segunda-feira, 17 de março de 2014

PARÓQUIA DE CHAPADINHA - PARA SE SER TEMOS QUE SAIR!


Deus não precisa subir aos céus para se esconder. Nem descer para se aproximar de nós. Ele é. Ele está. Tudo é residência Sua. Mas fez-nos, a nós seres humanos, muito frágeis e limitados. Fez-nos peregrinos de mil situações. Precisamos caminhar, subir, descer, sair, entrar, começar, empreender...

 A Bíblia gosta de retirar o homem de sua pequenez e de o levar acima das montanhas para falar com Deus. Não é para estar mais perto dos céus, mas para que possa olhar maior amplidão de horizontes que é preciso salvar. 

No primeiro domingo da Quaresma, observávamos Jesus entrando no deserto, sentir fome  como qualquer outro vivente, ser tentado pelo diabo, mas saber vencê-lo, assumir, em plenitude, nossa natureza e sofrer as consequências de sua fragilidade, mas conservando a força de Sua fidelidade à Vontade do Pai. 

Belo exemplo para todos nós, em quaresma! Temos uma natureza ferida e limitada. Nem sempre conseguimos força para satisfazer a ânsia de felicidade semeada em cada um. Por isso, precisamos de amparo e de quem nos salve. 

A liturgia deste segundo domingo da Quaresma leva-nos a sair de nós, de nossos hábitos e manias e a subir à montanha da esperança para sentir a grandeza divina de Jesus. 

Milagre não é Ele se transfigurar, aparecer brilhante e poderoso, falando com os máximos representantes da Lei e dos Profetas. Milagre é Ele, no quotidiano, esconder o brilho de Sua divindade para não amedrontar os discípulos com Sua forte intensidade de luz e beleza. 

Impressionante o apego de Pedro ao provisório! Verdadeiramente Jesus é Deus. É o Salvador prometido e presente a cumprir o que as Escrituras anunciaram. Ontem, hoje e sempre! 

Mas, como Abraão, nós temos que sair, mudar de situação e de vida, trocar nossas certezas pelas promessas divinas, nossos hábitos pelos pedidos do Criador. 

E aí está o exemplo de Abraão. Gozava de boa situação de vida: tinha família, terras, gado e convivia na tradição de seus antepassados. Mas sentiu que Deus o chamava a sair, a começar a História da Salvação, a perder referências adquiridas, a dar-lhe a preferência e a partir para o desconhecido, para se tornar um povo. 

Abraão obedeceu. Partiu para uma vida nova e diferente. E tudo deu certo. Deus é fiel a Suas promessas. Também a nós, Deus se manifesta hoje. A cada um de seu jeito. Cada um é cada um. Palavra, ação, modo de viver de Jesus, Seus valores... devem ser, para nós, uma ordem, um mandato, uma nova referência a aceitar... 

Como foram para Paulo de Tarso, para Francisco Xavier e para tantos milhões de pessoas que decidiram seguir Jesus. Ser cristão é estar profundamente convencido de nossa fragilidade e sentir necessidade da ternura, da misericórdia e da proximidade divinas que nos são oferecidas em Jesus. 

Ser cristão é deixar-se apaixonar, empolgar, entusiasmar por Jesus e Sua missão. Mas temos que deixar muita coisa! Ninguém pode servir a dois senhores! As árvores frutificam mais  quando são podadas! E as pessoas quando fazem penitência.


ABSTER-SE PARA SER

É um preceito de ordem divina cumprir obras de penitência: “Eu vos digo: se não fizerdes penitência, todos vós perecereis” (Luc.13,3). A Bíblia repetidas vezes nos aconselha a praticar obras de penitência. Se deseja ver, tome sua Bíblia e leia: Mat.4,2; 9,15; 17,21; Luc. 3,3; 13,15; 24,47; At.2,28; 13,2; II Corint.11,27, etc. Nosso tempo está marcado pela busca exagerada do prazer e pela satisfação do que nos agrada. Daí a necessidade de ter mais em conta o preceito divino.


Hoje, compreendemos muito bem que essas palavras: “penitência e mortificação” soem mal aos ouvidos de nossos contemporâneos. Mas temos que retirar delas todo o sentido negativo e sentir que são fonte de felicidade e liberdade e nos ajudam a renunciar a tendências e apetites que não nos engrandecem. Quem não as praticar tem que saber que não entrará no Reino dos céus. O espírito de penitência desprende-nos do que é terreno, é remédio para combater a concupiscência e vencer os apetites desordenados, consegue a reparação dos próprios pecados e alheios e é fonte de méritos diante de Deus.


A igreja encarrega-se de recordar esse dever e, para nos ajudar a cumprir este preceito divino, aconselha diferentes modos (jejum, penitência...) e em diversas condições (todas as sextas feiras e o tempo da Quaresma...) para viver esse espírito de mortificação (para dar morte à inclinação para o pecado). A necessidade de fazer penitência vai muito além dos dias que a Igreja marca.


O jejum consiste em ter só uma refeição ao dia, embora se permita tomar um pouco de alimento de manhã e à noite. O jejum foi praticado pelo povo eleito como sinal de arrependimento , por Cristo e por todos os santos. É instrumento de santificação, de controle do corpo e equilíbrio emocional. Obriga desde os 18 anos até aos sessenta. Pode haver causas que dispensam dele: doença, convalescença, pessoas débeis e quem se ocupa de trabalhos físicos pesados. É obrigatório em quarta feira de cinzas e sexta feira santa.


Abstinência, tradicionalmente, consiste em nos abster de comer carne, mas obriga, sobretudo, a levar com moderação nossa alimentação, escolhendo comidas  simples e pobres, por exemplo, a abstenção de alimentos mais requintados e caros. Sobretudo deve-nos obrigar a ser moderados nas bebidas e a evitar a embriaguez, tão comum, infelizmente, entre nós e que destrói tantas famílias. Nas sextas feiras do ano, a abstinência pode ser substituída por obras de caridade ou misericórdia. Durante a Quaresma, por obras especiais de caridade, oração ou sacrifício. A necessidade de manter o espírito de mortificação e renúncia tem fundamento na lei divina e vai além destes conselhos da Igreja. A abstinência obriga desde os 14 anos e não tem idade para terminar.


ANALFABETO RELIGIOSO E ANALFABETO POLÍTICO!

Democracia não se impõe por decreto. Não se instala por declaração pública. Exige tempo, supõe educação suficiente, precisa de esforço de aperfeiçoamento e de persistência na experiência. Democracia não se pressupõe, não se acha feita, nem apenas se afirma. Aprende-se. Para isso, é preciso ser aceite e que alguém a ajude a praticar. 

Apesar de todos os riscos e defeitos, democracia parece ser a melhor maneira de conviver em sociedade. Democracia é o Governo do povo, para o povo, através de representantes legitimamente eleitos. Em Atenas, na antiga Grécia, o povo se reunia para discutir os problemas da cidade em praça pública. Reunia-se para organizar a vida da cidade. “Cidade”, se dizia “polis”. E daí veio a palavra “política”. Então o povo se reunia para fazer “política”. 

Fazer política não é brincadeira, nem assunto de mercenários. É coisa séria, porque mexe com a vida de todas as pessoas. Quem não compreende isto é analfabeto. E dizem que o “analfabeto político” é o pior de todos, porque coloca em perigo todas as outras pessoas. É criminoso. 

Mas, quando a multidão de pessoas se tornou maior, foi preciso delegar em representantes do povo para exercer esta atividade. Quem era chamado devia defender os interesses comuns, as urgências públicas. Não podia assumir o cargo para satisfazer seus interesses individuais. Com o andar dos tempos, sobretudo onde o povo não conhece seus direitos e não foi educado no cumprimento dos seus deveres, onde viveu, prolongados períodos, escravizado a abusos de senhores prepotentes, esta atividade foi-se deturpando, afastando de seus legítimos objetivos. 

Os sabidos se aproveitaram! E, na vez de os políticos darem a prioridade ao povo, é o povo que tem que aceitar a prioridade dos interesses dos políticos. Eles fazem o que querem e quem não se cala é castigado. A coisa pública privatiza-se, esconde-se as contas, não há transparência na administração, inventa-se coisas fictícias para justificar gastos, compra-se recibos falsos, aliena-se as pessoas com bijuterias desnecessárias... 

Há casos em que as pessoas eleitas para terem a representação do povo não têm moral, nem educação, nem respeito para defender os legítimos interesses do povo. Numa palavra: não têm representatividade. Têm o direito de representação, mas não têm a capacidade de representatividade. Mas a democracia não é só fruto da atividade dos profissionais da política. É também fruto da participação do povo. 

A população não pode ficar parada. Tem que ir atrás, lembrar, exigir, denunciar. O povo também tem que ser político estando atento. O interesse é seu! Se isso não acontece, a democracia vira anarquia: cada um faz o que lhe apetece. Em Chapadinha, será que políticos e povo já vivem democraticamente? Ou será que povo é leão a exigir, mas atua como jumento ao votar? Que acha? “Política” é assunto que tem dimensão religiosa, se não, por que pedimos no “Pai Nosso” que o Reino de Deus venha a nós? 

Quem pensa que o Reino de Deus só se realiza na eternidade é “analfabeto religioso” . Outra coisa muito má, péssima mesmo! Não é cristão, porque esquece que Jesus encarnou, assumiu a realidade humana.



            ESPAÇO INFORMATIVO

1. Realizou-se no passado sábado uma reunião da Pastoral Familiar Paroquial onde foi apresentada a nova equipe de coordenação os casais: Cardeal e Rosimeire, Woston e Antonilda, Francisco e Leonete, Sousa e Vanderlene, Toínho e Francinete, Cruz e Têtê. E ficou também decidido que os casais de todos os bairros devem participar da missa das 08.00H, na Matriz, no segundo domingo de cada mês para haver um convívio na praça depois da celebração. Isso não retira que continue a ser o segundo Domingo do Dízimo na Matriz.


2. Houve também uma reunião do Secretariado Paroquial de Catequese. Foi apresentada a nova coordenação paroquial: Dadá, Paixão, Jesus Veras, Francisca Campos, Deusa e Aldeano. Outras pessoas foram nomeadas para ajudarem na formação.


3. No fim da última semana, participaram em Brejo numa reunião sobre a Pastoral da Educação os professores Jânio, Amélia Almeida e Alcides. Queremos que comece a funcionar esta Pastoral na nossa Paróquia. Para isso está agendada uma reunião com alguns professores amanhã, segunda feira. E vai aqui ser realizada uma reunião diocesana no próximo dia 02 de Agosto.


4. Esta semana colocou-se o piso morto na construção da nova capela de Nossa Senhora de Lurdes e rebocou-se parte do interior, no Recanto dos Pássaros. Também a equipe de carpintaria trabalhou na retificação de algumas tesouras na Igreja de St.ª Luzia. Trabalho muito complicado.


5. Ontem, sábado, começou a catequese paroquial em todas as comunidades.

6. Hoje, na missa das 10h00, na Matriz, daremos, oficialmente, posse aos Ministros da Comunhão. Todos, novos e quem não foi dispensado, de todas as comunidades.


7. Está aberta a inscrição para um novo grupo de Crisma de adultos com mais de 25 anos, no Secretariado Paroquial. Para adultos que queiram preparar o Batismo ou a Primeira Comunhão, há também inscrição aberta no Secretariado ou no Grupo de Servos do Evangelho.


8. Está entre nós o P. José Adauto, chegado de Moçambique. Irmã Júlia, das Missionárias da Boa Nova, viajou para Portugal.


9. Nossos doentes: Francisco Mário e irmã de P. Neves continuam em situação complicada no hospital. Agradecemos orações.


10. Esta semana fizeram-se as visitas da quaresma nos bairros de Aparecida, B. da Cruz, Novo Castelo e Recanto dos Pássaros. Nesta semana será a vez de Santa Luzia, Boavista, Corrente e Santo António.


11. Os ensaios para a Via-sacra começarão amanhã, 2.ª feira, no Centro paroquial. Será às 19h30, depois do ministério jovem. Convidamos todos os jovens para este grande evento paroquial.


12. Segunda-feira, uma pessoa representante da paróquia, participará de uma reunião a nível diocesano para preparar os objetivos da próxima Romaria da terra e da água que se irá realizar aqui em Chapadinha em 2015.


13. Comunicamos que os livros da Campanha da Fraternidade já terminaram e não há mais em lado nenhum. Mas não terminem as reuniões dos grupos de reflexão.






segunda-feira, 10 de março de 2014

PARÓQUIA DE CHAPADINHA - QUARESMA - SOMOS TENTADOS, MAS NÃO DOMINADOS

Somos seres peregrinos no tempo. Sentimos a dificuldade da caminhada. Nossos sentidos internos recebem tentações. Nossa consciência formada por valores cristãos, por vezes, puxa para uma orientação e outra força, através de sugestões interiores, incentiva-nos para o contrário, para o pecado. Isso é a tentação e a sua causa universal é o egoísmo ou o amor desordenado a nós mesmos (Prov.1,19 e Mat.10,25). 

Vivemos numa natureza ferida e decaída que nos dificulta praticar o bem. A concupiscência da carne puxa ao fácil e gosta do prazer; a concupiscência dos olhos deseja o ter e prende-se às coisas; a soberba da vida busca o poder, o dominar os outros... TER, PRAZER, PODER são tentações universais e tão antigas como o ser humano. 

Jesus, depois de ter jejuado no deserto, as sentiu, segundo o Evangelho de Mateus. Mas venceu essas tentações. E a literatura grega, milhares de anos antes, já as tinha descrito através de mitos:

Prometeu, (figura do homem materialista que quer ser mais que Deus!) era um ser muito inteligente e astuto, tornou-se amigo do deus Zeus, mas roubou-lhe uma filha e o fogo que deu aos homens. Mas, levado ao cimo do monte Cáucaso, foi amarrado e todos os dias uma águia lhe vem picar o fígado que novamente se refaz. E vai ficar assim 35.000 anos.  

Sísifo (figura da ganância humana que não controla as ilusões!) enganou os deuses, sequestrou a morte e driblou sua sorte muitas vezes. Mas foi condenado a levar, eternamente, uma pedra para cima dum monte que logo lhe escapa e cai para o mesmo lugar. 

Dédalo deu a seu filho Ícaro umas asas (figura da vaidade humana) para voar, mas pediu-lhe que não subisse alto. Ele desobedeceu, aproximou-se do sol e as asas que eram de cera derreteram-se e ele afogou-se no mar. 

Narciso (figura de quem busca só prazeres) foi perto duma fonte e, ao ver a beleza do seu corpo refletida na água, ficou encantado, em êxtase, mas logo se transformou em estátua.


Mas, há uma grande diferença entre antigamente e hoje. Os gregos apontavam castigo para quem caia na tentação. Hoje acha-se isso uma vantagem. Os Meios de Comunicação Social de hoje elogiam e engrandecem as pessoas que se deixam arrastar pelas tentações. Ajudam até a aderir a elas. 

As tentações, quando sentidas, não são pecado. Mas viram ocasião de pecado, se consentimos nelas. Se vencidas, fortalecem a vontade e são ocasião de méritos para a eternidade. Apesar da força e do incentivo que possuem, não nos obrigam. 

Sempre seremos senhores de nossa vontade e de nosso livre arbítrio. Deus não quer as tentações, mas permite que sejamos tentados para lhe darmos uma prova de nossa fidelidade. 

A graça de Deus não permite que ninguém seja provado acima das suas possíveis forças (ICor.10,13). Como meios, mais ao nosso alcance, para vencer as tentações, podemos apontar: 
a)- formação da nossa consciência, combatendo a ignorância religiosa. 
b)- Usar os meios sobrenaturais: oração, recepção dos sacramentos, devoção a Nª Senhora... 
c)- Dominar os sentidos, fortalecendo a vontade na procura do bem. 
d)-Evitar a ociosidade (preguiça) que é sempre fonte de tentações. 
E)- Fuga das ocasiões de perigo. “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és!”

QUARESMA, TEMPO DE ALEGRIA E VIDA NOVA

Caminhar não é só sair dum lugar; é condição para atingir uma meta. Fazer silêncio não é só calar; é aproximar-se da fonte da palavra que é a reflexão, princípio da decisão. Rezar não é perder tempo; é adubar a raiz duma nova vida num tempo novo. Fazer penitência não é combater a alegria; é garantir um coração novo. 

A Palavra de Deus não um livro da Bíblia na estante; é mergulhar na Vontade de Deus, aceitar a orientação certa, o projeto de um viver feliz. Quaresma não é tempo triste; é tempo de parar para rever as opções de nossa vida; é tempo de nos libertar deixando que o chicote da verdade nos corra da tenda onde vendemos, inutilmente, tanta energia de nosso tempo; é tempo de nos salvar da noite do respeito humano e partir para o tempo da luz em que Cristo é o nosso Sol.

1)-Quarenta dias choveu torrencialmente sobre a terra; o dilúvio foi o princípio duma nova Criação (Gen. 7,17). A água era a figura do Batismo, a arca figura da Igreja. Durante a quaresma revivamos nosso batismo, reencontremo-nos com a Igreja, fortaleçamos nossa fé e a vida de comunidade. Sepultemo-nos, com Cristo, para o pecado, renascendo para uma vida nova.

2)- Quarenta dias e quarenta noites permaneceu Moisés no alto do Monte Sinai (Ex.24,18). Do encontro com Deus na intimidade e na oração nasceram a Lei e a Aliança. Também nós, no silêncio e na oração da Quaresma, vamos refletir sobre a Palavra de Deus e rever o compromisso de nossa vida cristã, atualizar a nossa Aliança com Deus, com a Igreja e com o Mundo.

3)- O povo judeu expiou as suas iniquidades errando quarenta anos pelo deserto (Num.14,34). Durante a Quaresma, vamos olhar a vida à luz da Verdade, reconhecer nosso pecado individual e coletivo e caminhar na nossa conversão a Deus, celebrando nossa reconciliação na Igreja santa e pecadora, renunciando ao mal e à mentira.

4)- Reconfortado com pão e água, trazidos por um anjo, o profeta Elias ergueu-se e caminhou 40 dias na direção do monte Horeb, lugar das origens (IReis,19,8). A Confissão é o sacramento dos peregrinos. Vivamos a Quaresma alimentando-nos com o Pão que desceu dos céus e o vinho novo que brotou do lado de Cristo para nos erguer e viver Cristo e Sua missão.

5)- Quarenta dias e quarenta noites jejuou Cristo no deserto sob a ação do Espírito (Mat.4,1-11). Durante a Quaresma aprendamos a ser sóbrios, renunciando a alguns alimentos, bebidas e coisas supérfluas para exercer a partilha na caridade. Mortifiquemos o corpo para fortalecer o espírito. Demos culto a Deus para vencer as idolatrias, evitar a tentação do domínio e adotar simplicidade de vida, fugindo às vaidades e à ostentação.

6)- Durante 40 dias depois de Sua paixão, Jesus apareceu vivo aos seus discípulos, ensinando-os a respeito do Reino de Deus e preparando-os para o anúncio do Evangelho no mundo (At.1,13). Depois da Páscoa faremos experiência do Senhor Ressuscitado, sendo no mundo sinais do Deus vivo, celebrando Sua presença na Eucaristia, na Palavra, na comunidade, na família e comprometendo-nos a ser, no mundo, o que a alma é no corpo.

QUARESMA E CAMPANHA DA FRATERNIDADE.
PESSOA NENHUMA É OBJETO PARA SER COMERCIALIZADA

Chegou a Quaresma que nos vai levar à Páscoa de Cristo Ressuscitado. Um tempo de alegria e mais atenção à nossa dimensão espiritual que nos deve levar, pelo exercício constante da esmola, da oração e do jejum a uma conversão do coração e da mente. 

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano trata do tráfico humano para sabermos identificar suas causas e modalidades, reivindicar políticas e meios para a reinserção das pessoas atingidas, promover ações de prevenção e resgate da cidadania e suscitar, à luz da Palavra de Deus, a conversão das pessoas que conduza a uma transformação desta aviltante realidade. 

Talvez nunca tenhamos pensado neste tema, mas ele é muito atual, porque afeta muitas pessoas tirando-lhes a liberdade e seus direitos. As Nações Unidas definem o tráfico de pessoas como “o recrutamento, o transporte, a transferência, o alojamento ou outras formas de coação como: rapto, fraude, engano, abuso de pagamentos e benefícios para obter o consentimento de uma pessoa que tenha autoridade sobre outra para fins de exploração.” 

Os objetivos podem-se resumir a três: abuso sexual, trabalho forçado e extração de órgãos. As estatísticas indicam-nos números enormes provenientes deste comércio: 32 bilhões de dólares anuais.  

Pessoas são enganadas e tratadas como coisas e mercadorias na nojenta indústria do sexo. Crianças e adolescentes são iludidas com promessas rendosas e depois tratadas como animais. E quantas crianças sequestradas para lhes tirarem órgãos e serem vendidos?! 

Quantos pais choram filhos que desapareceram e nunca mais sabem de seu paradeiro, porque foram mortos para lhes extraírem órgãos. Vamos fazer grupos de reflexão e estudar situações graves que acontecem entre nós onde não há emprego e jovens se deixam enganar com facilidade. E depois é difícil sair dessas situações de exploração pela vergonha que causam. 

Analisemos a questão do casamento de adolescentes, do contrato para cortar cana no Sul, no aliciamento com bons empregos que depois não aparecem, no uso de empregadas domésticas... Mas, se há violência contra a mulher, olhem também a violência provocada por mulheres com seus modos de vestir, de aliciar, de se vender... 

Lembremos a cultura do nudismo nalgumas manifestações carnavalescas e a promoção de cursos de línguas para a promoção da prostituição durante a Copa, o que não acontece com para os policiais, garçons e taxistas. 

E quanta facilitação para a droga com noitadas festeiras que rendem muito a quem as promove! Será que não podia haver uma lei municipal que restringisse esta atuação e desse mais sossego às famílias?   


                       NOTICIÁRIO DA PARÓQUIA

1. Decorreu muito bem e com a maior participação de sempre o Retiro de Carnaval promovido pelo RCC. Mais de quinhentas pessoas participaram deste tempo de reflexão e com bastante ordem e muito interesse. Foi, sem dúvida, dos melhores retiros realizados na Paróquia. Parabéns a todos que o organizaram.


2. A capela de Nª Sª de Lurdes, no Recanto dos Pássaros, está telhada. Começou-se a colocar o piso morto para depois rebocar por dentro. A gruta, toda de pedra, onde vai ficar a imagem da Padroeira, também está pronta.


3. Realizou-se com muito fruto uma reunião de pessoas provenientes de Chapadinha, Mata Roma e Anapurús sobre a situação de violência que vivemos nestes Municípios. Estiveram presentes 45 pessoas, D. Valdeci e uma advogada da Sociedade dos Direitos Humanos de S. Luís. Depois da oração e da reflexão sobre alguns textos da Bíblia que nos ajudaram a ver qual a posição de Jesus diante de situações violentas, passou-se a ouvir todos os presentes sobre o que pensavam do nosso ambiente. Notou-se uma forte incidência da violência a nível psicológico (medo dos grandes, de perder emprego...), a nível cultural (influência da colonização, escravatura, latifúndio...), a nível familiar (machismo, alcoolismo, droga, infidelidade...) a nível político (primazia e arbitrariedade da política em tudo, dependência, falta de participação do povo por ignorância...), excesso de ambiente festeiro sem controle da entrada de crianças e muita exploração da juventude, muitos bares... para  exploração da juventude, muitos bares para bebidas alcoólicas, em lugares nobres e perto de colégios, muita vida noturna e sem vigilância policial, falta de lugares de recriação e de emprego, ausência de educação familiar ...
...bebidas alcoólicas, em lugares nobres e perto de colégios, muita vida noturna e sem vigilância policial, falta de lugares de recriação e de emprego, ausência de educação familiar ... Tomou-se a decisão de promover uma escola da Doutrina Social da Igreja, denunciar acontecimentos graves, fazer manifestações públicas e incentivar a população à participação política inteligente.    


4. Temos ouvido muita gente queixando-se deste ano a organização do carnaval ter sido mais frouxa. Não ouvimos ninguém queixar-se de que os índices de aproveitamento escolar dos nossos adolescentes e jovens são dos piores do Maranhão e estes dos piores da Federação. E isto é que conta para a qualificação profissional futura dos jovens é que conta. Não é o carnaval. Temos que refletir sobre o que mais interessa e deixar de tanta brincadeira enquanto não houver responsabilidade. Faz bem um Governo que toma prioridades.


5. Pedimos a todos os interessados em participar na representação da Paixão de Cristo na sexta feira santa que comuniquem seu nome à Gnú no Secretariado e participem quarta feira da reunião no Centro, às 20.00H.


6. Francisco Mário e a irmã de P. Neves continuam nos hospitais em situação bastante crítica. Pedimos e agradecemos orações. Bonito o gesto da pequena multidão que se juntou rezando o terço pela saúde do Sr. Eduardo.

7. Muito grande a participação das comunidades no início da quaresma com a imposição das cinzas. Nas missas de domingo daremos início à Campanha da Fraternidade. 

8. No próximo Domingo, às 10h, haverá instituição dos Ministros da Eucaristia. Horário: Na missa das 10.00h