Há um capítulo impressionante no evangelho. Trata-se justamente do tema do título desta
matéria: A mulher e a Lei. Ou seja, falando da Lei fala-se de Moisés e de Deus,
a “lei de Deus”. Falando da mulher fala-se do ser humano como tal. Pela Lei, a
mulher devia ser condenada a morrer por conta de um adultério. Pelo ser humano
que ela era, não deveu ser condenada, e não foi. Pela teologia dos fariseus era
a condenação; pela teologia de Jesus, foi a não condenação. A teologia dos fariseus,
era a teologia tradicional do Antigo Testamento. A teologia de Jesus foi a
teologia não tradicional. A teologia dos fariseus era teologia do magistério e
da tradição, e colocava Deus no centro. Jesus não seguiu o magistério e nem a
tradição e colocou a mulher no centro. A teologia tradicional da Igreja herdou
aquela teologia dos fariseus do Antigo Testamento. Hoje em dia muita gente se sente à vontade defendendo a teologia tradicional que levava a mulher adúltera ao apedrejamento. Mas não explicam
porque é que Jesus não seguiu essa teologia? Porque um dos pilares da teologia
tradicional é colocar “Deus no centro”. E são contra a teologia que, no dizer
deles, coloca o homem e a mulher no centro. Não
ficam encabulados quando viram que Jesus colocou a mulher no centro? “Moisés,
na Lei, mandou que tais mulheres sejam apedrejadas, que dizes tu?” (Jo.8,5). Jesus
disse “Eu não te condeno” (Jo.8,11). Quando eles destratam aquela
teologia que colocava a mulher e o homem
no centro, destratam e condenam a
teologia de Jesus que usou com a mulher. Estou me referindo à teologia da
libertação. Talvez eles estão olvidados que quando se coloca o homem e a mulher
no centro, coloca-se também Deus no centro. Ao passo que, colocar Deus no
centro nem smpre é colocar o ser humano também, mas matá-lo, como iam fazer os
fariseus: “Moisés, na Lei, mandou apedrejar tais mulheres” (Jo.8,5). Antes de avançar: Será que Deus mandava mesmo
apedrejar alguém? Mas assim ensinava o magistério e a tradição dos fariseus, e
aquele Deus que eles colocavam “no centro”. Mas a história continua. Aquela
teologia chamada da “tradição” e do “magistério da Igreja” e que colocava “Deus
no centro”, o que nos diz a história sobre o que ela tem feito? Quem estuda a
Inquisição sabe que eram torturados “pecadores”
e “pecadoras”, presos e queimados nas fogueiras da Inquisição. Por causa
de Deus e da Lei havia esses tribunais, prisões, mortes, torturas e queimas na
fogueira, gente queimada viva. Tudo fruto dessa teologia que colocava Deus “no
centro” mas matava as pessoas. Era então uma opressão contra o ser humano. E
vejamos bem, essa teologia tradicional apoiava-se tanto em Deus como no rei, ou
seja, no poder temporal. Outra opressão:
todo mundo era obrigado a ser católico para se salvar, senão ia para o inferno.
Esta mudança e libertação de que ninguém agora é obrigado a ser católico não
veio da teologia da libertação mas veio da sociedade civil por meio da
filosofia do século dezoito. Também
colocou o ser humano no centro, e colocando o ser humano no centro colocou Deus
que respeita o ser humano. Hoje em dia se esquece que esta malfadada teologia
do A.T. sobre a mulher contribuiu para o maior rebaixamento da dignidade da
mulher, com atitudes como apedrejamento, objeto só dos desejos do homem,
facilidade do divórcio, por ‘não achar mais ela bonita, (Dt.cap.24,1), segregação
de reuniões e da sinagoga a por aí vai. Pela falta de reciclagem há
lideranças da Igreja que ainda hoje alimentam esses preconceitos contra a
mulher. Não investem em formação e reciclagem de seus conhecimentos, e
continuam desinformados e deformando as camadas desinformadas da Igreja. Seguem
aquela cultura arcaica e obsoleta dos mitos do livro do Gênesis copiado depois
na Carta dos Efésios “As mulheres sejam submissas a seus maridos” Ef.5,22 que
nem é de Paulo mas de um aluno dele que transmitiu o que rolava na época.
Esquecem que essa malfadada cultura era
a base do estrato social da época, que já não é hoje a mesma, que está mudada em
190 graus. Mas os desinformados permanecem como múmias ou fósseis da história
do passado, num ostracismo ignorante dos progressos da história e da
humanidade. Esquecem que a Bíblia traz a cultura da época, e eles se colocam
ainda como quase os primeiros antropoides que dominavam as fêmeas, que não
usavam Pix, não eram doutoras nem juízas, repórteres da TVs, ministras ou
mestras de investigações científicas.
Conclusão. Paira nos ambientes uma raiva infundada e difusa contra a
teologia da libertação. Quem tem essa raiva, que fique sozinho com ela, porque
devido a uma formação teológica preconceituosa, antiga e deficiente, terá a sua
desculpa. Mas andar espalhando em redes sociais essas suas crenças atrasadas e
pensar que tem Deus no bolso, tenham cuidado com aquele aviso: “Vós fechais
aos homens o reino dos céus; mas vós mesmos não entrais e nem deixais os outros
entrar” (Mt.23,13).
P.Casimiro João
smbn
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