segunda-feira, 27 de julho de 2026

REINO, ALEGORIA, PARÁBOLA E MÉTODO ALEGÓRICO.


 


Conceito de Reino dos céus: O fim do Antigo Testamento e a vinda de Deus para governar em pessoa. Aí incluía o castigo para os que tinham maltratado o povo de Israel. Digamos, uma ideia nacionalista. Uma prova está na cena da mãe dos filhos de Zebedeu que se aproximou de Jesus para o seguinte: “Permite que estes meus dois filhos sentem-se um à tua direita e o outro à esquerda no teu Reino” (Mt.20,21). Porém, pouco a pouco, a pregação e a piedade cristã foram transformando esse conceito para um conceito personalista do “bom” e do “mau” individual. Este conceito ficou marcado em narrativas plásticas como a “rede que é lançada ao mar”, com a sequência da escolha dos peixes “bons e maus”, de que iremos falar (Lc.5,5). Começava sendo usado o método dos gregos chamado método alegórico. A literatura cristã teve dificuldade para se expressar a esse respeito. Nos primeiros tempos não havia a palavra “céu” nem “inferno”, e digamos purgatório. Estes conceitos já eram originários da religião babilônica, donde passaram para o Judaísmo. Santo Irineu nas suas catequeses dizia que o paraíso seria lugar para onde iriam os justos depois de passar pelo lugar chamado céu das esferas celestes. Este era o lugar intermediário ou o primeiro degrau do paraíso. Outro nome era a Jerusalém restaurada. Orígenes tinha o paraíso como uma escola para os mortos honrados, preparando-os para ascender através das esferas celestes até o céu da abóbada celeste. A propósito, há uma expressão no evangelho de Mateus quando fala da rede e dos peixes, “O pai de família tira do seu tesouro coisas novas e velhas” Mt.13,53. No método alegórico quererá dizer que “coisas novas” serão a nova explicação ou o Novo Testamento; As “coisas velhas”, as do Antigo Testamento. Ou seja, o bom catequista  saberá manusear o Antigo para sacar lições novas. Voltando aos “bons e aos maus”, para os judeus antes do cativeiro só havia o Sheoll, que era o “lugar dos mortos.” enquanto que eles esperavam através da escatologia dos últimos acontecimentos a vitória final de Deus para estabelecer a Jerusalém restaurada. E como essa época parecia não vir mais, depois do exílio começaram a pensar num lugar de prêmio para os torturados pelas nações pagãs, e um lugar de sofrimento e castigo para os torturadores. Falámos atrás no método alegórico. O método alegórico entre gregos consistia em interpretar mitos e rituais do passado para estabelecer relações entre as crenças antigas e a nova sociedade que vai se formando. “A motivação para esta espécie de interpretação era uma genuína reverência pelas tradições religiosas antigas e explicá-las para descobrir significados espirituais ocultos em escritos clássicos de autores famosos. Com esses esforços, o método alegórico passou por um processo de elaboração transformando-se no método hermenêutico padrão da antiguidade que teólogos helenísticos judeus e cristãos adotaram de bom grado mais tarde para interpretar textos bíblicos” (H.Koester Introdução ao Novo Testamento, vol I, §4 1d, p.157). Este método funcionou para essa época helenística, para explicar por exemplo a Odisseia de Homero. Não só, mas também foi adotado pelos Padres da Igreja, e intérpretes bíblicos de toda a Idade Média como único método hermenêutico para interpretar a Bíblia. E digamos que ainda é o “método popular” vigente usado pela espiritualidade de todos os pregadores e comentadores da Bíblia como o mais cómodo, entregue à imaginação e explicação individual sem nenhum fundamento histórico-crítico, ou teológico, ou antropológico. No séc.II a.C. houve uma volta da filosofia às teorias de Sócrates, Platão e Aristóteles. Dois nomes tiveram influência nesse retorno, Panécio e Posidônio. Este último preferiu usar o método alegórico para explicar antigas teorias e adaptá-las às suas novas exigências, deixando para trás epicuristas e estoicos que não o aceitavam. Mas teve sucesso. E das teorias gnósticas e da cosmologia do platonismo deixou-nos o resultado da sua intuição: “O Sol é o puro fogo. O sol é a  fonte do espirito humano, que da Lua recebe a alma, e da terra o corpo” (o.c.§4, p.158). Isto é recorrente da antropologia cósmica do gnosticismo adaptada e pensada por Posidônio. “Aqui a jornada celestial da alma é a seguinte: quando o ser humano morre, o corpo se desintegra, enquanto a alma permanece por algum tempo na região sublunar, até definhar também para libertar o espírito em experiências místicas” (o.c.§4-2ª, p158). Estas reflexões recorrentes do platonismo, antes não bem vistas pelos estoicos acabaram vingando e serviram de base para a cosmologia e a ética estoica que se difundiu no império romano. Falamos do método alegórico e da ética estoica. O método alegórico na prática cristã tenta ir ao Antigo Testamento e sacar lições espiritualizantes para o Novo Testamento e para a vida cristã. A ética estoica propagada por Posidônio tinha três pilares. Primeiro, a finalidade não é o “prazer” mas a racionalidade, i.é, o logos ou razão pessoal que é a verdadeira natureza de cada um; Segundo, o reconhecimento de que o ser humano é “por natureza” uma criatura social, não entendido só na sua cidade mas no universo como um todo; Terceiro, a natureza, i.é, o logos de todos os seres humanos é o mesmo. Por isso distinções sociais, étnicas e raciais não têm sentido porque não são dadas "por natureza”.

Conclusão. Apontamos para o nosso título em que definimos o significado de “Reino dos céus”. Alegoria muitas vezes é uma parábola, como a cena da “rede lançada ao mar” com que no evangelho foi comparado o “Reino dos céus”. E falámos no método alegórico que não olha ao lado histórico, teológico ou crítico, mas só ao aspecto espiritualista e moralizante.

P.Casimiro João     smbn

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segunda-feira, 20 de julho de 2026

COMO A DITADURA MILITAR DEU FIM NO FUNDADOR DE BRASÍLIA, O DR. JUSCELNO KUBITSCHK DE OLIVEIRA.


 


A ditadura militar via Juscelino Kubitschek de Oliveira, o fundador de Brasília como uma grande ameaça política devido à sua enorme popularidade como fundador da nova capital do Brasil, Brasília e ao grande sucesso econômico de seu governo, como presidente do Brasil. Por isso fizeram de tudo para impedir um segundo mandato em 1965, um ano depois da instauração da ditadura militar. Os militares temiam que ele vencesse as eleições presidenciais nesse segundo mandato em 1965, pois eles quiseram estabelecer uma eleição de fachada um ano após a tomada do poder para paliarem a ditadura, e com a finalidade de eles se perpetuarem no poder. Então eles só tinham uma saída: era exilar Kubistchek, e assim o fizeram. Mas não ficou por aí, pensaram assassiná-lo num falso acidente, ou acidente preparado. Quando ele retornou do exílio  fizeram um atentado contra ele no dia 02 de agosto de 1976, forjando um acidente de carro onde assassinaram o fundador de Brasília botando no laudo o falso acidente. Quando foi criada a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos políticos em 2026 é que se concluiu que a morte de JK se tinha perpetrada nesse falso acidente com o qual quiseram iludir a Nação.

Os principais motivos de oposição foram:

  • Popularidade: JK foi o grande favorito para vencer as eleições de 1965, quando a ditadura já governava há um ano. Os militares golpistas não queriam correr o risco de perder a ditadura.
  • A ditadura queria se manter no poder por muito tempo. Por ter um grande apoio popular, a presença política de Juscelino ameaçava os seus planos.
  • Acusações infundadas: O regime militar usou a Lei de Segurança Nacional para cassar os direitos políticos de JK por 10 anos, e exilá-lo para o estrangeiro.
  • Frente Ampla: JK uniu-se a adversários históricos, como Carlos Lacerda e João Goulart, para criar a Frente Ampla. Esse movimento civil exigia o fim da ditadura e o retorno das eleições diretas, o que  os generais não queriam.
  • Só mesmo com a COMISSÃO ESPECIAL SOBRE MORTOS E DESAPARECIDOS DA DITADURA é que foi possível  descobrir a Fake News da DITADURA para esconder o assassinato do fundador de BRASÍLIA: era o mesmo que pretendiam fazer no atentado do 8/1 de  2.022 para botar de novo essa ditadura podre e assassina pela segunda vez no Brasil. Os podres vivem só de coisas podres como os carniças. SAIBA AGORA AS COISAS CERTAS.

P.Casimiro João         smbn

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

EVANGELISMO SUL AMERICANO, ANÁLISE EM PRATOS LIMPOS


 

Na época da Guerra Fria, o Estado norte-americano viu a Teologia da Libertação e a Igreja Católica como problema geopolítico, isto é, como problema para o império norte americano de base protestante querendo dar uma cor mais parecida com o protestantismo deles lá. O caminho mais curto seria exportar para a América do Sul a sua vertente neopentecostal. E começaram uma campanha enviando pastores muito bem pagos com seus $dólares para fundarem templos e mais templos em cada canto e esquina. E em maior escala incentivando-os a se infiltrarem na política, de tal maneira que não custou a infestarem o Congresso com deputados e senadores frutos dos $dólares americanos, que logo avançaram para formar a bancada da Bíblia, no pior ultraje que jamais se deu de misturar religião e política.  Relatórios oficiais dos EUA apontavam a Igreja Católica latino-americana como força de mudança social, especialmente após o concilio do Vaticano II. Então o governo americano conseguiu levar o Vaticano para o lado dele através de muitas visitas de deputados e elementos da CIA que foram recebidos no Vaticano. Daí em diante, documentos da Igreja católica defenderam combater a Teologia da Libertação obedecendo assim à política dos Estados Unidos, como conta H.Kung no livro “A Igreja católica tem salvação? E houve aproximação entre política externa dos EUA e o Vaticano. Pesquisadores como David Stoll tratam a expansão evangélica na América Latina como fenômeno religioso combinado, ocorrido num ambiente em que Washington via a nova onda do catolicismo como ameaça, e setores conservadores dos EUA incentivavam alternativas religiosas para combatê-lo, no que conseguiram o apoio do Vaticano na época em que inclusive o Card. Ratzinger deu sinais que não queria aceitar o concílio cem por cento, mas pelo contrário, com muitas reservas. Era o pano de fundo que os Estados Unidos queriam. No Brasil, o crescimento neopentecostal também tem causas internas: urbanização acelerada, televisão, rádio, empreendedorismo religioso, falsas promessas de cura, rigorismo moral, rede de apoio à teologia da prosperidade. Autores como Ricardo Mariano descrevem o neopentecostalismo com forte presença midiática, política e empresarial tendo como pano de fundo a prosperidade ao jeito dos sonhos do Antigo Testamento mediante o imperialismo, o poder e a riqueza. O exemplo maior desta ideologia está na réplica do “Templo de Salomão” construído em São Paulo para trazer de volta o que já tinha a validade de prazo terminada. Afinal, ao que Jesus tinha dito que “não iria ficar pedra sobre pedra” do velho Templo que tinha se tornado “um antro de ladrões”, o seu Edir Macedo foi na mão contrária de querer voltar à réplica do mesmo Templo, ressuscitando de novo outro antro de novos ladrões que à custa de tanta enganação do povo e de tantos dizimeiros projetaram a mais baita safadagem de lavagem de dinheiro até formar o “Dizibanco” que agora enfrenta igual processo da Policia Federal igualzinho o EXBanco Master de Vorcaro. Vale dizer que Edir Macedo e seu Daniel Vorcaro são dois irmãos gêmeos.  E o que vemos hoje é que o neopentecostalismo brasileiro acabou se tornando uma das principais bases  políticas da extrema direita no Brasil. Lideranças religiosas transformaram púlpitos e redes de igrejas em estruturas de mobilização eleitoral. Em contrapartida, todos eles sustentam o pânico moral em torno de gênero e sexualidade, continuando a defender tudo quanto é de ideias arcaicas, e obsoletas tanto em matéria de ciências humanas e filosóficas como de religião. Em um comentário a este estado de coisas trago aqui a opinião e afirmação de um especialista do social, filosófico e religioso: “O povo descobrindo só agora que o neopentecostalismo foi uma estratégia da CIA para combater e enfraquecer a Igreja Católica e americanizar a sociedade brasileira” (Tauat Resende @eutauat).

P.Casimiro João      smbn

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

A PECAMINOSIDADE SEMPRE CONSIDERADA PARA OS FIÉIS, NUNCA PARA A “HIERARQUIA”.


 

A autoridade é sempre considerada como como sem culpa, e os fiéis considerados sempre como culpados. Em  outra nossa publicação dissemos que Cristo não quis para si o título de “rei”. E hoje em dia os reis acabaram praticamente no mundo Os povos não quiseram mais os reis. Porém, tempos atrás, acabou o império romano, e a Igreja definitivamente ocupou o lugar dele. Aí nasceu a Igreja feita pirâmide: Papa, bispos, padres, leigos. E na sociedade civil: Clero, nobreza e povo, como era classificada em toda a Idade Média. A missão do Espirito Santo era só de fazer os fiéis acatarem e aceitarem na obediência o que decidiam e programavam os que estavam no topo da pirâmide.

Historicamente a “infalibilidade” do Papa não vem desde o nascimento da Igreja, mas vem a colegialidade, como se vê no primeiro concílio de Jerusalém onde as decisões saíram da colegialidade (At. 15). Hoje em dia isso tende a ser revisto cada vez mais, para deixar essa forma de uma Igreja abusiva usando essa plataforma como bengala de poder. Vimos ainda que os povos pagãos simpatizavam com  o nome de “rei” dado a Jesus. E de rei passava logo a imperador, ganhando o conceito de “império supremo de Cristo” sobre o mundo inteiro. Já se vê que respaldo daria essa ideologia a uma pessoa que se considerasse na terra o “representante” desse império, o Papa. Nada mais nada menos de que dar continuidade aos velhos sonhos de Israel de dominar o mundo com seu messianismo com a vinda do “reino” do filho de Davi e do sonho do velho Daniel (Dan cap.7), manifestado naquele pedido dos apóstolos:  “Senhor, é agora que vais restaurar o “reino” de Israel”? (At. 1,6).

Na época de Pio X e com a herança de toda a Idade Média fortaleceu-se a ideia da configuração da Igreja de Jesus como esse reinado vindo e nascido diretamente de Jesus sem que nada pudesse ser mudado e mexido nunca mais. Era a “infalibilidade” papal que estava em jogo. Porém, no concílio Vaticano II já começou sendo admitido  que a tão proclamada infalibilidade só pode ser assim conceituada  dentro de um consenso colegial. Neste setor temos que reconhecer que após século e meio de resistência às aquisições das liberdades oficiais do cidadão e do cristão vieram os textos do mesmo Vaticano II sobre a liberdade de consciência, liberdade religiosa, e direitos humanos que a muito custo foram sendo aceitos pela Igreja oficial. Na verdade até esta data, para a hierarquia eclesiástica o homem novo moderno que evoluía nestes conceitos de liberdade e emancipação e compreensão era tachado de “o homem velho” pecador e desobediente. Tudo que tinha o gosto de “moderno” era suspeito para a Igreja e considerado “tabu”. O conc. Vaticano II corrigiu a imagem anterior da Igreja para uma Igreja mais aberta. O Papa São João XXIII anunciou uma Igreja mais aberta mesmo e uma reforma mais ampla do Direito Canônico como frutos do Concílio que ele anunciou.  E dizem os entendidos que a edição que foi feita do Direito canônico não correspondeu às intenções fundamentais do mesmo Vaticano II, invertendo  o valor dos conceitos institucionais e dando mais valor à instituição do que à nova definição de Igreja como “povo de Deus” onde se realça a igualdade e liberdade dos fiéis leigos e os fiéis com outros títulos no mesmo serviço da Igreja. Vale dizer, na Igreja não tem títulos que separam, mas serviços que igualam na nova Igreja do Vaticano.

 

Nesta linha de compreensão fica corrigida a noção de pirâmide tradicional segundo a qual o pecado estava sempre do lado dos fiéis, e nunca do lado da hierarquia: a hierarquia como tendo sempre razão e humilhando sempre os fiéis, que sempre só “desobedeciam” e sempre eram pecadores. Vale dizer, o conflito era resolvido em favor da posição mais forte, e chamava-se a isto o pecado de base. Como consequência psicológica surgiam sobretudo sentimentos de decepção, de resistência e até de aversão. E afastamento de muito fiéis da Igreja. Só muitos séculos mais tarde é que veio um ou outro Papa pedir um perdão que já todo mundo não atendia e podia até ser considerado fora de época.

 

Na verdade, tantas vezes a hierarquia praticou uma política eclesiástica e não evangélica e teológica quando não queria nenhum diálogo com os que lhe eram incômodos, e no entanto formam parte da mesma Igreja que ela diz que é mistério de que todos participam. No entanto, estava ofendendo companheiros e não adversários. Pois na Igreja não há nenhuma relação de senhor e servo.

Resumindo: a pecaminosidade foi sempre considerada para os fiéis, nunca para a hierarquia; A autoridade considerada sempre como sem culpa. E os fiéis considerados sempre  como culpados.

P.Casimiro João         smbn

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