domingo, 16 de novembro de 2014

morreu um elefante branco




Morreu um elefante branco. Faz anos que o ginásio no Campo Velho cheirava a corrupção, elegia deputados, era cemitério de muitas verbas. 

Agora foi inaugurado, Parabéns! Mas já era mais que tempo! Mas olhem outra coisa: é uma vergonha, uma lástima, uma falta de sensibilidade pública! Sai autoridade, entra autoridade, ouve-se discursos elogiosos, põe-se trens de desculpas a correr... mas o desprezo, perante algumas coisas necessárias, é absoluto e parece até propositado para humilhar o povo. Querem um exemplo? 

Em Chapadinha não há um lugar decente para embarcar em ónibus nem lugar decente para enterrar quem já embarcou para a eternidade. Que pensam desta situação? Há quem se prestigia na vergonha de nossa Rodoviária Municipal e no desprezo em que estão os cemitérios? - Se alguém acha que está certo, embrulhe-se nas suas razões, mas fique sabendo que há outros que se indignam e com total razão. 

Se não fossem as associações de famílias que têm mortos nos cemitérios e que se encarregam da sua razoável limpeza, tudo estava em pleno abandono e total desprezo. Mas olhem como estão as vizinhanças desses sagrados lugares! Para vergonha do Município e de quem o comanda. 

Desde que o ex-Prefeito, Dr. José Almeida cercou alguns cemitérios pressionado pelo povo, na década de oitenta, mais ninguém se lembrou de cuidar desses lugares públicos. Foi até preciso que o povo da comunidade católica do Areal se movimentasse e arranjasse o grande cemitério de S. Miguel que é o único que tem certa ordem, limpeza e asseio. 

E tudo, por quê? – Porque os mortos não têm voto e só dão lucro às Agências Funerárias. Esta lastimável situação não sei se é causa ou efeito duma outra: Dia de Finados (que bem foi celebrado este ano com shows, festas dançantes, mortes, brigas com facadas...), sentinelas e até Quinta e Sexta Feira Santa viraram brincadeira. 

Perdeu-se a sensibilidade, o saudoso respeito e a humana emoção perante o mistério dos que partem. Quem não faz memória dos seus antepassados, não terá quem, na sua descendência, faça memória sua. Morreu? – Acabou! Triste sorte, negro futuro, fim macabro, falta de fé, absoluta ausência de gratidão, miserável materialismo que nos equipara a bestas! 

Está-se brincando demasiado com um mistério que a todos nos envolve. E a sociedade cala e consente. Não podemos igualar-nos a meros animais irracionais que não têm memória de seus antepassados mortos. E, se alguém não tem sensibilidade, devía respeitar quem a tem que ainda é a maioria. 

Promover shows, fazer festas em Dia de Finados é como dançar em cima de sepulturas. Se, qualquer dia, algum maluco promover isso, não me admiro que vá muita gente, mesmo com bilhete caro. Penso que é urgente um esforço para sermos mais humanos, mais educados e respeitadores. 

Quem quiser viver como criança irresponsável, só desejando diversão e brincadeira... vá para um deserto, longe daqui, que lá não deve incomodar muitas pessoas. 

E a Polícia Civil e Autoridades que dão licença para esses eventos que se lembrem da responsabilidade de serem educadores do povo. Também são responsáveis (e muito!), por esta falta de educação e até provocação pública.

ANTES DA AÇÃO, A MISSÃO É CONTEMPLAÇÃO!

A ação missionária antes de ser uma atividade é uma contemplação; antes de ser comunicação é oração; antes de ser “ir” é “ajoelhar-se”, um sair do seu egoísmo e deixar-se invadir pelo mistério. O missionário tem que saber tirar os sapatos, porque vive na proximidade do sagrado. Sim! 

Ninguém dá o que não tem. Se vamos testemunhar a graça, a amizade de Deus... temos que nos deixar possuir por ela, mergulhar em Deus. Ninguém trabalha por aquilo que não aprecia. Ninguém dá o que não tem. Antes de ir falar de Cristo aos outros é preciso falar a Cristo deles. A missão é um longo caminho para o Coração de Deus. 

Temos que mergulhar no mistério da misericórdia e ternura divinas, deixar que Ele tome conta completamente de nossa vida. Missão é concordar com Deus, é ter procurado e encontrado o tesouro escondido, é ter achado o que de mais belo podemos ter e não ser capaz de guardar isso só para si: o amor divino.  

A Missão não é invenção individual, não é mania de fazer turismo ou de viver em ativismo para realização própria. A Missão tem a sua fonte na Santíssima Trindade, nas três Pessoas que se amam e vivem em plena comunhão e absoluta união. 

A Missão enraíza-se aí nesse Amor que envia Cristo para se comunicar à humanidade e Cristo envia os Apóstolos em Igreja. E, na Igreja, ainda hoje e sempre, pela ação do Espírito Santo, todos são enviados. Ser cristão é ser missionário. A Missão é eclesial, é comunitária. Ninguém pode ser missionário por sua livre iniciativa, desligado da igreja, transmitindo uma mensagem individual. 

Desde o chamado até à aproximação e transmissão aos outros... tudo é graça do Espírito. Quem não se entusiasma pela Missão, quem não sente atração para ser missionário é porque ainda não sentiu o encantamento, a alegria, a sedução da graça. O amor de Deus ainda não entrou nessa pessoa e, por isso, ela não sente o impulso da graça para a comunicar a outros. 

Pode ser batizado, pode até “assistir à missa”, mas está muito longe de identificar sua vida com Cristo. Ser missionário exige fé forte e, ao testemunhar essa fé aos outros, ela é fortalecida. Salvar uma alma é predestinar a sua.


COMO FOI O SÍNODO DOS BISPOS SOBRE A FAMÍLIA?

o “Sínodo” é uma reunião de alguns bispos representantes do episcopado mundial, sob a presidência do Papa, para estudar assuntos de importância. 

Foi criado pelo Papa Beato Paulo VI para dar corpo e vida à colegialidade na Igreja de que tanto se tinha falado no Concílio Vaticano II. Mas todas as assembleias sinodais vinham sendo realizadas em certo ambiente de inibição, devido às fortes expressões do Magistério do Papa (sobretudo do Beato João Paulo II) ou até da Cúria Romana. 

Neste Sínodo, que tratou sobre a família no mundo contemporâneo, não foi assim. O Papa participou em todas as sessões, escutou sem criticar, pediu a todos coragem e humildade para que fossem sinceros nas suas exposições. 

Foi, na verdade, o primeiro Sínodo onde se celebrou em pleno a colegialidade quer no levantamento da real situação, quer agora na discussão. Assim, na 1ª fase, o Papa Francisco pediu a todas as dioceses que lhe mandassem respostas a um questionário. Do resultado desse questionário foi feito um resumo e enviado a todos. 

Nesta 2ª fase chamou representantes de todo o episcopado para comunicar o que tinham pensado. O papa soube apenas escutar, sem intervir, deixando que os membros (cardeais, bispos, padres, leigos e casais) expusessem livremente suas ideias e dessem testemunho de suas práticas pastorais. 

Deixou até que fossem conhecidos os resultados de algumas votações. No fim, saiu um documento com o resumo das posições expostas. 

Na 3ª fase, em Outubro de 2015, vai haver uma nova assembleia sinodal para comunicar o que foi decidido nas dioceses e só depois o Papa publicará um documento com as posições que devem ser seguidas por toda a Igreja. 

Na sua intervenção, no fim desta assembleia, o Papa Francisco não escondeu que houve momentos de “cansaço”, de “corrida veloz”, de “entusiasmo e ardor”, de “testemunhos pastorais que traziam alegrias, mas também lágrimas”. E pediu que “ninguém se fechasse no mero dizer da letra, mas se deixassem surpreender por Deus”, que ninguém caísse no “endurecimento hostil”, na posição dos zelosos tradicionalistas ou dos aventureiros da novidade, que “ninguém negligencie o depósito da fé” de que somos guardas e não proprietários. 

Nesta fase de consulta, a admissão dos católicos casados em segundas núpcias, com casamento estável e após integração comunitária e que desejam participação sacramental, teve a seguinte votação: 104 a favor e 74 contra. 

                   NOTICIÁRIO PAROQUIAL

1) -Voltamos a recomendar que quem tem filhos ou educandos, com dois anos de catequese, para serem batizados no Natal, vá ao Secretariado Paroquial preencher a ficha, porque o 1º rito será no dia 30 de Novembro e o 2º rito no dia 14 de Dezembro.

2) -Aconteceu em Brejo, no fim da semana passada, a Assembleia Diocesana. Presentes todas as Paróquias da diocese. Como objetivo do próximo ano será a formação da dimensão social.

3) -A capela de S. Teresinha no Bairro da Boavista ou Mutirão está em vias de acabamento. Esta semana colocou-se o piso morto, a lajota e as janelas e portas. Falta rebocar o muro da frente e pintar. Vamos ver se, na próxima semana, marcamos o dia da inauguração.

4) -Ainda há pessoas que querem, mas ainda não fizeram a assinatura do jornal litúrgico do domingo ou da Liturgia Diária. Pedimos incessantemente que não se adie mais. Temos poucas assinaturas. O mesmo se diga das certidões de batismo e casamento. Todos podem vir a precisar delas. Deviam procurá-las agora, em vida, e guardá-las, porque depois de mortos será difícil seus parentes as arranjarem, se, por acaso, o assento se extraviou. Procurem agora esses documentos e guardem-nos de maneira que os ratos ou a chuva não os danifiquem!

5) -Estamos fazendo todo o possível para que se realize na nossa Paróquia um encontro informativo e formativo com a presença do Dr. Marlon Reis. É urgente a formação da dimensão social de todos para melhorar mesmo nossa participação na política e não deixar correr tudo na irresponsabilidade.

6) -Já existe o material de conteúdo e de música para a próxima Campanha da Fraternidade de 2015 que tem como tema: “Fraternidade, Igreja e Sociedade” e como lema: “Eu vim para servir”.

7) -A Pastoral Familiar a nível nacional lançou um livro interativo que ensina valores do matrimônio a crianças e adolescentes: “construir família conforme plano de Deus”.

8) -Até agora acessaram o site da Câmara dos Deputados para manifestar se concordam ou não  com a definição de “família como núcleo formado a partir da união entre homem e mulher” três milhões de pessoas:52,28% a favor e 47,41% contra e 0,31% não têm opinião. Bom seria que, entre nós, também houvesse participação.

9) -Esta semana foram visitadas as seguintes comunidades do interior: Bacuri do Louro, Centro Água Branca, S. José dos Dários, Buqueirãozinho. Também houve ontem, sábado, a benção da nova capela do Angelim na propriedade do dr. Carlos Henrique.




domingo, 9 de novembro de 2014

Que responsabilidade a nossa igual o profeta jonas




A história de Jonas foi bem pensada. É um bom exemplo de como seriam as novelas daquele tempo! Feita para transmitir um precioso ensinamento. Jonas vivia sossegado no seu sistema religioso. 

A Lei considerava estrangeiros gente intratável e pecaminosa. Poucas relações com eles. Ora a Assíria tinha invadido Israel e imposto pesada submissão no passado. Talvez aí por 722 antes de Cristo e já estávamos no ano de 300 antes de Cristo também. Tempo suficiente para amontoar historietas e amadurecer uma grande inimizade. 

Além de povo estrangeiro, era nação inimiga. Inimiga, perigosa e pecadora. Ora Jonas é enviado a uma de suas cidades, a Nínive, para pregar a Palavra de Deus. Mas, com? Além de perigoso parece um caso desonesto a Jonas. Como querer converter um povo tão rebelde? E é então que tenta fugir. Mete-se num barco que vai na direção da cidade que se conhecia mais distante naquele tempo: Tarsis. 

Entra no navio, esconde-se bem no porão e pensa fugir. Mas dão com ele e, no meio duma tempestade, lançam-no ao mar para descarregar o navio. É então que ele é salvo por um peixe, vem à praia e, aprendendo com a lição que não se deve desobedecer a Deus, pensa e decide-se ir a Nínive. Vai e o povo se converte e faz penitência. Afinal o seu medo era uma invenção.

Deus não faz acepção de pessoas. Nós, sim! E pensamos que a perversão de alguns é tão grande que não merece que se perca tempo. Negamo-nos ir ao seu encontro. Com facilidade montamos esquemas mentais que nos desviam de ajudar, de ir evangelizar.  Pomos nosso desprezo em ação e ficamos na nossa. Cada um que se arranje! Mas Deus tem outra maneira de pensar e agir. Ama a todos. 

A todos quer salvar. A todos concede Sua graça, porque são Seus filhos. E a culpa da situação pode não estar neles, mas em influências culturais e ambientes criados. Talvez até em nós que não damos bom exemplo. Ninguém se desinteresse e fuja de ajudar alguém!  Ninguém se feche nos seus piedosos atos de devoção, no seu sistema religioso, pensando só em se salvar a si mesmo. 

E abandonando os outros na sua situação. É costume divino salvar as pessoas em comunidade, em sistema familiar. Pedindo colaboração a alguém.  Jonas não se saiu bem querendo fugir e, quando se dispôs a ir evangelizar Nínive, obteve bom resultado. Decisão difícil, mas proveitosa! 

E nós? O que estamos fazendo nas Santas Missões Populares? Quem se fecha em si, se embrulha em desinteresse e se acomoda na passividade pode ou, certamente, fica responsável pela perdição de irmãos.


TODO O CRISTÃO DEVE SER MISSIONÁRIO!

A Paróquia não é agência de alguma Empresa especializada em promover eventos religiosos. Nem é uma instituição incumbida de celebrar Sacramentos, nem lugar de prestação de serviços, como: fornecer certidões de batismo e casamento para quem se deseja aposentar ou ganhar algum benefício social. Paróquia não é estrutura burocrática de influência moral ou educação religiosa. Se fosse alguma coisa dessas seria uma realidade estática, burocrática, sem alma, sem coração e sem dinamismo de salvação. 

A Paróquia é a Igreja realizada em determinado lugar. E, portanto, conforme concebermos a Igreja, assim vamos definir e realizar a Paróquia. O Concílio Vaticano II fala pouco de Paróquia. Usa mais a palavra “comunidade”. A “comunidade” é feita de pessoas e relações. A “instituição” não. É estática, parada... Se considerarmos a Igreja como Sacramento Universal de Salvação, como Mistério da ação da graça divina que se quer comunicar a todos, então já podemos falar de “comunidade missionária”. E aí a necessidade de colocar sempre a Paróquia em processo de constante renovação, para ser atuante e missionária. 

A característica “missionária” não indica um desejo, nem uma possibilidade. É uma exigência, algo que pertence à sua essência. As pessoas e as comunidades que se dizem cristãs devem ser missionárias ou não correspondem ao fim para que existem. É seu dever estar sempre em dinâmico processo de radical conversão de mentalidade, para serem fiéis à sua missão que é dar visibilidade e ação à própria Missão de Cristo. Ele é contemporâneo nosso. 

É o centro de nosso trabalho pastoral. Não se trata só de ser comunidade isolada, fechada sobre si mesmo, satisfazendo as emoções de quem a frequenta, procurando cada um só a “sua salvação”. Não. E a “comunidade” de que estamos falando nunca pode ser uma multidão grande. Não podemos transferir o que pensamos agora ser Paróquia e rotulá-la de “comunidade”. A comunidade deve ser um pequeno grupo de oração, de reflexão bíblica, de animação familiar, de vida, de convivência de sã vizinhança, de estudo da questão social na dimensão cristã... Grupo com pessoas que se relacionam e se apaixonam por um assunto de fé, se aproximam mais de Cristo e de outros que andam distantes. 

O grupo cristão torna-se próximo, responsável, apostólico e vai à procura das ovelhas perdidas. Não com estratégias  propagandísticas, mas por atração, por força de sedução do exemplo de quem vive o Evangelho. Por isso, a Paróquia deve ser uma grande comunidade cristã, mas composta de pequenos grupos ou comunidades que se reúnem em assembleia para celebrar o Mistério Pascal e participar da Liturgia. E essas pessoas que formam os grupos não dispensam ir à procura, sair, visitar as periferias, estar próximas de quem precisa duma ajuda. 

Essas comunidades que são pequenas igrejas, Comunidades Eclesiais de Base têm que ser missionárias. Ou missionárias ou sem razão de existir em Igreja. As Santas Missões Populares querem, exatamente, trazer esta dinâmica, esta preocupação, este dinamismo. Não são outra Pastoral, nem outro Movimento Apostólico... Elas querem apenas acordar, lembrar, sensibilizar e motivar para essa  força, essa alma, e esse espírito missionário que deve informar toda a vida da Igreja.


EU NÃO SOU DEUS! VOCÊ NÃO É DEUS!

Para mim, Deus é essencial. Não posso domesticar alguma ideia de Deus a meus interesses. Deus é Deus. Nenhum ser humano é, nem pode ser Deus. Mesmo eu, não me posso julgar deus. Mas há quem brinque com uma ou mais ideias falsas de Deus. Entre nós, surge uma pergunta preocupante? - Qual será a razão pela qual a maior parte dos homens não pratica religiosamente e vive desinteressada de Deus? 

Fui à procura de razões e encontrei algumas: há lucros imorais, busca-se prazeres ilícitos, ganha-se hábitos pecaminosos, vive-se numa libertinagem ofensiva à própria dignidade e ao respeito alheio, conquistou-se uma posição social com falcatruas e... ninguém gosta de ser inquietado e ter que mudar de vida!  Mas há uma razão psicológica que muitos esquecem ou ignoram. Explico: a melhor definição de pessoa é: “um ser em relação”. Somos e vivemos sendo relação. Ninguém é solipsista. Nem ilha. 

Todos precisamos de manter relação com alguém e alguma coisa. Sòzinhos não conseguimos viver. Precisamos de nos relacionar. Mas com quem? Com quê? – Quando crianças, inconscientemente, nós nos julgávamos o centro do mundo. Tudo que pedíamos era-nos concedido. Como mexíamos um dedo do pé, também fazíamos andar tudo à nossa volta. Se não, chorávamos e conseguíamos logo o que queríamos para não continuar a chatear. O colo da mãe era o nosso trono.


Quando tínhamos fome, ali perto tínhamos o peito da mãe com leite. A criança se autocentraliza, se autoentroniza, julga-se o centro de tudo e de todos. Mas, com a experiência da vida e com o que ouvimos, vamos entrando noutro mundo de relações. Do “eu-eu” de criança inconsciente, passamos ao “eu-ele”. Mas ainda aqui podemos transferir a importância que pensamos transportar para coisas e pessoas que conseguimos manipular e usar segundo nossas absolutas ilusões ou enganadores interesses. 

O narcisismo de criança começa então a alimentar-se do domínio dos outros, de gozar prazeres, de assegurar coisas... O “ele”, com quem nos relacionamos agora, ainda é o mesmo do “eu” anterior. Só mudou de lugar e de nome. Na vez de estar em nós passou a habitar outro espaço. Por exemplo: quem domina uma pessoa pensando que a ama, não a ama. Ama-se nela, fazendo dela o que quer. Se pensa em Deus, não O ama, vale-se dEle para não ser diferente em sociedade, para sossegar a consciência... Mas, na verdade, é a si mesmo que ama nessa ideia que arranjou de Deus. Não cresceu. Não amadureceu. Psicologicamente, continua criança. Embora tenham aparecido outras pessoas ou coisas, elas nada são sem essa relação a si. Assim pensa! Pensa a só ela é que conta. É rei ou rainha de tudo. E, por isso, vive com ganância de possuir, com sofreguidão de realizar ilusões, com uma arrogância incrível...


Para uma pessoa ser ela mesma tem que se converter, amadurecer, mudar... e relacionar-se: “eu-tu”, sendo este “tu” tudo que não seja ela. Mas, para isso, tem que se converter, mudar de mentalidade, deixar de ser infantil, aceitar sua fragilidade e identidade dos outros. Só então admitirá Deus na sua vida e respeitará Sua transcendência.
Saberá que Deus é Absoluto e ela pura relatividade. Que importante é a conversão! E como tão pouca gente se converte! Sem uma verdadeira conversão, a pessoa engana-se e vive brincando até com Deus.     

           NOTICIÁRIO PAROQUIAL

1)-Está a realizar-se a Assembleia Diocesana em Brejo. Presentes alguns membros de nossa Paróquia e lá estiveram também PP. Zé Adauto e Neves até ontem.

2)-A construção da capela de S.Teresinha continua. Está já telhada e esta semana vai levar um novo piso de lajota. Também levantou-se o muro de acesso ao adro para lhe dar mais privacidade.

3)-Esta semana foram visitadas as seguintes comunidades do interior: Alto bonito, Lagoa Amarela, Bom Princípio, Malhada dos franceses, Pitombeira, Curralinho. P. José Adauto celebrou também em Estrela.

4)-O Dia de Finados este ano (incrível!) foi bem celebrado com shows, assassino e bastantes facadas. Algo se tem que fazer para os anos seguintes. E uma iniciativa é ter encontros com as autoridades, sobretudo com a Promotoria Pública, para saber se se pode respeitar mais este dia e como diminuir estes shows e ver se têm segurança e licença para se realizar. Uma coisa se devia saber: se estes lugares que fazem shows estão licenciados para os fazer e se têm agentes de segurança. Por um lado, ouvimos dizer que não há agentes de segurança suficientes para atuar na cidade e, por outro, permite-se eventos onde sabemos que se passa droga, há violência e perigo de morte. Mas há agentes de segurança ou não? E, se não os há, como se permite tanta brincadeira perigosa?

5)-Como todos já devem saber, em 2015, em Outubro, vai-se realizar em Chapadinha a Romaria da Terra e Águas a nível estadual.  Estamos já formando uma comissão e Virão dezenas de milhares de forasteiros a Chapadinha. Queremos que essa concentração se realize no Areal e termine na Praça do Povo.

6)-Soubemos que alguns artigos deste Boletim Paroquial têm causado discussão em ambientes públicos. Se houver dúvidas sobre a seriedade ou veracidade de nossas posições, podem dizer que se pode colocar tudo em pratos limpos. Nossa fonte é o Diário do Governo. Notem que o “Fantástico” da Globo também quer saber para onde vai o dinheiro público. E o novo Governo do Maranhão vai ter uma Secretaria para averiguar denúncias e casos de corrupção. Já não estamos bem na antiguidade coronelística! Muito menos no tempo dos pitecantropos ou dos austrolopitecos.  Não se queira tapar o sol com peneira de tela rara.

7)-A insegurança em que estamos vivendo em Chapadinha merece análise séria dos responsáveis. Há quem se queixe que ligações para Delegacias não têm atendimento, que venda de droga parece liberada entre nós, que grupos de bandidos atuam à vontade... Não basta dar casas para o povo. É preciso estar atentos a infiltrações de grupos perigosos nestes ambientes, ver as rotas de fuga criadas e a falta de agentes de segurança.

8)-Convocamos todos dirigentes das Comunidades e coordenadores dos Setores das SANTAS MISSÕES populares para uma reunião 4ªFª dia 12 no CBNET. Horário às 19.30h.

9)-Primeiro Rito para os batismos de NATAL: dia 30 de Novembro; 2ª rito: dia 14 de Dezembro. Os pais vão fazer as fichas no Secretariado até o dia 22 deste mês . Obrigado.







domingo, 2 de novembro de 2014

dia de finados e a força de uma vida plena


A Bíblia diz que fomos criados à imagem de Deus. Somos imagem formada pelo Criador, mas deformada pelo pecado, reformada pela graça de Cristo e que será transformada na vida plena da Ressurreição. A vida de cada ser humano deveria ser um ensaio para a felicidade eterna pela procura de estar com Deus. É a esperança que nos dá força para optar pelo caminho das bem-aventuranças. 

Ansiamos por uma vida plena. S. Paulo dizia que se não fora essa vida plena ele seria o mais desgraçado dos seres humanos. E eu faço minha também esta afirmação. Sempre tentei trocar tudo por essa vida plena

Criança ainda, entrei no seminário. Passei a juventude habitando salões de estudo e espaços de oração. Ouvia longe o barulho do mundo e altifalantes, ao domingo, vomitando músicas de diversão. No silêncio reforçava minha opção pela vida plena. Quando o amor me piscou o olho para que viesse sorrir à vida na liberdade do mundo, pensei, decidi e aceitei outro apelo para viver o amor doutra maneira. Tudo em nome da vida plena. 

Fiz-me homem e aceitei ser missionário. Entrei num grupo que se dedicava a espalhar pelo mundo essa vida plena. Despedi-me de entes queridos, afastei-me da família e fui para Moçambique, numa zona onde havia guerra brava. Era a vida plena dos irmãos daquelas paragens que me arrastava. 

Levantaram-se ventos contrários, fustigaram-me tempestades, enormes ondas quase faziam afundar minha barca. Aguentei, não desanimei! Não fugi. Senti que trazia na fragilidade dos meus braços uma força que me empurrava para a vida plena. Vim estudar à Europa, trabalhei em Portugal em circunstâncias históricas difíceis. Vários colegas debandaram. 

Um mundo encantador parecia surgir, mas as dúvidas foram desfeitas, os porquês foram resolvidos. Sempre na atração irresistível da vida plena. Longe de todos os meus projetos, soou o apelo do Nordeste Brasileiro. De princípio, não simpatizei com a modalidade. Vozes traiçoeiras das sereias da acomodação novamente cantaram. 

Família e amigos lembravam que não era preciso ir tão longe e suportar tanta dificuldade. Ilusão de estoicismo esgotante ou serviço à vida plena? Esta falou mais alto. “Lutei, venci! Estou aqui!” Foram as minhas primeiras palavras em Chapadinha. 

Trinta e seis anos passaram de luta para viver e transmitir vida plena! Agora, alquebrado pelos anos, custa-me pensar que terei que fazer outra viagem. Não pedi para nascer, também não peço para viver muito. Dediquei-me a Seu projeto, sei que Deus não me abandona. 

Custa-me saber que ainda tenho que dizer o adeus mais radical, viver o momento mais turbulento do meu percurso. Depois de tantos, mais um e este decisivo... Desde já aceito passar essa porta para a vida plena. Recuso pensar que foi inútil ansiar pela vida plena. Esse desejo não pode ter sido em vão!. Chamem-lhe o que quiserem. 

Eu chamo-lhe Ressurreição: Vida Plena em Deus! Ressuscitarei e viverei para sempre essa vida plena.   

VIDA NÃO É FEIRA ONDE SE COMPRAM ESCRAVOS

Alguém disse um dia que o amor é pobre. Sim, porque é doação, entrega, dádiva... É pobre, mas faz as pessoas ricas.  Deus é Amor. Não tem nada, porque está em tudo. É Senhor absoluto. O ser humano foi feito à Sua imagem e semelhança. Há mais felicidade em dar que em receber. Quem dá sente-se feliz na felicidade que o outro recebe. Amar não é dominar. Nem tão pouco negociar: amo-te para que me ames! Também não é entregar-se sem reservas. 

Quem ama não vira proprietário de ninguém. Quem é amado não se deve julgar escravo. Amar não é possuir, dominar, ser dono de alguém... Isso é paixão, instintos não controlados, desiquilíbrio mental, doença. Amar não é apoderar-se de alguém para ter direito de controlar tudo que ele ou ela pensa, olha, diz ou faz. O verdadeiro amor fica destruído pelo desejo de posse. Quem pensa que ama, dominando o outro, não o ama. Ama-se a si mesmo no outro.  É um amor egocêntrico que facilmente costuma degenerar em vingança. O amor nasce e vive em liberdade, espontaneidade e gratuidade. Quem ama deve poder dizer: “ninguém me pertence e eu pertenço a todos”.
Quem pensa que amar admite domínio, acaba por escravizar, manipular, reduzir a pessoa amada a objeto. Por isso, há patrões que exploram, há amigos que manipulam, há maridos ou esposas que só utilizam seu cônjuge em proveito próprio. A própria palavra: “cônjuge” significa: “com o mesmo jugo”. Cônjuge é aquela pessoa a quem me sinto unido que vive, com liberdade, puxando comigo a mesma responsabilidade. A relação domínio-submissão depressa cai em desamor. Pode haver aí um pouquinho de amor, mas será sufocado pelo excesso de zelo e se demonstrará sempre um amor imperfeito, incompleto e egocêntrico. 

O amor desenvolve-se em clima de liberdade e igualdade. Num casal, quando alguém acha que tem o direito de ter o outro fechado em casa, limitar-lhe seus olhares, tratá-lo com toda a aspereza, criticá-lo por tudo que faz, nunca dar um elogio ou transmitir uma ternura, negar a informação sobre os dinheiros familiares... está promovendo escravatura que já foi abolida há muito. Maneira nojenta, desumana e falsa de amar. Tudo isso indica egoísmo, orgulho intratável e anormalidade na relação. Doença grave que, se não for tratada, mata de raiz o amor, se é que ele já não morreu há muito. A vida não é feira em que se passa como comprador de pessoas.

Ninguém se deve julgar no direito de ser carcereiro de alguém. Família não é prisão para ter alguém só para si. Mesmo numa cela presidiária tem que se respeitar a dignidade da pessoa. Habitua-te a amar, sem te prenderes e sem prender a ti alguma pessoa. Ninguém se deve prender só à beleza ou às qualidades duma pessoa. O tempo tudo muda. 

Amar é um processo de melhoramento: conhecer melhor, compreender melhor, aceitar melhor, ajudar melhor... Amar é olhar no núcleo mais íntimo da pessoa do outro, valorizar a pessoa do outro... aí aonde se revela nele a grandeza da pessoa como obra criada por Deus.

MÁSCARAS, MUITAS MÁSCARAS!

Mudam os tempos, os políticos, os hábitos e as técnicas... Nunca mudou o alfabeto dos olhos: lágrimas, brilho, admiração, medo... Quer os olhos sejam grandes como nos africanos, de amêndoa como nos orientais, pequeninos como nos homens das zonas polares... todos e sempre, os olhos comunicam mensagens. Mas, desde sempre o homem aprendeu a fingir. O fingimento é uma arte. A criança esconde-se, o adolescente mente, o adulto faz de conta... Hoje tudo pode ser xerocado, copiado, imitado.

É difícil distinguir o que é natural do que é artificial. O mundo está cheio de atores, burlões, troca-tintas, falsários. São a força que comanda o mundo de hoje. Por toda a parte aparecem rostos envernizados, caras coloridas, cabelos pintados, sorrisos maquiavélicos, lentes de contato, cirurgias plásticas... que conseguem mudar a realidade das pessoas. Até uma mentira, dita muitas vezes, tende a passar por verdade. Hoje nem no olhar se pode confiar. O que interessa é criar imagem, ter IBOPE, boa aparência, enganar os outros. A aparência é dona. Em tudo: no esporte, no negócio, na arte, nas amizades e até na religião. Nota-se que muita gente quer criar a convicção que pronunciar a palavra “diabo” é pecado, mas fazer o que o diabo quer é bom. 

O filósofo grego Diógenes andava em pleno dia no mercado de Atenas com uma lamparina acesa na mão. A quem lhe perguntava o motivo, respondia: “ando à procura do homem!”. Mas só Pilatos, quando apresentou Jesus à multidão, desfigurado pelos maus tratos, pôde gritar: “eis o Homem!” Mas hoje como é difícil ter um comportamento humano, luminoso e transparente, gostoso como pão quente ou verdadeiro como água da nascente. A nossa civilização é uma civilização em que cada um procura ser bom ator, representar um papel. Para isso, usa máscaras, conforme a conveniência.

Habituámo-nos ao disfarce, ao engano... E que ninguém nos critique! Mesmo nos outros, sem querer, só vemos o que nos interessa. Ficamos nas aparências: olhamos um bosque, mas não apreciamos a qualidade das árvores. É um bosque! Olhamos uma multidão, mas não apreciamos as pessoas. É uma multidão! Temos uma visão seletiva. Não vemos tudo. Só as coisas e pessoas que queremos. Deus não é assim. Ele vê em profundidade. Não usa óculos. Não fica nas aparências. Não se deixa enganar. Vê por detrás de nossas máscaras. Olha e acolhe. Acaricia a todos com seu olhar. Convida a melhorar. Levanta os olhos para ver Zaqueu. Manda os discípulos de João Batista ir ver onde mora. Foram, trocaram os olhares e ficaram com Ele.

A Liturgia do 31º domingo comum, que seria hoje se não fosse Dia de Finados, manda-nos tirar as máscaras, derrubar estratégias, sair de nossos esconderijos, ser verdadeiros e autênticos. Amar a verdade. Só ela nos salvará. Ou isto, ou nunca passaremos de inúteis mentirosos. Como aqueles que venderam o voto e agora se começam a queixar que pobre é desprezado. Pois, é! Mas se vendeu a alfaia que tinha, se recebeu o troco... não tem direito de receber mais nada.

              NOTICIÁRIO PAROQUIAL

1)- O Papa Francisco beatificou o Papa Paulo VI. Para quem viveu a enorme mudança na Igreja com o Concílio Vaticano II, este homem ficará para sempre lembrado. Mostrou-se firme na aplicação das decisões do Concílio. Foi o primeiro Papa que saiu do Vaticano à procura da humanidade, lançou as bases do diálogo ecuménico e da colegialidade na Igreja. Abdicou da tiara papal a favor dos pobres da Índia, veio a Fátima pedir a paz para o mundo e proclamou em África a necessidade de enculturação do cristianismo como verdadeira evangelização. Inteligência superior, místico, filial devoto de Maria, corajoso, firme, mas muito sereno e misericordioso nas decisões. Disponível e generoso nas suas obras de caridade. Incarnou em si o amor e a paixão de Cristo. Fez seu o lema de S. Ambrósio: “Cristo é tudo para nós!” Cristão corajoso, entusiasta pela Missão, sempre ao serviço de Cristo e da sua igreja. Beato Paulo VI escreveu sete encíclicas, instituiu o Sínodo dos Bispos e o dia da Paz. A paróquia de Chapadinha alegra-se com esta beatificação!

2)- Impressionante e lamentável o ambiente que se vem criando, entre nós, no Dia de Finados ou na véspera! Passa-se por cima de todos os sentimentos de respeito, saudade, tristeza... que a maioria da população vive nesse dia. Para muitos, o que interessa é a brincadeira e o lucro. Nem têm respeito pelos mortos nem respeitam os sentimentos alheios. O ano passado houve show em dia de finados, este ano anuncia-se novo show.
 A Polícia Civil, ao dar licença para festas e shows, devia lembrar que isso toca com os sentimentos da maioria. Fica aqui o nosso mais vivo repúdio por se promoverem festas, seja onde for, nesse dia.

3)-A reconstrução da capela de S.ta Teresinha, na Boavista, continua em ritmo apressado. Já se derrubaram as paredes e substituíram por outras, fazendo o espaço muito mais comprido. Mas tivemos que colocar abaixo todo o antigo reboco. O trabalho vai ficar muito mais dispendioso que se previa.              

4)-Esta semana foram visitadas as seguintes comunidades do interior: Centrão, Cajazeiras do Osmar, Tabuleiro, Madeira Cortada, Canto do Ferreira, S. Joaquim, Soledade, Boca da Mata dos Cardosos e Centro dos Lopes.

5-P.Pedro lançou seu livro em Portugal e deu uma entrevista no jornal diocesano em que fala de sua recente viagem a Chapadinha e dos muitos amigos que por aqui encontrou. Recorda sua ida a Mata Roma e a Urbano Santos.

6)-Aconselhamos todos os fiéis a que participem da Eucaristia em sufrágio pelos seus defuntos. Não fiquem só na flor e na vela que são sinais de lembrança, respeito e fé. Depois da celebração dirijam-se a algum cemitério para lembrar e rezar. Quem não passa o bom testemunho de rezar pelos seus familiares defuntos está a semear o esquecimento, para si mesmo, quando morrer. Hoje, as missas como nos horários de domingo.