domingo, 16 de janeiro de 2022

A luz dos olhos vem do coração. ‘Faça-se conforme a vossa fé”(Mt.9,27). Para o judeu a luz não está nos olhos, mas no coração.


 

A Torah era o rochedo, a luz e a salvação. Jesus substituiu a Torah como o novo rochedo, a nova luz e a nova salvação.  

Um dia dois cegos aproximaram-se de Jesus e lhe pediram “tem piedade de nós, filho de Davi”. “Quando Jesus entrou em casa os cegos se aproximaram dele e pediram ‘filho de Davi tem piedade de nós. Então Jesus lhes perguntou ‘vós acreditais que eu posso fazer isso’? Eles responderam ‘sim Senhor’. E Jesus lhes disse ‘Faça-se conforme a vossa fé”(Mt.9,27).

Como em outros episódios, aqui também acontece uma metáfora: a cegueira dos olhos é a cegueira do coração e vice-versa, a luz do coração é a luz dos olhos. Para o judeu a luz não está nos olhos, mas no coração. Quando as pessoas ficavam cegas é porque o coração estava cego.

Acontece assim como na lanterna elétrica. A luz não está no foco, no vidro que nós direcionamos, mas na bateria que é o coração da lanterna. Assim como também o som do nosso microfone não está no bucal, mas na bateria que é o coração do microfone.

Vejamos o resto da metáfora dos dois cegos. Eles nem pediram para ver, ou para ser curados. Simplesmente, “Filho de Davi tem piedade de nós”. Significa que o coração deles já estava iluminado. O coração que tem fé significa a luz. A pergunta de Jesus “vós acreditais que eu posso fazer isso? Sim Senhor,”  responderam. Vem a resposta de Jesus faça-se conforme a vossa fé”. Qual era a fé deles? A luz que já tinham no coração. Eis a metáfora que funciona no evangelho: cego é igual a sem fé; enxergar é o que tem fé. Quantas vezes os evangelhos nos surpreendem com esta atitude: “faça-se conforme a tua fé”. Faça-se conforme a luz que está no teu coração.

Conclusão. Noutra ocasião Jesus terá dito: “quem pratica as minhas palavras é como um homem que construiu a casa sobre a rocha (Mt.7,21-27). Também aqui o evangelho bebeu do Antigo Testamento, onde se diz :”a Senhora Sabedoria construiu uma casa sobre sete colunas” (Prov.9,1-6). É que quando mal nos damos conta nós estamos pisando terreno do Antigo Testamento, porque temos três quartos do Antigo Testamento e talvez só um quarto do Novo Testamento.

Nos evangelhos, tanto Jesus é a nova luz, e a nova Torah, como a nova Sabedoria e a nova rocha. Aquele que aceita Jesus fica sendo luz e casa construída sobre a rocha.

P.Casimiro João     smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

 

domingo, 9 de janeiro de 2022

Religião madura não é dogmática, aceita os desafios e corre os riscos da busca.

Hoje em dia os historiadores deram-se conta que alguns dogmas foram proclamados por motivos de viés político e por motivações até pessoais inconfessáveis. Isto deu-se em épocas de conflito e de não aceitação por parte da Igreja de filosofias que depois vingaram no mundo e que a própria Igreja acabou aceitando.

Aí se invocavam até motivações “divinas” para esse endurecimento da religião. O mesmo endurecimento se viu debilitado com o andar  dos anos. Foi assim  que o Papa Pio VI invocava uma suposta“revelação divina” para condenar a filosofia dos direitos humanos, a liberdade de religião, e a liberdade de consciência, em 1791. É por isso que afirmam os teólogos que os dogmas traduzem épocas e histórias discutíveis. E traduzem na verdade uma fé da Igreja ainda não madura, que na época “não aceitava desafios e  os riscos da busca”, como afirma Mário Aletti, docente da Universidade Católica de Milão.(citado por Ales Bello, “Entre  Fenomenologia, Psicologia, e Psicopatologia” Paulus, p.160).

Podemos citar o ambiente histórico de Pio IX (1792-1878) que viveu a época da perda dos Estados Pontifícios. Podemos imaginar a crise emocional com que teve que conviver e que o levou a proclamar tantas condenações e a ainda mais à obstinação de lançar mão de todos os meios para proclamar a infalibilidade pontifícia, que era a última coisa que lhe restava para satisfazer o Ego, que ele via ser destruído por todos os lados como uma estátua que se vê derrubada de seu pedestal.   Enfrentando as filosofias do Modernismo, Iluminismo, e Liberalismo publicou o documento Syllabus que “enumerou” quase 100 erros da sociedade, e os condenava com o apelido de “a peste do mundo moderno”. Com isso ele declarava “guerra à modernidade“ e ajudou a debandada de cientistas e filósofos católicos e muitos intelectuais. Estava criado um ambiente em que a Igreja não era considerada nem escutada. Dali a uns anos, em 1950, o Vaticano não foi nem admitido a tomar parte na Convenção Europeia para os Direitos Humanos.  Essa crise do Papa atingiu o seu pique ao  convocar o Concílio Vaticano I em cujo encerramento tinha um propósito da proclamação da Infalibilidade papal. A história diz que não conseguiu a maioria dos Padres Conciliares, e teria resolvido o caso por meio de ameaças a uns e de privilégios a outros, fato que levou vários Padres conciliares a abandonar o Conclave.(Cf. H.Kung “A Igreja tem salvação”, Paulus, 166).

Já vimos que ele não aceitava as mudanças da modernidade que “eram a peste do mundo moderno”, e filosofias que defendiam a liberdade de religião e de consciência, como também as teorias que defendiam que o poder dos reis devia estar livre da tutela da Igreja, e os que defendiam a independência da razão, o liberalismo. Para nossa surpresa, hoje tudo isto faz parte da filosofia e da doutrina da Igreja, como confirmou mais à frente o Concílio Vaticano II (1960-64).

Para explicar fatos como estes, valemo-nos dos estudos dos psicólogos da religião. Estes psicólogos, como W.Allport, o fundador da psicologia da religião, e A.Vergote distinguem uma religiosidade “extrínseca” e uma religiosidade “intrínseca”. (A.Bello o.c.p.160). A religiosidade extrínseca diz respeito a uma necessidade de segurança, de conforto, de defesa. A religiosidade intrínseca reconhece que a fé é um valor que se traduz num empenho pelos outros e procura meios para fazer os outros e a sociedade crescerem para o objetivo maior que é o reino de Deus. A primeira olha para o seu reino, o seu umbigo; a segunda visa o reino de Deus, que é também o reino dos outros.

A religião intrínseca é alimentada por um processo de formação permanente capaz de conduzir à maturidade religiosa. A religião extrínseca parou no tempo. Acha que não há mais nada para aprender, que já sabe tudo. A religião intrínseca move-se naquela consciência própria do ser humano que sabe que nada está acabado, mas tudo por acabar, é a consciência darwuiniana do não acabado.

É por isso que Freud falava do infantilismo da religião, quando o ser humano só fabrica ilusões que governam a sua vida, como um plasma gravado na sua infância e que distorce as realidades da vida adulta. Esse plasma é uma camisa de forças que não deixa crescer. E depois dele, entre outros como Sartre e Nietzshe.

O que nos permite concluir desta situação é que a infantilidade da fé de muitos adultos é que provoca a incredulidade de muitos “ateus”. Ou seja, a religiosidade  do medo, do conforto e da defesa que não cresce. Que nunca chega a olhar o mundo e a própria fé com olhos de adulto. Seria como se um menino do Pré e do jardim de infância permanecesse assim no meio de adultos, doutores, cientistas, e professores ou gente com ensino médio, filosófico, e humanístico. No caso ele iria gritar que os outros estão todos errados e só ele está certo. Ou então se recolher e conviver só com seus parceiros do início da escolaridade e do tempo das fadas.

Conclusão. Falei que a Igreja teve seus problemas com os dogmas. Não será por isso que hoje em dia, como vem acontecendo depois do Concílio Vaticano II, a Igreja católica se tornou mais acolhedora e compreensiva e aberta às outras religiões? E não só, também para com os Sem fé, e sem religião? Na verdade, um princípio norteou os Padres do Concílio Vaticano II: de não publicar dogmas e nem excomunhões de jeito nenhum para nada e para ninguém.

P.Casimiro  João   smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

 

 

domingo, 2 de janeiro de 2022

Plantas e animais têm alma? O entendimento da essência “alma” desde Heráclito, Platão, Aristóteles e Paulo, e os modernos.

Chamamos essência ou substância aquilo que subsiste. Uma coisa é o que existe, outra o que subsiste. Na construção de uma casa as paredes existem; os alicerces subsistem. Se a casa cai, os alicerces não caiem porque subsistem, isto é, eles estão sub, por debaixo, segurando tudo. Os alicerces subsistem mesmo que a casa já não exista. Era assim que Heráclito (séc. VI a.C.) entendia a alma. “Por mais que você vá em busca dos confins da alma, você não os encontra, mesmo que percorresse todas as estradas, tão profundo é o sentido que ela tem” (Heráclito). Heráclito dizia ainda, que a alma está junto e além do corpo. Justo, como os alicerces estão junto e além das paredes numa presença de segurança. E assim no ser humano, a alma está junto e além do corpo numa presença que sustenta.

Aristóteles dizia: a alma é “aquele princípio cósmico, substancial, imaterial (Psiché). Este principio imaterial é também a alma das plantas e dos animais. Platão dizia dizia que no ser humano há um elemento corpóreo, e um elemento psíquico espiritual. Foi esta  visão de Platão que entrou na linguagem cristã. Porém Platão ainda deixou uma janela para outra dimensão pneumatológica do ser humano. O elemento pneuma, da raiz n, ou an, grega, da qual deriva propriamente a “alma”. De “an”, que passou para o latim e português, “anima”. São Tomás, ao princípio cósmico, substancial e imaterial de Aristóteles chamou-lhe principio vivente; e ao elemento espiritual metafísico de Platão chamou-lhe “alma”.

Recapitulando antes de prosseguir, dados histórico-filosóficos sobre o ser humano 1- Carne ou matéria corpórea; 2- Psiché princípio vivente imaterial presente nas plantas e animais (Aristóteles); 3- Alma, raiz grega, de an, principio vivente espiritual e racional do ser humano. (Platão, S.Tomás e S.Paulo). Nas Epistolas São Paulo fala em “espirito, alma e corpo”: “Que o Deus da paz vos torne perfeitos e irrepreensíveis em todo o vosso ser, espirito, alma e corpo, até a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”(1 Tes. 5,23).

Falei atrás no assombro de Heráclito sobre a alma. O mesmo assombro atinge também os cientistas sobre a extensão e a natureza do cosmo, o Universo. Para todo lado que eles apontam os telescópios é  um espaço sem fim. Só para termos uma ideia: a distância da Terra à estrela mais próxima, a Alfa-Centauro, é de 4,24 trilhões de anos-luz. Sabendo que um ano-luz é de 9,46 trilhões de quilômetros. E para a estrela Sirius bem conhecida, é de  8,58 trilhões de anos-luz. E à mais longínqua numa lista de 30 estrelas, a DEN, é de 16,20 trilhões anos-luz. Lembrando que o SOL está apenas a 149 milhões e 600 mil quilômetros, e a LUA a 384 mil e 400 quilômetros...

Considere ainda que a nossa galáxia do nosso sistema solar é composta por 200 bilhões de estrelas. E que há outras 200 bilhões de galáxias semelhantes à nossa, cada uma com também 200 bilhões de estrelas...

No entanto, o que era uma vertigem para Heráclito sobre a alma, a vertigem dos cientistas apontando com os seus telescópios se transformou numa certeza e numa definição plástica pela inteligência de Galileu Galilei (1.564-1.647), pai da ciência moderna, o pai também do primeiro telescópio. Galileu definiu: A Natureza é a escrita em “caracteres matemáticos” por meio dos quais é possível ler os seus movimentos e estabelecer as suas leis” (Galileu).

A Natureza é uma escrita em andamento. Os astros se distinguem pelo seu movimento. Assim paralelamente, a alma é uma essência em movimento, e como os cientistas astrofísicos estudam a natureza, assim  os psicólogos estudam a alma que é movimento. E tem a ciência da Psicologia, da Fenomenologia, da psicopatologia e parapsicologia.

Convido ainda você a entrar comigo no êxtase da alma e da Natureza. Como é do conhecimento evolutivo, as galáxias e todo o Universo estão numa expansão que não terminou porque sempre está ainda em movimento desde o primeiro Big-bang, há 15 bilhões de anos. O sol vem daí, todas as galáxias vêm daí, os seus bilhões de estrelas vêm daí, e a nossa galáxia e o nosso Sol e a nossa Terra e a nossa Lua vêm daí.  E, referente a nós, cada um de nós, eu e você somos uma fagulha de estrelas, no dizer do cientista Carl Sagan. Será brincadeira? Vejamos a intuição sobre isso que já vem desde Heráclito e a cultura grega e uru e povos afins, sobre a essência da alma. Heráclito dizia que o ser humano provém da energia vital primordial. Aristóteles e Platão diziam que é um princípio cósmico. São Tomás um princípio metafísico. A Psiché de Aristóteles e “An” de Tales de Mileto são tanto “sopro cósmico” como energia da “água primordial”. Comparemos todas essas intuições com a comprovada ciência moderna do Big-Bang, e com a faísca ou fagulha das estrelas, que nós somos, de Carl Sagan.

Heráclito dizia que o ser humano provém da energia vital primordial. Essa palavra “Psiché” é da linguagem grega-indo-uru que significa “sopro cósmico”. Daí energia vital. Uniram com outra raiz de outra palavra “An”, do sânscrito, língua vizinha, que significa “respiro”, donde veio a palavra grega “Anemos” , vento. Ambas mostram que o ser humano provém exatamente da energia vital primordial. A “Psiché”, de “Apsu”, também indica “aquilo que se origina da água primordial. Outro sábio grego, Tales de Mileto também afirmava que a origem de todas as coisas é a água. Então na origem primordial vital está o “sopro cósmico”,o vento e a água. Nada melhor para uma aproximação com o acontecimento do Big-Bang.

Voltando ainda à evolução do ser humano que se daria há 20 bilhões de anos atrás, fixemo-nos na teoria de Aristóteles que dizia que os animais e plantas têm uma alma que é um princípio vivente e imaterial distinto da matéria. São Tomás adotou essa teoria para a evolução do ser humano desde o embrião. Começa com a matéria, torna-se um princípio vivente imaterial vegetativo tipo planta e animal,  até chegar ao princípio racional, i.é até ser considerado ser humano. Para São Tomás é esse o histórico do desenvolvimento do embrião humano. (Cf. blog www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br 8/11/20).

Em segundo lugar os ginecologistas afirmam que todos os fetos começam tendo uma cauda. Essa cauda é absorvida pela matéria corpórea no útero entre as 4 e 8 semanas depois da gestação. Há 40 casos no mundo em que bebês nasceram com essa cauda porque a matéria corpórea não conseguiu absorvê-la. O último caso comprovado foi no Brasil, em Fortaleza, no Hospital Albert Sabin, no dia 6/11/21. A cauda vinha com 12 cm de comprimento e uma bola na ponta de 4 cm.

Conclusão: O cientista Carl Sagan se extasiou diante da explosão primordial. Heráclito com as dimensões da alma. Os gregos com a energia primordial constituinte da Psiché  e da “AN” que se transformou em anima no latim e português. Os psicólogos estudam os movimentos disso tudo. E Galileu definiu a Natureza como” uma escrita de caracteres em movimento”. E as últimas notícias vieram confirmar a anatomia e morfologia semelhante depois que, desde 20 bilhões de anos os espécimes que encaminharam a evolução do Homo sapiens começaram a ficar sem cauda.

Por outro lado as definições filosóficas dos filósofos clássicos foram o substrato para a filosofia e teologia sobre a evolução do embrião humano em S.Tomás, e depois dele a Escolástica dominicana e franciscana. E finalmente essas teorias, tanto as clássicas como as escolásticas adéquam com as conclusões científicas dos ginecologistas sobre o tema da “evolução” do homem, e a cauda do macaco. E atenção, o nosso DNA é 98% igual como dos Primatas. Até a conclusão citada de Carl Sagan de que galáxias, estrelas, plantas, macacos e homens“somos uma faísca das estrelas”.

    Não somos alma, nem somos corpo, somos um ser vivente-material-imaterial,-vegetativo-metafísico-cósmico-racional-Sopro das estrelas e Sopro das águas.

       P.Casimiro João

       www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

 

domingo, 26 de dezembro de 2021

“Emanuel”, antes de ser Emanuel era emanú, um grito de guerra, veja mais.

Antigamente, as guerras faziam parte da vida cotidiana dos povos, digamos, como hoje o futebol. E eram o esporte preferido e único dos reis, e seu passatempo. “No retorno do ano, na época em que os reis costumam fazer a guerra, Davi enviou Joab, e com ele a sua guarda e todo Israel e eles massacraram os amonitas” (II Sam.11,1)

 Para iniciar o ataque da guerra cada povo tinha o seu grito de avançar contra o inimigo. O grito de Israel era “emanú”. O comandante gritava “emanú”(que significava “quem conosco”? e os saldados respondiam .......................                                                 ‘El”, que significava: “Deus”. E isto por quê? É porque antes de Javé ser o Deus de Israel, o primeiro deus de Israel tinha sido “El”, ou “Elohin” no plural. Daí veio a palavra Emanuel. De um  grito de guerra passou a significar a presença de Deus no meio do povo.(Cf. www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br 4/3/18).

 Na época do primeiro Isaías, o rei Acaz estava acuado e ameaçado por dois reinos  e dois reis que iriam avançar contra ele: o reino do norte e o reino da Síria. O profeta então correu para dar-lhe conselhos e coragem. “Assim falou Javé: peça para você um sinal, quer seja na profundeza dos mares ou nas alturas do céu. Acaz respondeu, não vou pedir, e não tentarei a Javé. Respondeu Isaias: Pois saiba que Javé lhes dará um sinal: a jovem conceberá e dará à luz um filho e o chamará pelo nome de Emanuel” (Is. 7, 11-14).

 Na verdade, com essa história, o profeta mudou o nome de um filho do rei para Emanuel, que seria o mesmo nome das vitórias das guerras. Esse filho ainda estava no ventre da jovem grávida, esposa de Acaz. Foi o passo para fazer o paralelo para épocas futuras, quando apareceu o mensageiro do céu à mãe de Jesus, e que o filho Jesus seria o Emanuel que significa Deus conosco.

 O evangelho de Mateus foi buscar esta passagem para a origem de Jesus; “A origem de Jesus foi assim: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de viverem juntos aconteceu que ela concebeu pela virtude do Espirito Santo. José, seu esposo que era um homem justo, não querendo denunciá-la, resolveu deixar Maria em segredo. O anjo do Senhor apareceu-lhe em sonhos e lhe disse: José filho de Davi não temas receber Maria por tua esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Tudo isto aconteceu para se cumprir  o que o Senhor falou pelo profeta: eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, que se chamará Emanuel, que significa Deus conosco” (Mt.1,18-24).

 Na verdade, esse grito é a continuação do povo do Antigo Testamento que tudo atribuía a Deus na teocracia em que eles viviam. As vitórias vinham de Deus, e não dos homens, como falavam em suas orações dos Salmos: Não são carros e cavalos que dão a vitória ao rei”...(Sl.20,7). “Em vão vigiam as sentinelas se o Senhor não guardar a cidade”(Salmo 127,1).

Partindo desta narrativa, a Igreja tem visto nessa jovem grávida a virgem Maria, mãe de Jesus. E isso resultou nos nomes mais floreados com que se tem prestigiado e adornado o nome de Nossa Senhora: Nossa Senhora da Vitória, NªSªda Ajuda, do Amparo, do Socorro, Auxiliadora, da Boa Hora, da Boa Viagem, do Bom Conselho, do Bom Despacho, do Bom Sucesso, da Esperança, da Luz, da Consolação, dos Desamparados, Desatadora dos Nós, das Dores, da Piedade, da Estrela, Rainha, da Glória, N.S. da Glória, da Lampadosa, do Livramento, das Mercês, da Misericórdia, dos Navegantes, dos Remédios, da Saúde, sabendo que todas as nossas senhoras são a mesma Mãe de Deus, como canta o rei Roberto Carlos.

 E digamos, não foi só em vida que Jesus foi considerado o Emanuel, o Deus conosco, mas também na cruz e na morte. O grito abafado na cruz e escondido na morte fez-se ecoar quando Deus o ressuscitou. E, como frisa e evangelho, “segundo as escrituras”. Porque segundo as Escrituras, o grito da vitória de “Emanuel” já estava-lhe garantido.

 Lembremos que o Evangelho de Mateus é um evangelho de judeus cristãos. E foi nessa linha e nessa tradição teocrática que eles transmitiram essa teologia. Por isso ao nome de Jesus que quer dizer “Deus salva” foi também aplicado o nome de “Emanuel” pelos primeiros cristãos.

O Filho da Virgem Mãe será chamado Emanuel. Se no diálogo de Isaías com Acaz esse nome poderia lembrar apenas um grito de guerra, aqui devido à teologia do evangelho de Mateus ganhou um significado para o Messias. (Cf.www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br 16/03/2016)

(Cf. também P.Emanuel Cordeiro Costa – Cert.de Reg. de averb.na Fundação Biblioteca Nac.(EDA) N.527.761, Lv. 1002 fl.320).

P.Casimiro João   smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

 

sábado, 25 de dezembro de 2021

NATAL DOS MAIS NECESSITADOS


 Votos de um FELIZ NATAL para você e sua família.

Neste momento é importante ouvir a recomendação do Papa Francisco: "Olhe além das luzes e das decorações e lembre-se dos mais necessitados. Servir aos outros vale mais do que BUSCAR STATUS, VISIBILIDADE SOCIAL OU PASSAR A VIDA INTEIRA EM BUSCA DO SUCESSO. Não percamos de vista o céu, cuidando de Jesus agora acariciando-o nos necessitados , porque é neles que ele se fará presente. Cuidemos dos trabalhadores que eram os pastores na época do presépio" (Papa Francisco na Missa da Vigilia do Natal 2021)

domingo, 19 de dezembro de 2021

No céu todo dia nascem bilhões de estrelas, e na Terra milhões de crianças.


 

Hoje os alunos do Fundamental vão na Internet e aprendem que nosso Universo começou a existir cerca de quinze bilhões de anos atrás, e que nosso sistema solar se formou há cinco bilhões de anos. E ainda, que o nosso Sol é uma estrela de 2ª geração formada de fragmentos de outras estrelas de há cinco bilhões de anos.

E o mais notável de tudo isso é ser possível remontar o processo: os íons do cérebro dependem do alimento, o alimento depende dos fótons produzidos no centro do Sol, e o Sol resulta dessas explosões, quando estrelas explodiram. A bola de fogo primeva existiu durante bilhões de anos sem consciência introspectiva. Por isso só, essa estrela não podia se dar conta da própria beleza e do próprio brilho. Mas a estrela pode, por nosso intermédio, refletir sobre si mesma. Em certo sentido, você é essa estrela.

Não é pura poesia e nem imaginação. Se na realidade os íons dependem do alimento, e o alimento depende dos fótons produzidos no centro do Sol, e se o Sol resulta de explosões quando estrelas explodiram, então essa saraivada fotônica do início dos tempos provê de energia seu cérebro, vale dizer, o que você pensa e sente neste exato momento só é possível através do fogo cósmico. É por isso que você participa das estrelas, e do fogo das estrelas. É um pedacinho de estrelas.

É  por isso que as estrelas fazem parte da história e da inteligência dos seres humanos e das previsões futuras. A “estrela de Jacó” (Num.24,17), e a estrela de Belém (Mt.2,7) revelam como as estrelas fazem parte dos sonhos bons da humanidade.

A estrela, pelo seu caráter celeste é um símbolo do espírito, da luz e da sobrevivência futura. Nas culturas asiáticas, a estrela é um fragmento desprendido do Ovo cósmico. Entre os Astecas representa a alma dos mortos. No Islão é graças à estrela que a Káaba está situada exatamente no centro do céu. Na mística dos nórdicos da Europa aponta sempre a região luminosa onde mora a divindade, como uma janela do céu. (Dicionário Enciclopédico das religiões). Estrela de NATAL é assim uma mistura das profecias de Israel e das culturas universais. Mas não esqueça nunca a estrela que é você. Você é uma estrela.

Vamos falar mais de estrelas. O Universo que se originou há tantos bilhões de anos nesse sopro inicial que deu origem às estrelas e às galáxias ainda está em expansão. No céu todos os dias nascem bilhões de estrelas, e na Terra milhões de crianças. No interior das galáxias há os “berçários” de estrelas e haverá até o fim do mundo, se o mundo tiver fim. Para termos uma ideia, a nossa galáxia que chamamos VIA LÁCTEA tem 100 bilhões de estrelas. No Universo há 200 bilhões de galáxias, cada uma com mais de 100 bilhões de estrelas.

As estrelas são formadas no centro das galáxias, onde se forma uma densa camada de Hélio e Hidrogênio. Nos movimentos rotativos as grandes massas de hélio e hidrogênio se comprimem e se concentram. Os núcleos de hidrogênio se fundem e liberam uma energia de bilhões de graus. Quando um gás se contrai, ele esquenta, igual  quando se enche um pneu de bicicleta, a bomba esquenta. Com essa compressão se “acende” o combustível nuclear e inicia a queima do hidrogênio. Isso libera muita energia e nasce uma estrela. A partir daí o astro começa a “queimar o combustível” que o alimenta por toda sua vida. Isso é um reator solar formado de hidrogênio e hélio, que sustenta esse reator nuclear. Assim o Sol e o sistema solar se formaram desse jeito.

As distâncias entre as estrelas e galáxias são medidas em anos-luz. Um ano-luz é a distância percorrida pela luz num ano. E é de 9.46 trilhões de quilômetros. Imaginamos que para chegar da Terra ao Sol levaria 500 anos. Para a galáxia conhecida mais distante são 32 bilhões de anos-luz. A nosso Via Láctea produz uma nova estrela a cada 36 dias: quer dizer que o nosso Sol ganha uma estrela irmã a cada mês. Em outras galáxias maiores nascem estrelas a cada duas horas.

A nossa consciência e inteligência são fruto dessa energia. Um dia os íons e fótons do cérebro produziram uma sinapse ou fusão de energia no córtex cerebral que produziu a consciência, resultando num novo DNA humano, separado dos primatas. Nós temos 98% (noventa e oito por cento) do DNA dos primatas. Os primeiros hominídeos de há 25 milhões de anos já não tinham cauda. Hoje em dia as imagens do embrião humano mostram uma cauda de 4 cm que é absorvida antes das 4 a 8 semanas. No dia 06 de Novembro de 2021 nasceu uma criança em Fortaleza, Brasil, com 12 cm de cauda porque não foi absorvida nas primeiras oito semanas. Há 200 mil anos que o ser humano aprendeu a fala. E hoje ainda as crianças levam ano e meio para aprender a fala.

Há 4.400 milhões de anos que os primeiros hominídeos andavam de pé, pela análise dos ossos e da coluna. Eram os Austrolopitecos Afarenses, encontrados na Etiópia. Os primeiros animais apareceram há 500 milhões de anos. De lá até agora se chegou ao homem da era do 5G, da IA (inteligência artificial), e do homem robô e das viagens no espaço.

Conclusão. No céu todo dia nascem bilhões de estrelas, e na Terra milhões de crianças. E um dia nasceu uma Criança Estrela chamada Jesus..

P.Casimiro João      smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

domingo, 12 de dezembro de 2021

A cultura e o mito de que o sexo era só para reprodução, no Antigo Testamento, e está ainda numa grande porcentagem das mentes de hoje.


Partimos do princípio de que felicidade era viver muitos anos e ter muitos filhos. Assim diz o Deuteronômio: “Observa durante toda a vida as leis e mandamentos a fim de se prolongarem os teus dias; e te multipliques sempre mais na terra onde corre leite e mel”(Dt.6,2-3). Assim como quando dizem que Adão viveu 930 anos; Noé 950; Lameque 777; Enoque 365: Matusalém 969, significando que tinham atingido a felicidade das bênçãos divinas representada por uma multidão de anos e por uma multidão de filhos e filhas: “E geraram muitos filhos e filhas”(Gn.5,27). O Novo Testamento também copiou a mesma mentalidade nos seus escritos. Na verdade, nós temos três quartos do Antigo Testamento e um quarto do Novo Testamento na nossa leitura, na nossa cabeça, nos nossos membros e na nossa cultura e nas nossas missas. Os povos que lemos a Bíblia somos 2 bilhões, enquanto que os que não têm a Bíblia são 6 bilhões. Esses não têm os 3 quartos do A.T. e nem o “um quarto” do Novo
.
A cultura de ter muitos filhos e de se “multiplicarem” respingou também para o matrimônio, tanto na escrita dos evangelistas quando escreveram “Jesus disse”, como na doutrina da Igreja posterior. Os nossos avós também pensavam assim, quantos mais filhos melhor. E isso tinha um motivo, é que eram uma sociedade rural, e nas sociedades rurais era necessário ter mitos filhos para trabalhar na terra, porque era a única fonte de renda. As consequências eram que o matrimônio era só para a procriação e ter muitos filhos. E ajunte-se a isso a doutrina de Agostinho que a relação sexual era o princípio causador do pecado original, e por isso apenas permitida para a reprodução. (Cf. blog www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br 07/11/21). Outra consequência era a aversão e o preconceito contra a pílula e os anticoncepcionais. E também os preconceitos homofóbicos contra toda a espécie de LGBTs. Significa dizer: essas uniões que não têm reprodução seriam condenadas. Isto é continuar a pensar com a cabeça do Antigo Testamento e das sociedades rurais: “Cumpra os mandamentos para te multiplicares”. A bitola que eles seguiam era de duas linhas: cumprir os mandamentos e ter muitos filhos. Por outro lado, os estudiosos dizem que na cultura bíblica judaica não lhes interessava a felicidade futura. Era a felicidade presente: a casa cheia de filhos, era a riqueza da casa. De resto eles não diziam “é pecado”. Não. Eles diziam”os filhos são uma bênção”. Por isso o salmo 127 afirma: “A tua esposa será uma videira bem fecunda no coração da tua casa; os teus filhos serão rebentos de oliveira ao redor de tua mesa; assim será abençoado todo homem que teme o Senhor”(Sl.127). A cultura dos judeus era essa. A cultura da Idade Média era também essa. E porque queriam muitos filhos? Para trabalhar a terra. A cultura moderna é poucos filhos. Porquê? Porque estamos numa sociedade técnica e industrial, onde a prioridade não é mais a terra mas o estudo e a técnica. E a técnica irá trabalhar a terra. Isso é cultura, não fé. A cultura muda conforme as condições sócio-econômicas da vida humana. Por isso Deus tanto estava com os Judeus de muitos filhos, como com os nossos avós de muitos filhos, como com os chineses de um só filho, como com os casais de hoje com seus dois filhos, ou um, ou nenhum filho. E consequentemente, os governos têm a missão de organizar o estatuto das famílias e dos filhos, dependendo das estatísticas, estudo, educação, e meios de trabalho e de transporte ou doenças. Assim como têm a missão de organizar o estatuto social dos casamentos hetero ou homo, estatuto social e condições e direitos para os filhos. São questões da alçada dos governos e não da Igreja. Quando vemos eclesiásticos de vários credos querendo condenar certos fatos, eles não estão pisando o terreno que vivemos hoje, mas o terreno de há 3.000 anos atrás. Têm os pés no hoje, mas a cabeça no que já não existe mais. Conclusão. Quando lemos as exortações no Novo Testamento como aquela “os efeminados não entrarão no reino de Deus”(1 Cor.6,9) devemos lembrar que o autor estava pisando chão do Antigo Testamento. E com isso as conclusões ficam com você que tem uma cabeça para saber por onde deve caminhar. Nesta época em que em que robôs americanos, chineses e russos estão explorando o planeta Marte, e Sondas como a Voyager-1 e Voyager-2 andam explorando os espaços siderais, a 16 e a 22 bilhões de quilômetros da Terra, e em que o módulo Philae pousou no planeta Plutão e no cometa 67P. É a cabeça que conhece o caminho e não os pés. P.Casimiro João www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br