja não tem títulos que separam, mas serviços que igualam na nova Igreja do Vaticano.

 

Nesta linha de compreensão fica corrigida a noção de pirâmide tradicional segundo a qual o pecado estava sempre do lado dos fiéis, e nunca do lado da hierarquia: a hierarquia como tendo sempre razão e humilhando sempre os fiéis, que sempre só “desobedeciam” e sempre eram pecadores. Vale dizer, o conflito era resolvido em favor da posição mais forte, e chamava-se a isto o pecado de base. Como consequência psicológica surgiam sobretudo sentimentos de decepção, de resistência e até de aversão. E afastamento de muito fiéis da Igreja. Só muitos séculos mais tarde é que veio um ou outro Papa pedir um perdão que já todo mundo não atendia e podia até ser considerado fora de época.

 

Na verdade, tantas vezes a hierarquia praticou uma política eclesiástica e não evangélica e teológica quando não queria nenhum diálogo com os que lhe eram incômodos, e no entanto formam parte da mesma Igreja que ela diz que é mistério de que todos participam. No entanto, estava ofendendo companheiros e não adversários. Pois na Igreja não há nenhuma relação de senhor e servo.

Resumindo: a pecaminosidade foi sempre considerada para os fiéis, nunca para a hierarquia; A autoridade considerada sempre como sem culpa. E os fiéis considerados sempre  como culpados.

P.Casimiro João         smbn

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Uma nova análise de DNA do Santo Sudário


Uma nova análise de DNA do Santo Sudário

 Uma nova análise de DNA do Santo Sudário reforça a hipótese de que o tecido veio da Índia antes de passar pelo Oriente Médio.

A pesquisa preliminar detectou vestígios genéticos de populações indianas e do Oriente Médio. A revista BioRxiv publicou o estudo, que detalha também traços de plantas, animais e microrganismos.

Os cientistas identificaram a linhagem genética H33, comum entre drusos e outras populações árabes. Eles também acharam microrganismos que sobrevivem em ambientes com muito sal, como o Mar Morto.

O tecido apresenta contaminação por diversas espécies de animais e plantas. A análise apontou restos de coral vermelho, cenoura, milho, banana, além de gado, porcos, cães e gatos.  Os autores atribuem essa diversidade biológica aos séculos de circulação da relíquia pelo mundo. Eles acreditam que a contaminação ambiental ocorreu principalmente após as viagens de Marco Polo e Cristóvão Colombo. 

Origem e testes anteriores: A relíquia fica na Catedral de Turim, na Itália, e traz a imagem de um homem crucificado.

O Sudário é um pano de linho de 4,4 metros, e muitos acreditam que a peça cobriu o corpo de Jesus Cristo.

Testes de carbono-14 apontam a fabricação do tecido entre os anos 1260 e 1390. O resultado faz com que vários historiadores considerem a peça uma falsificação criada na Idade Média.

A ligação com a Índia já apareceu em um estudo de 2015. Na época, o pesquisador Gianni Barcaccia mostrou que o DNA de quem tocou o Sudário correspondia em 38,7% à Índia.

Explicações de especialistas:

A paleógrafa Ada Grossi avalia que a presença de DNA indiano tem uma explicação histórica. Ela afirma que tecidos indianos valiosos compunham as vestes do sumo sacerdote no Templo de Jerusalém.

Os pesquisadores apontam que os romanos importavam linho da região do Vale do Indo. Há também uma relação linguística, já que a palavra grega para linho fino, "sindôn", tem ligação com Sindh, região asiática. 

O grupo conclui que os resultados revelam a origem das pessoas que interagiram com a peça. "Nossos resultados fornecem informações valiosas sobre as origens geográficas das pessoas que interagiram com o Sudário", afirmam os autores.

Fonte: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2026/04/05/nova-analise-de-dna-indica-que-santo-sudario-veio-da-india.ghtm?cmpid=copiaecola

P. Casimiro João

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

A HISTORICIDADE QESTIONADA NA BÍBLIA.


 

“Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa, e a porção escolhida dentre todos os povos”. (Ex.19,5-6). Estas afirmações são claramente redação da equipe sacerdotal que fez a terceira edição do Êxodo. Na verdade, o Êxodo foi escrito no exílio da Babilônia pelos sacerdotes para servir de catecismo e animar o povo no meio das angústias do exílio. Foi a catequese do sofrimento, na reedição de histórias passadas, pelos sacerdotes. E foi escrito debaixo das coordenadas de colocar as coisas como se tivessem acontecido com Moisés: “Moisés subiu ao monte ao encontro com Deus. ”(v.3). É a transposição da historicidade do tempo presente para o tempo assado, de Moisés. O tempo presente era o século VI a.C. O tempo de Moisés o século XIII a.C.  Até porque, se fosse naquele remoto tempo de Moisés o que eles iriam entender por “reino de sacerdotes”? Claro que é uma teologia já muito rodada fabricada na monarquia pelos sacerdotes do templo. Outro ponto fulcral é que aí vem a ideologia perigosa que já estava minando o povo judeu: “e sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos” (v.5). Não imaginamos as consequências nefastas que se originaram e se espalharam pelo mundo desta suposta “porção escolhida dentre todos os povos.”  É o chamado orgulho religioso que é transmitido neste catecismo ao povo, como eu escrevi a longos traços já no livro “A Bíblia, o livro dos Qr Codes”, p.105. E foi desta ideologia judaica que surgiram no mundo todas as formas de segregacionismo, negacionismo, e colonizacionismo do outro, baseadas no racismo, na religião, no gênero e no nacionalismo. Porque desse orgulho religioso judeu nasceu o orgulho nacionalista gêmeo do orgulho religioso. Até porque na antiguidade e nos judeus não havia separação entre nação e religião; entre poder civil e religioso. O que era uma coisa era outra. Em todas as páginas da Biblia aparece transversalmente a designação do “nosso deus” e dos “deuses estrangeiros”, i. é,  que não eram nacionais, e por isso eram considerados demônios (Cf. Dt.32,16). Afinal, as outras nações, na hora desta escrita, eram importantes e se impunham pelo poder e pela riqueza, enquanto que os judeus estavam destruídos e escravizados. Não lhes restava outra alternativa senão a religião. Donde então fabricaram essa ideologia de que eles tinham a melhor religião, o melhor deus, e a melhor “eleição” como sendo o povo “escolhido” e “eleito”, e os outros não? Os outros eram todos “não escolhidos” portanto abandonados, sem Deus e sem salvação? Até porque os deuses dos outros eram “demônios”, embora fossem povos ricos e poderosos? O que causa estranheza nisso tudo é que eles também admitiam deuses dos outros povos nos seus templos e cultos, pois todas as rainhas e concubinas estrangeiras dos reis judeus traziam os seus deuses com elas. “O rei Acab seguia os ídolos dos amorreus” (1R.21,26). Mas esse é outro capítulo à parte, o capítulo das mentiras políticas, que na fachada são uma coisa e na prática são outra. Como dizíamos, o judeu se refugiava na religião quando a política não lhe era favorável, ainda que à custa de toda mentira, falsidade e hipocrisia. A conclusão dava certo: “estamos escravos, somos perseguidos, mas somos “os escolhidos”. Vale dizer: agora não temos dinheiro nem poder mas temos deus do nosso lado. Quando tivermos dinheiro e poder seremos iguais aos outros; Seremos ricos e poderosos, e deixaremos deus de lado, deixaremos deus em paz, e ainda iremos aceitar os deuses deles... Mais à frente, anos depois, o texto de que estamos falando teve mais outra edição e recebeu o nome de Deuteronômio, i.é, segunda lei, chamada a edição javeista, onde vamos encontrar as seguintes afirmações: “O Senhor te escolheu dentre todos os povos da terra para seres o seu povo preferido; o Senhor se afeiçoou a vós e vos escolheu” (Dt.7,7). Vemos que este texto aumentou a predileção, transformando-a já em “afeição”. E o lado oposto da moeda vem a seguir:  Aos outros Deus “castiga diretamente e odeia, fazendo morrer e não espera, mas dá-lhes imediatamente o castigo merecido”, (v.10). Tanto numa versão como na outra se evidencia uma escolha e uma repulsa. A escolha para eles e a repulsa para os outros. Isto foi tão exclusivista, que quando da vinda de Jesus, encontrou a sociedade judaica dividida entre “puros e impuros”, fariseus “santos e salvos” e os “sem salvação”; tanto em relação aos próprios judeus como sobretudo em vista dos estrangeiros com quem não se podia nem ter contato, até ser necessário “sacudir a poeira dos pés quando voltavam dos territórios estrangeiros para entrar na terra “santa” dos judeus.”(Mt.10,14). Esta situação chegou até à nossa religião de hoje quando alguns elementos pertencentes a certos grupos se julgam os “escolhidos e santos” e os outros não. “Eu faço, eu pertenço”. E não só, chegou à nossa política, que, empunhando a Bíblia como uma espada, se julgam os sucessores dos “escolhidos” do Antigo Testamento. Para eles todos os outros perdem o status de cidadãos justos como faziam os fariseus. De tal maneira que surgiu no Congresso brasileiro o bizarro nome de “bancada da Bíblia”. Nem se dando conta da ignorância que manifestam de que estamos num Estado laico. E que poderia haver também a bancada afro-brasileira ou a bancada do Candomblê ou a bancada dos Pais de santo. E não só, a essa bancada se juntou outra, a bancada do boi, e a bancada da bala. Da mesma maneira que os judeus sequestraram Deus como estando só do lado deles, e sequestraram a riqueza da nação, as terras, as leis e os impostos, da mesma maneira essa bancada da Biblia sequestrou Deus, as terras, as leis e os impostos. Para o restante da população que possa sobrar a fome, a doença, os castigos como vem naquele pedido que os discípulos de Jesus invocaram que viesse fogo do céu sobre uma parte da população. (Lc.9,51). São os boanerges modernos, como Jesus apelidou aqueles discípulos que queriam a vingança do céu. Falei outra vez que nós somos em três quartos ainda em muito do nosso tempo como judeus, e só uma quarta parte de espírito de cristão. Mas nessas bancadas a tal quarta parte do espírito de cristão virou mais farisaica do que os fariseus. 

P.Casimiro João                smbn

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segunda-feira, 15 de junho de 2026

QUANDO DEUS FOI COISIFICADO COMO LEGITIMAÇÃO DA ORDEM ESTABELECIDA E COMO INIMIGO DE TODA MUDANÇA, LIBERTAÇÃO E EMANCIPAÇÃO


 Se direitos valem só para uma parte da humanidade essa parte legitimaria a injustiça e sancionaria a discriminação. Todos são iguais perante a Lei” diz o art. 5 da Constituição do Brasil, e o primeiro da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Onde é que um pobre pode ter acesso à Universidade? A um bom hospital? A concorrer a um cargo público? Não é igual perante a Lei? Quem trabalha tem direito a salário. Porém um agricultor e um profissional mecânico e um deputado qual deles trabalha mais?  E porquê salário tão desigual? Há dez anos atrás, em 35 países analisados, o Brasil ocupava o último lugar do salário de professor, sendo que a China ocupava o primeiro lugar onde se paga melhor os professores. Daí que aquele direito igual perante a lei virou assim “todos os ricos são iguais perante a lei. E: “todos os “políticos são iguais” perante a lei. E tem muitos que não trabalham nada. E ainda assim: “Todos os pobres são iguais perante a lei. Iguais para sofrer, para não ter direito de ter direitos. Agora tem direitos que valem para uma parte da humanidade, sim: o direito do comprar as leis, o direito de explorar o outro e não ter cadeia, o direito de ter muitos salários, o direito de ter os filhos numa baita de Escola e Universidade. E assim uma parte da humanidade legitimaria a injustiça e a desigualdade. Só essa parte tem dinheiro para comprar e vender. Comprar advogados, soltura, habeas-corpus, comprar pobre por dinheiro para calar a boca diante do poder e comprar o voto do pobre para subir na eleição.  E a desigualdade está legitimada perante a lei, porque o pobre não tem dinheiro e o dinheiro dá poder. E o direito de não ter poder também fica legitimado como fica legitimado o direito de ganhar pouco dinheiro porque não estuda. E o direito de defesa também fica legitimado porque não tem dinheiro. E o direito de prisão especial também fica legitimado porque o estudo superior dá direito a cela especial. E o direito de recorrer da sentença também está legitimado porque o pobre não tem dinheiro para recorrer e acabam os recursos. E as segundas e terceiras e quartas instâncias também ficam legitimadas para quem tem uma baita fortuna. E o direito de recorrer em liberdade para quem tem uma baita fila de advogados. E o direito de cumprir uma parte da pena para quem pagou uma baita multa. E essa parte da humanidade sanciona a discriminação. Discriminação de ter os filhos numas baitas Escolas e Universidades. Discriminação de conseguir uns baitas empregos e cargos públicos. Discriminação de driblar juízes, cartórios e documentos para facilitar documentos e compras de amazônicas terras e propriedades. Discriminação de viver em palácios brilhosos ao lado de famílias de trabalhadores que trabalham o dia todo para salários que não pagam o aluguel do barraco. Discriminação de planos de saúde para tudo, ao lado de quem morre nas filas do abandono. Neste ano se comemoram trinta anos da Constituição do Brasil e setenta anos da DECLARAÇÃO  UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Porém agindo assim fica claro que: se direitos valem só para uma parte da humanidade, essa parte legitimaria a injustiça e sancionaria a discriminação. Daí que no poder das ditaduras Deus foi coisificado como legitimação da ordem estabelecida e como inimigo de toda mudança, libertação e emancipação.

P.Casimiro João      smbn

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segunda-feira, 8 de junho de 2026

DEUS NÃO ESTÁ NEM AÍ


 

Quando eu sou pobre, olho o rico com olhos de pobre. Quando eu sou rico, olho o rico com olhos de rico, e quando sou político olho o político com olhos de político. Ou seja, há um certo corporativismo, chamado de nível de percepção. Eu me ponho no nível do igual a mim, quando a pobreza nos iguala; e no lugar do rico quando a riqueza nos iguala também. A tendência do pobre vai na direção de culpar o rico; e o rico vai na tendência de desculpar o rico. Esta sentença vem bastante oculta num episodio da Bíblia, que pode até nos surpreender pela política que envolve o caso. Certa ocasião um seguidor de Jesus, Pedro, quis reivindicar os seus direitos e as suas credenciais de seguir Jesus, e perguntou de mansinho: “Eis que deixei tudo para te seguir, o que receberei de volta?” (Mt.19,27).  Ao que Jesus respondeu: “Todo aquele que por minha causa deixou casa, ou irmãos ou irmãs, ou pai ou mãe, ou filhos ou terras, receberá neste mundo 100 vezes mais casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, terras” (Mc.10,30). Este papo vem em seguimento de outro quando “alguém saiu correndo” e foi perguntar a Jesus: “O que farei para alcançar a vida eterna”? E ao mesmo tempo apresentou as suas credenciais: “Porque eu cumpro todos os mandamentos”.  E a resposta de Jesus vem assim: “Porém, falta-te uma coisa: vai vender o que tens e dê aos pobres”. Ele retirou-se muito triste “porque possuía muitos bens”. Olhando ele se retirar, comentou Jesus: “Quão dificilmente entrarão no Reino dos céus os que têm muitas riquezas; é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus” (Mc.10,21-25). Este discurso corresponde àquele que falei antes: a avaliação do pobre a respeito do rico: Dois níveis desiguais. E isto, queiramos ou não, corresponde também a uma etapa da história da primitiva Igreja, que se achava na pobreza real, concreta, histórica, ideológica e evangélica. É a primeira face da moeda: “Quão dificilmente entrarão no Reino dos céus os que têm muitas riquezas” Porém, vem a segunda face da moeda, com as mesmas palavras do evangelho em segunda cena. “Aos homens isto é impossível, mas não a Deus; pois a Deus tudo é possível” (Mc.10,27).  Isto porque Pedro e os outros tinham ficado de queixo caído e tinham replicado: “Quem pode então salvar-se”? E vem a hermenêutica interpretativa de Ched Myers que explica como segue: “Este texto foi notoriamente manipulado por aqueles cujo interesse reside em atenuar e abrandar sua crítica contra os ricos. O trocadilho de Marcos sobre o camelo e a agulha principalmente tem recebido um ingênuo tratamento nas mãos de exegetas burgueses preocupados em tranquilizar as consciências” (C.Miers. O evangelho de Marcos, p. 332, citando José Miranda). Ou seja, trata-se provavelmente de outra época, e de outro comentarista posterior que, considerando já o avanço da igreja no tempo e nas estruturas de riqueza que já a envolviam, terá aumentado a segunda resposta, para tranquilizar as consciências: “para Deus tudo é possível”. E agora já não olhava o rico com os olhos do pobre, para condenar, mas com os olhos de rico  para “não condenar”. Porquê? Porque condenando o rico condenava-se a si mesmo. Chamamos a isto adaptação aos interesses pessoais, nivelamento de rico com rico e, resumindo, ficava tudo politicamente correto. E não só, mas se escorando no nome de Deus dizendo que “para Deus tudo é possível”. Mas vamos colocar Deus no seu lugar, ou, como diz Bonhoeffer, “ser honestos com Deus”: Será que para Deus é possível um camelo passar pelo fundo de uma agulha? Será possível parar uma pessoa no ar quando está caindo de um prédio de dez andares? Nenhuma oração fez isso e nunca nenhum santo o fez. Mas sempre os bombeiros é que vão colocar colchões de espuma.  Por isso, é melhor tirar da boca de rico e de político aquele “para Deus tudo é possível” e trocar por aquela outra coisa “Ah, não, para nós Deus não está nem aí!” É mais geográfica, mais localizada, mais histórica, menos hipócrita, e mais “politicamente correta”.

P.Casimiro João

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segunda-feira, 1 de junho de 2026

OS PRIMEIROS GIGANTES QUISERAM SUBIR AO CÉU EMPILHANDO MONTANHAS


 

Os primeiros gigantes quiseram subir ao céu empilhando montanhas até às estrelas. Hoje os humanos mandam módulos e telescópios e já chegaram às estrelas...Após a exploração da Lua e de Marte os modernos módulos já andam entre as galáxias a bilhões de quilômetros da órbita da Terra. O mais potente telescópio James Webb foi lançado no mês de Dezembro 2021 para explorar o início da formação do universo com o fenômeno do big-bang. Estas tentativas da subida ao céu vêm na sequência das narrativas da Torre de Babel, na Bíblia judaica (Gn.11) que por si já é cópia do épico sumério Enmerkar e Gilgameshe. Vejamos como é descrito: “Tornando as alturas do céu não mais seguras do que a terra, os gigantes tentaram tomar o reino celestial empilhando montanhas até as estrelas distantes.”(Ovídio, Metam.I,150).  E Heródoto: “Ao tempo que cavavam o fosso faziam tijolos da terra que veio da escavação e, ao modelarem tijolos suficientes, os colocavam nos fornos; depois, tendo betume quente como argamassa, e cada trinta fileiras de tijolos com enchimento de esteiras de juncos entrelaçados entre elas, eles construíram primeiro as bordas do fosso e, segundo, a  própria muralha da mesma maneira...”(Heródoto,I,179); Ph.Wajdenbaum, Argonautas do deserto, p.140-141). Esta é uma narrativa paralela à do Gênesis, cap.11.

SOBRE HÓSPEDES DIVINOS: hóspedes divinos, e a mesma promessa feita a Abraão, também se encontra um paralelo nos livros antigos a respeito do filho da promessa, Isaac, em Gênesis, 19,1-3; 12-19. - Trata-se do episódio de Abraão quando recebeu três “divinos personagens. Ele lhes ofereceu comida e lhe prometeram que “daqui a um ano tua esposa Sara terá um filho”(Gn.19,1). Vejamos agora o mesmo episódio contado pelos  gregos: “A mesa estava agora reluzente com comida, reluzente com vinho. A ânfora era de barro vermelho, com copos de madeira de faia. A palavra de Júpiter foi: se tens um desejo, faça-o, tudo será teu. O velho disse calmamente: eu tive uma querida esposa que conheci na flor da minha juventude. Onde está agora, perguntais? Uma urna a contém. Eu jurei a ela, invocando os deuses, tu serás a única mulher que tomarei. Falei e mantive o juramento. Eu peço outra coisa, eu desejo ser pai e não marido. Os (três) deuses concordaram. Todos tomaram a sua posição ao lado do couro do boi – eu estou com vergonha de descrever o resto. Então eles cobriram o couro encharcado com terra. Dez meses se passaram e um menino nasceu”. (Ovídio, Os Fastos V,495-545; o.c.p.146). Comparando com Gênesis vemos o mesmo episódio por palavras semelhantes, da promessa do filho Isaac. (Gn.18,10). Na sequência vem o episódio de Ló, e também aí encontramos outro paralelo nos gregos. Como todo mundo sabe o episódio da Bíblia vamos conferir com o dos gregos:

DOIS SERES MISTERIOSOS vieram para visitar a cidade de Ló sob o disfarce de seres humanos. Nas culturas antigas deuses visitavam a terra disfarçados de seres humanos para os testarem. Como no gênesis, a cidade será destruída, mas o casal que os recebeu será poupado e autorizado a fugir com eles. Em Gênesis a cidade é destruída com fogo, aqui é com uma inundação. Em Gênesis a mulher do Ló virou estátua de sal. Aqui foi feita uma árvore sob o mesmo castigo de ter olhado para trás. (Gn.19,1-3;12-19).

O arcebispo Desmond Tutu disse uma afirmação que pode parecer ousada, mas muito verídica: “Deus não é cristão”. E poderíamos após ele aumentar e dizer: Deus não é judeu. Cada vez mais autores e especialistas nos comunicam que existem muitas fontes comuns compartilhadas por gregos e judeus. Gregos para fazerem os seus contos épicos; e judeus para fazerem a sua Bíblia. Usando a mesma técnica de copia e cola e adaptando à finalidade de cada um. E, pelo meio, aumentando e sacralizando dados e fatos também para seus objetivos. Não custa então entender que nós somos uma mistura de sumérios, gregos e judeus e helenistas e cristãos primitivos. Deste pacote são usuários europeus, africanos, e americanos e brasileiros. Mas na expressão de Desmond Tutu Deus tanto está com os cristãos, como com os muçulmanos, como com os hindus ou os chineses e com os judeus. Mas Deus não é cristão nem judeu. Na conclusão deste capítulo eu volto a dar uma olhada no título do cabeçalho para recordar o conjunto de como a Bíblia se enquadra no meio das literaturas da sua época: OS PRIMEIROS GIGANTES QUISERAM  SUBIR AO CÉU EMPILHANDO MONTANHAS

P.Casimiro João             smbn

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