segunda-feira, 18 de maio de 2026

A MÍSTICA DO NÃO TER, NÃO USAR, NÃO COMPRAR VERSUS A IDEOLOGIA DAS COMMODITIES.


 

“Não leveis ouro, nem prata, nem dinheiro nos vossos cintos. Em vosso caminho anunciai que o Reino dos céus está próximo” (Mc.10,9; Mt.10,7).  Porquê “não levar ouro,  nem prata, nem dinheiro nos cintos”? A resposta vem logo em seguida: Porque “o reino dos céus está próximo”. Era urgente avançar no palco do mundo, onde Jesus mobilizava a sua força tarefa para preparar Israel para a vinda próxima de Deus. O tempo estava reduzido. Porque “não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Reino dos céus”. (Mt.10,23). Por isso era necessário não ter, não usar e nem comprar para não atrapalhar. Ter o quê? Usar para quê? E para quê comprar? Tudo pela proximidade do Reino dos céus. E o que era o Reino dos céus? Era a vinda próxima de Deus. Deus estaria chegando “em pessoa” para a vingança (Is.61,3). O tempo da colheita chegava, e o “machado já está posto na raiz da árvore” (Mt.3,10). Esta era a plataforma em que Jesus trabalhava. Daí vinha o método de ação: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai leprosos, expulsai os demônios” (Mt.10,8). A cura de doentes andava sempre junta com a expulsão dos demônios porque eram eles que traziam as doenças para o corpo das pessoas. Essa imbricação era uma crença e uma lenda da época e mobilizava as energias de Jesus e dos discípulos. A lenda rezava que quando Deus criou os demônios não deu tempo para criar o corpo deles. Então eles ficaram com raiva dos seres humanos por isso entravam nos corpos das pessoas levando cada um uma doença com ele. Curai os doentes e expulsai  os demônios”,MT.10,8.  E a urgência era grande nessa força tarefa: “Não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Reino dos céus”, Mt.10,23.  Era exigido dos discípulos não ter, não usar, não comprar para não atrapalhar a sua ação. Porque no Reino de Deus não poderiam existir espíritos maus e nem doenças, era urgente. Nesse patamar se criou a mística do não ter, não usar, não comprar e nem casar nas primeiras comunidades cristãs. Dizia São Paulo; “O tempo está breve. O que importa é que os que têm mulher vivam como se não tivessem; os que choram, como se não chorassem; os que se alegram como se não se alegrassem; os que compram como se não comprassem; os que usam deste mundo como se não usassem; porque a figura deste mundo passa; aquele que casa a sua filha faz bem, aquele que não a casa faz ainda melhor”. (1 Cor.7,29-39). Esse era o patamar da época. Mas aplicando aos nossos dias podemos aduzir exemplos de “espíritos maus” modernos que tomam conta de pessoas onde não se concretiza o reino de Deus. Exemplo: Os que assassinam pobres e negros têm o espirito de assassino. Às vezes é um governador que incentiva policiais a esses assassínios garantindo sua ação e os protegendo. O “espirito” passa pelas palavras pelos atos e pela atitude. Às vezes basta mudar um governante que não dê esse aval, e diminuem os assassinatos. Outro exemplo: A exploração da Amazônia. Se já existe nas pessoas tanta ganância pelo ouro e pelas matérias primas como a madeira, imagine quando há o incentivo dos governantes ou de algum ministro como na época do “libera geral” na época da pandemia, em que um ministro do meio ambiente torcia para deixar a “boiada passar?” Envenenaram-se rios com o mercúrio, mataram-se indígenas com os venenos e em confrontos, e espalharam-se doenças, e negaram-se vacinas na época da pandemia. Hoje em dia esse “espirito” avançou para o uso dos agrotóxicos em que grandes empresas pulverizam suas fazendas usando a aviação sem critérios e sem controle. Envenenam-se rios, riachos, córregos, olhos de água, adoecem e morrem pessoas, envenenam-se ambientes de vida e seus animais. Enriquecem a firma, enriquecem os grandes milionários que moram nas Faria Limas ou no estrangeiro, e matam-se os nacionais. Não são já os “espíritos” frutos das lendas antigas mas são os “espíritos” da ganância moderna, a sede de dinheiro e o avanço do capital, trocado pelas vidas humanas.

Na época do primitivo cristianismo nasceu a mística do não ter, não usar, não comprar, por causa da vinda próxima do reino de Deus. Agora criou-se a ideologia do ter, do usar e do comprar por causa da vinda do $dólar e das $comodities. O reino de Deus tinha Jesus e os seus discípulos engajados na mística do não ter, não usar e não comprar. Hoje tem os “messias” das igrejas e “os apóstolos” das bancadas da Bíblia, da Bala e do Boi no Planalto de Brasília, todos engajados para não perder o tempo de aumentar seus cofres e seus capitais nos Offshores dos paraísos fiscais, aumentando seus gados e seus currais.

P.Casimiro João             smbn

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