domingo, 11 de janeiro de 2026

DEUS NÃO É DEUS SEM NÓS E NÓS NÃO SOMOS NÓS SEM DEUS.


 

“Viver em Deus sem Deus, como se Deus não existisse” (Arthur Robinson). Assim: o filho que se emancipa. Assim a sua liberdade. Os pais ficaram para trás. Age por sua conta e risco. Não está mais esperando ser manipulado. Vive de experiências, e de ver como é. Objetivo dele? Querer avançar. E fazer diferente. Deu certo? Às vezes. Deu errado? Às vezes. A natureza tem em si as energias do conserto. Esta afirmação leva a outra que diz o mesmo, mas parecendo contraditória, no entanto completa a oura: Deus não é Deus sem nós e nós não somos nós sem Deus. Há uma pergunta no subconsciente de todos nós que parece barrar a ideia de que Deus não seria nosso parceiro: Como Deus permite o mal? A resposta depende de como eu entendo Deus. Se manipulador fora do universo, ou se é íntimo a nós e nosso parceiro. Não será que exigimos um Deus que nas aflições, basta um estalar de dedos para resolver nossos problemas? Mas, se nossa imagem de Deus concentra-se na presença e na parceria de Deus que em todas as coisas criou um ambiente livre e é parceiro da nossa liberdade, então as coisas mudam de aspecto. “O universo ordenado contém dentro dele muita coisa que é desordenada e incompleta. A criatividade múltipla torna inevitável um pouco de desordem e conflito. Leva em conta a possibilidade de grande desordem e mal. No modelo ecológico o mal origina-se do acaso e da liberdade que ele permite, não da providência. A razão pela qual a providência não elimina o acaso é porque um mundo sem acaso é um mundo sem liberdade. Toda entidade natural, todo átomo precisa ter um aspecto de autodeterminação ou espontaneidade e a interseção até de dois, sem falar em miríades de atos de autodeterminação é precisamente acaso. De fato, Deus controlar completamente o mundo seria o mesmo que aniquilá-lo. Uma pergunta dessa faria de Deus como onipotente ditador do universo, responsável por tudo que acontecesse e que, se quisesse, poderia mudar o curso dos acontecimentos num estalar de dedos ou de varinha mágica.” (Charles Birch, apud Michael Morwood “O católico de amanhã”, Paulus, 2013, pg 45).  Nossa linguagem religiosa torna-se perigosa quando pensamos num Deus que realmente manipula tudo. É perigoso falar abusivamente usando a “vontade de Deus”. Se por exemplo, o marido morre de repente de um ataque cardíaco, que imagem de Deus é transmitida à mulher, ao lhe dizer que isso deve ser o que Deus queria? Ou, que imagem de Deus é transmitida aos filhos desse casal na missa de sétimo dia se o padre fizer uma declaração no sentido de que “Deus levou” este homem de nós? Em vez disso não seria melhor outro discurso como: a vida tem validade de prazo no ser humano e em toda criação; em contrapartida, ao mesmo tempo traz um princípio de continuidade; deste modo, no princípio de continuidade estão os filhos  e  os familiares onde a vida se reconstrói e se recupera, assim como aquele que doa órgãos continua na vida do outro. O cosmo e a humanidade são duas realidades conectadas. Os estudiosos dizem que imperfeições vieram junto com a vida desde os 15 bilhões de anos no Big-bang. Mas a mesma criação que trouxe imperfeição trouxe também um princípio de recuperação ou o jeito de tudo recuperar. Isto já a filosofia e a religião hindú intuíu quando definiu três princípios divinos na criação: o princípio criador, o destruidor e o reparador ou técnico do conserto de tudo. Dentro desta sinfonia da vida os seres humanos somos os únicos conscientes desta realidade cósmica: destrutiva e reconstrutiva. Porque, no meio do cosmo sem consciência, a vida humana ficou como cabeça pensante e consciente. E ao princípio criador onipresente  em toda a criação damos um nome: Deus. “Pense na maravilha da existência humana: Damos literalmente a Deus voz e braços; damos ao amor aparência e forma, nós o personificamos. É literalmente verdade que Deus como espírito não fala. Você precisa de um corpo para fazer sons. Deus como espírito não compõe música. Deus como espírito não me abraça nem me carrega para a escola. Mas o Deus que vem à expressão humana em Elton Jhon compõe música que toca para sempre as vidas humanas. O Deus personificado nos poetas como Cora Coralina ou Florbela Spanca faz poesia que toca para sempre o coração e a mente dos seres humanos. Meus pais e meus irmãos e minhas irmãs dizem que me amam e me alimentam. Não deverei acreditar que neles a presença de Deus recebe forma humana?” (M.Morwood, o.c.p.44). Por outro lado, segundo a Física Quântica, não podemos mais separar o mundo material em Matéria inanimada e Mente. Mas ele é “Matéria-Mente”. “A ciência moderna nos diz que não devemos continuar a separar o mundo material em  Matéria inanimada e Mente como duas realidades diferentes. No entendimento atual a mente não se limita a ser uma função consciente ligada ao cérebro. A mente está presente em todas as coisas e torna-se consciente nos seres humanos, como dizíamos atrás. Eis um modelo científico de pensamento que nos permite ver a presença de Deus impregnando tudo que tem existência e os seres humanos de maneira especial. E essa presença criadora chame-se de Mente ou chame-se de Energia da Vida ou de qualquer outro nome, leva em conta o acaso e a liberdade e a espontaneidade e o totalmente inesperado.” (o.c.p42). A física quântica não nos diz que ISTO é o que Deus é,  como a “sarça ardente”. Pelo contrário, aqui Deus é entendido como presença encarnada em vez de como um “manipulador exterior (id, id). Posto isto, não há mais margem para manter uma visão mecanicista do mundo: um governante de fora da máquina ou da matéria, não raro impressa na imaginação popular, que ordenaria e disporia como quisesse, aumentando a emoção bajuta do dito popular que “tudo está na mão de Deus”; um Deus que pudesse planejar tudo passo a passo, e tudo resolveria num estalar de dedos.  “O deísmo entendia Deus como o agente externo ao mundo, que intervém só para iniciar a criação e preencher as lacunas. É esse o Deus que ainda é atual demais em muitos lugares contemporâneos da Igreja: uma superpessoa exterior que pudesse intervir na vida de determinados indivíduos em tempos de desespero para resolver problemas. Seria como o supervisor da máquina quando ela adoece” (M.Fague, apud M.Morwood, o.c.o.p41-42).

Avançando para margens mais largas, vamos “enfrentar o desafio em primeiro lugar com a verdade básica da encarnação. O cristianismo tradicional nos ensina que em Jesus Deus se tornou humano. E se tomássemos esse entendimento cristão básico do envolvimento de Deus com a humanidade e o fizéssemos retroceder ao começo da criação? E se, ainda transcendendo e sendo maior que a soma total da criação, Deus se “encarnasse” em toda a criação, de modo que toda ela fosse infundida com a energia que é Deus e por ela fosse sustentada e guiada? No mesmo instante teríamos de abandonar a tendência limitadora e permitir que o nome “Deus” significasse, por um lado, uma realidade ilimitada infinitamente vasta, totalmente além de nossa imaginação. Não poderíamos restringir essa realidade a um “ele” que está no céu. Por outro lado, Deus deve estar presente em toda parte como força, energia ou poder de vida. Mas também devemos advertir que essa é linguagem inadequada e se esforça para estar em contato com a verdade de encarnação: Deus em tudo, com tudo e através de tudo. Simplesmente tentamos dar sentido à realidade que chamamos “Deus” em vez de afirmarmos que ISTO é o que o Deus é. Afirmamos que tudo está impregnado da presença de Deus. Chamamos a atenção dos seres humanos para o amor que está em nosso coração; chamamos a atenção para  o DNA e para os átomos e moléculas em nossa estrutura corporal onde há espontaneidade e vida e movimento; onde há crescimento; onde há liberdade de movimentos e possibilidades ilimitadas, e há também doenças, e há saúde. Isso é encarnação no nível básico. Deus realmente está em, com e através de tudo. Não teremos de adaptar então nossa imagem de Deus se formos levar isso a sério? (M.Morwood o.c.p.40-41).

Dado que o entendimento tradicional de Deus e de nosso relacionamento com Deus foi formado pelos padrões de pensamento e visão de mundo da cultura judaica e cristã primitiva, e sofreu dos limites de uma cosmologia antiquada, somos desafiados com a visão atual. Aceitamos o desafio? Hoje, em outro tempo, outra cultura, outra ciência e outra visão do mundo não nos darão mais esclarecimentos?

Antes de concluirmos, notemos que a Matéria e a Mente podem colaborar para uma maior validade de prazo da nossa vida, retomando o nosso pensamento expressado páginas atrás. Prazo de vida ou prazo de menos vida, como muito bem investigou Renate J.de Moraes nos seus dois grandes volumes “O Inconsciente sem fronteiras”, onde ela detectou que a mente do feto já tem o poder de fazê-lo aparecer com câncer ou sem ele (o.c.p.426). E onde ela afirma: “Existe energia elétrica no cérebro que irradia fora dele”(o.c.p.328)

Na verdade, dessas premissas descritas resulta o corolário que dá o título a este capítulo  e a este volume, o primeiro volume de PÁGINAS DE TEOLOGIA BÍBLICA PARA HOJE: Deus não é Deus sem nós e nós não somos nós sem Deus. Este volume com este novo título é o primeiro de Dois novos volumes, em 2ª edição. Em 1ª edição editamos 10 volumes, que, como disse agora ficam reunidos neste dois volumes, o 1º: “Deus não é Deus sem nós e nós não somos nós sem Deus”. O 2º volume continuará com o mesmo nome dos 10 livros da 1ª edição: “Páginas de Teologia Bíblica para Hoje”.

P.Casimiro João     smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

 

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