A teologia bíblica atual afirma que “montanha” no evangelho não é lugar
geográfico, mas teológico. (Huberto Rohden). Hoje, na linguagem da informática
podemos dizer que é um QrCode. “Vendo aquelas multidões, Jesus subiu à
montanha. Sentou-se e seus discípulos aproximaram-se dele. Então abriu a boca e
lhes ensinava” (Mt.5,1-2) Puxando o nosso QrCode aparecem as narrativas de como
Moisés subiu ao monte Sinai, e lá formou o povo de Deus com as Doze tribos. Ele
formou a “constituição” do povo de Deus na promulgação dos Mandamentos do
Sinai. A figura de Moisés aparece agora na pessoa de Jesus, como o novo Moisés
que sobe também na montanha, e promulga a nova “constituição” do novo povo de
Deus com as Bem-aventuranças. E, paralelamente com as Doze tribos, convocou os
Doze apóstolos para formar a base do novo Povo de Deus. Lei, ou Torá do Antigo
Testamento é agora substituída pela nova Lei de Jesus Cristo. O resumo desta
nova lei que fica codificada nas Sete Bem-aventuranças Mt.5,3-11 é a partilha. O
Deus da Lei de Moisés era o deus do medo, do pavor, dos relâmpagos e dos trovões, da
montanha flamejante e dos limites marcados no chão para não se
aproximar de Deus senão morriam. Dessa lei do medo se originaram os milhares de
preceitos e tabus de impureza que encheram livros como o Levítico do Antigo Testamento. O Deus da lei de
Jesus Cristo é o Deus da proximidade, companheiro, irmão, que pensa no próximo e no
irmão e na partilha entre todos. Por
isso se fala nos que sabem partilhar: bem-aventurados os que têm coração de
pobre que sabem partilhar; bem-aventurados os que choram pelo sofrimento dos
outros; os mansos que sabem controlar as situações; os que lutam pela justiça;
os que praticam a misericórdia; os puros de um coração sem hipocrisia ou fingimento; os
homens de paz, e até os que sofrem para salvar alguém. Este é o mundo de Deus
ou o Reino de Deus. Um mundo não partilhado é um mundo malvado. O mundo sem
partilha é o mundo sem Deus. Esse mundo sem Deus existia no Egito da escravidão do povo judeu.
O novo mundo agora é posto em teste: Se não se praticar a nova aliança da partilha
das bem-aventuranças corremos o risco de cair no mesmo mundo malvado de outras
escravidões, como: onde existem pobres é porque não existe partilha; onde há
aflitos é porque há quem causa aflições; onde se elogiam os mansos é porque
há violência; onde há fome e sede de justiça é porque a injustiça corre solta; onde
se recomenda a misericórdia é porque não há misericórdia; onde se louvam os de
coração sem hipocrisia é porque a
hipocrisia campeia em toda espécie de subornos, injustiças e propinas; onde se
louvam os que promovem a paz é porque a
violência impera contra as leis; onde há perseguidos por causa da justiça é
porque a justiça não é praticada. Porque o Reino de Deus é um projeto de
humanização; um mundo sem humanização é um mundo sem Deus. Projeto de
humanização é um projeto de vida e felicidade para todos, porque
Deus não quer o sofrimento. Nosso QrCode com a palavra-chave “monte”,
“montanha” nos ensina os significados metafóricos escondidos na materialidade das palavras,
como atrás da materialidade de um QrCode se esconde uma lição de catequese e de
teologia. Assim, não vale a pena a pergunta: Onde era o monte? Ele existe?
Existe o monte das Bem-Aventuranças? Existe o monte do Tabor? Se, como afirmam
os teólogos, a questão é uma questão teológica, então não cabe a pergunta sobre
geografia mas sobre teologia. E o QrCode que está oculto neste trecho do
evangelho também não é sobre geografia, mas sobre teologia.
P.Casimiro João
smbn
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