segunda-feira, 27 de junho de 2022

Freud e Nietzsch e o complexo de Édipo, o alerta de não banalizar o nome de Deus: o cidadão quando é manipulado pelo Estado pensa que é livre mas é escravo.


 

O mundo é feito de ondas, e como as águas do mar dificilmente se aquietam, assim a vida de nosso mundo tem seus ritmos. O século 19 assistiu a uma onda de ateísmo mantido pelo filósofo Nietzsche. Desde o século 20 até esta parte corre o risco de banalizar Deus. Analisaremos as causas dos dois movimentos.

A principal expressão do ateísmo vem da constatação histórica de que o ser humano ficaria alienado e diminuído na sua liberdade e na sua autonomia motivado pela fé em Deus, isto é, a fé em Deus estaria na contra mão do crescimento do ser humano; assim como os filhos não crescem se não se independenciarem dos pais. Este princípio foi colocado já por Freud recordando o complexo de Édipo, como explicaremos.

Outra constatação era a filosofia da educação, e o relacionamento de pais e filhos, e de cidadão e de Estado. Filho não cresce quando o pai é só autoritarismo e não deixa o filho pensar e crescer e agir por si mesmo. E o cidadão quando é manipulado pelo Estado. Pensa que é livre mas é escravo. O mesmo perigo pode ocorrer também na esfera da Igreja, de Deus e da fé. Em todas estas esferas pode ser anulado ou suprimido e diminuído na sua liberdade o ser humano.

É conhecido o enigma de Édipo, em que o filho, para crescer tinha que matar o pai para ficar com a mãe. Levada aos extremos a filosofia do crescimento é essa. Claro que isso virou um ícone e um símbolo, não se trata de morte física mas de se libertar de tutelas e amarras que não deixam crescer. Em vez de “matarem” a liberdade, a liberdade teria que matar as tutelas. Daí quo e filósofo Nietzsche fez a expressão da “morte de Deus”. E como toda a filosofia é uma raiz, originaram-se daí movimentos de ateísmo. E ninguém sabe se o verdadeiro Nietzsche era ateu. Por seu lado, o filósofo Karl Marx, constatando que a religião tradicional pregava que o ser humano não assumia a transformação das situações de dominação pelas classes altas que cresciam em riqueza devido à cada vez maior exploração dos pobres, inventou a expressão que a religião era “ópio do povo”: ‘sofram aqui, porque depois terão o paraíso”.

Estes movimentos levaram a Igreja a uma reflexão que ficou expressa no Concílio Vaticano II nestes termos: “Os crentes podem ter tido parte não pequena na gênese do ateísmo, na medida em que, pela negligência no crescimento da sua fé, ou por exposições falaciosas da doutrina, ou ainda pelas deficiências da sua vida religiosa, moral e social, se pode dizer que antes esconderam do que revelaram o autêntico rosto de Deus e da religião”(Vat.II. Gaudium et spes, n.19).

“Na verdade, a pregação de Deus feita por certos cristãos aliena os fiéis do compromisso social de transformação da realidade. Assim, pessoas socialmente engajadas abraçavam o ateísmo, pois não aceitam um Deus que possa estar ao lado dos dominadores. O ateísmo veio também do lado da psicologia ao interpretar a fé em Deus como neurose infantilizante de quem não assume a própria liberdade a autonomia e se escuda em Deus”(Libânio, Creio na Trindade, p.43). Após alguns tempos até agora, alguma reviravolta aconteceu. Como reação, nos últimos cinquenta anos surgiu outra onda. Se o movimento anterior carregava o risco do ateísmo, este segundo corre o risco de banalizar Deus. Tanto maior quanto no capitalismo avançado tudo é mercantilizado e assim Deus entra no imenso comércio como produto de oferta para consumo individual escurecendo-lhe a verdadeira natureza.

Certas formas de religião e de fé descompromissada apresentam Deus como consolador para satisfazer as necessidades individualistas momentâneas beirando a droga terapêutica. Deus se reduz a fonte de milagres e é lembrado e usado só para pedir cura para as doenças e “libertação do demônio”. É evidente que o demônio é uma grande desculpa furada para tirar a atenção das reais opressões dos reais demônios vivos que são as injustiças na sociedade. Por isso atinge-se nível de extrema comercialização e coisificação de Deus. Já vem do Antigo Testamento essa “coisificação” de Deus, quando os Israelitas transportavam a arca da aliança para vencerem as batalhas, o que nem mesmo dava certo, como não podia dar(1 Sam.4,3). Movimentos modernos não têm a arca hoje em dia, mas têm outros símbolos que são usados como amuletos.  

Conclusão. Os perigos humanos sobre Deus sempre foram bastantes: Tanto o Islão como o judeu e o cristão estão na linha de risco. Entre os árabes o seu Livro chamado  Corão, é considerado como a “encarnação” de Deus.Deus criou o mundo como um Livro, tendo a sua revelação descido sob a forma de livro” (F.Schou). E o judeu não está muito longe disso, assim como o cristão, “no princípio era o Verbo, e o Livro era Deus” (jo.1,1).  
Qual é o risco? O próprio livro e a própria leitura, e a audição dos que ouvem. Segundo o antigo adágio latino, “o que se recebe é recebido ao modo do recipiente”, quidquid recipitur, ad modum recipientis recipitur”. Como no Islão, quem sabe, também entre católicos e protestantes pode haver o perigo de considerar o Livro, a Bíblia, como “encarnação de Deus”, quando se considera cada palavra e histórias como ditas literalmente por Deus; não se estará muito longe dessa mesma ideia do Islão dos árabes.

P.Casimiro João

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segunda-feira, 20 de junho de 2022

Na nossa gramática machista até Deus é masculino. Não estará um curso um combinado desse conceito para avanços mais democráticos?




 

Na nossa gramática machista até Deus é masculino, porém, no dizer do teólogo Libanio, o conceito de Deus está sofrendo uma despatriarcalização por causa dos movimentos feministas.

Eles denunciam os preconceitos de muitos religiosos para as quais as leis divinas valem mais do que as dores do ser humano. E também são contra a instituição patriarcalista das culturas antigas, onde se dizia que “a mulher deve adaptar-se aos desejos do marido; ele a deve governar” (Plutarco, Moralia, 140B, cf W.Carter, Sobre o evangelho de Mateus, pg.119).

Por seu lado, a cultura semita que escreveu a Bíblia foi marcadamente androcêntrica, ou machista.
A teologia cristã seguinte, praticamente obra de homens, e quase sempre clérigos, reforçou esse androcentrismo ou machismo. A visão androcêntrica acabou marcando o conjunto da cultura ocidental, isto é, do continente europeu, influenciando a própria gramática.

Os movimentos feministas tomaram consciência deste fenômeno e o denunciaram como forma de opressão. E também denunciam que essa forma machista e androcêntrica de considerar o mundo e a criação é ingenuamente considerada como revelação, aliás é porque convém ao machismo. Isto porque as ciências modernas se deram conta da mútua relação que existe entre o poder e o saber. O poder faz o saber, e o saber rege o poder. Ora, o saber machista impôs poder também machista. E desse jeito os homens se arrogam todos os direitos sobre a mulher, desde a governança política, ao familiar e sexual. É tudo quanto é machismo governando o mundo, com raras exceções, nas instituições, nas Câmaras legislativas, nos Senados, até chegar aos vereadores. E assim se arrogam direito para salários diferenciados ainda que as mulheres trabalhem igual ou melhor. E também com direitos abusivos como as ideologias de controlar a mulher e até à petulância dos assédios.

Os movimentos feministas desmascaram esta situação. “E no momento em que a teologia começou a ser também trabalhada por mulheres, o conceito de Deus sofreu uma despatriarcalização, no dizer de teólogo Libânio, isto é, o desmonte do domínio patriarcal, considerado “divino”, em vez de cultural.(Cf. Libânio, João Batista, “Creio na Trindade” p.25). Hoje em dia tem teólogas como a brasileira Ivone Gebara, autora de mais de trinta livros sobre o assunto, e não só, que ajudam a expandir o entendimento da religião em favor dos mais necessitados, e em defesa da vida das mulheres contra o domínio machista na esfera social e nas Igrejas. Denunciam os preconceitos de muitos religiosos para os quais as leis valem mais do que as dores reais do ser humano.

Desde há dois séculos tem havido mulheres filósofas e sociólogas que têm estudado e têm produzido ideias renovadas para a modernização da sociedade, enumeremos algumas delas. Judith Buther (USA) e Simone de Beauvoir, francesa, defendem a tese de que o sexo nasce com o ser humano, o gênero não nasce com o ser humano; ela começou a teoria que faz a diferença ainda neste sentido: o sexo é biológico, o gênero é sociológico; o gênero é fluído e não binário, como veremos mais à frente no caso de Maria Quitéria, a primeira mulher soldado, nas guerras de independência do Brasil, que ficou conhecida como o “Soldado Medeiros”.

No Brasil há bastantes lutadoras históricas pelos direitos das mulheres: 1. Djamila Ribeiro é uma filósofa, feminista, escritora e acadêmica brasileira, negra. Concentrou a sua luta contra o status de opressão que é comum na sociedade patriarcal, nos seus três Livros: “Quem tem medo do feminismo negro”; “O que é lugar de fala” e “Pequeno Manual antirracista. 2. Celina Guimarães Viana, escritora e poetisa, e professora. Lutou pelos direitos de voto. Foi a primeira mulher a votar no Brasil, em 15/11/1890. 3- Nisia Floresta, Educadora, escritora e poetisa. Com o seu livro “Direitos das Mulheres e injustiças dos homens” foi a primeira a tratar dos direitos das mulheres à instrução e  aos postos de trabalho, em 1810. 4- Batha Lutz, bióloga, lutou e conseguiu que o voto das mulheres entrasse na Constituição brasileira, aprovada por Getúlio Vargas em 1932. 5- Mietta Santiago, advogada, foi a primeira deputada federal brasileira. 6- Carlota de Jesus, escritora e pedagoga, deputada federal por São Paulo, foi a única mulher a compor a Assembleia nacional constituinte em 1933. 7- Dandara, foi a esposa de Zumbi dos Palmares, e a maior colaboradora da criação do Quilombo dos Palmares; quando foi presa preferiu a morte a voltar de novo para a escravidão. 8- Laudelina Melo fundou o primeiro Sindicado das domésticas do Brasil em 1024. 9- Maria Quitéria, (1822): Foi a primeira mulher soldado do Brasil e vestiu-se de homem para lutar na independência do Brasil contra as tropas portuguesas, sendo conhecida como “Soldado Medeiros”. Os livros escritos sobre ela estão em bibliotecas da Austrália, e  três pintores a representaram, só um deles está no Museu de São Paulo, outros na Europa. É uma das patronas do Exército brasileiro. Sem falar em CORA CORALINA, feminista em uma época em que os direitos das mulheres era um assunto polêmico, e por isso muitas delas escreviam com pseudônimo masculino. Em 1907 fundou jornal A ROSA dirigido apenas por mulheres, e lutou pela criação de um partido feminino.

Conclusão. Quando o peso da história cai sobre gerações seguidas, influencia muito as cabeças. E quando este peso convém a uma parte da humanidade desiquilibra o pêndulo da igualdade. E ainda mais quando esse peso histórico vem vestido com uma suposta e falsa ideologia do sagrado.

Essa ideologia do sagrado para a grande maioria é ingênua e fruto da ignorância de cultura religiosa. E para outros é bandeira de conveniência de defender seu status, e “porque sempre foi assim”. Como vimos no inicio, mesmo nos bem intencionados reina uma tremenda confusão em distinguir entre religião e cultura. E também em saber que noventa e nove por cento dos religiosos não vivemos de religião, mas de cultura. Isso resulta numa incompreensão quando se pretende desmontar uma cultura, porque noventa e nove por cento ficam pensando que se desmonta a religião. Enquanto não.

P.Casimiro João    smbn

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terça-feira, 14 de junho de 2022

As trindades das antigas religiões e sua influência no dogma cristão (nova versão)

 

“Oh três senhores, dizei-me qual é a verdadeira divindade dos Três”, rezava o devoto à Tríade dos deuses da Índia. –“Ó devoto, aprendei que não há distinção real entre nós. O que lhe surge é somente a semelhança. O Único ser aparece sob as três formas pelos atos de Criação, Preservação e Destruição. Mas Ele é um só”. Esta era a crença e a oração na antiguidade da Índia à Tríade dos deuses Brahma, Vishnu e Shiva. São Jerônimo afirmava, no sec.IV da era cristã que quase todas as religiões da Antiguidade possuíam uma doutrina similar à trindade. “Todas as nações antigas acreditavam na trindade de deuses” (Marie Sinclair, em “Antigas Verdades sob Uma Nova Luz’, p.382). Por seu lado, os Sumérios e babilônios tinham a sua trindade, Anu, que regia o céu; Entil, que regia a terra; e Ea, que regia as Águas.

Entre os gregos, o filósofo Aristóteles dizia: “Todas as coisas são em três, e três vezes é tudo. E vamos usar este número na adoração dos deuses, pois tudo e todas as coisas são limitadas por três, o fim, o meio, e  o início têm este número em tudo, e este compõe o númeiro da trindade” (Arhur Weigall, Paganismo e nosso cristianismo, 1928, p.197).

Vejamos o Livro dos Provérbios na nossa Bíblia: “O Senhor me possuiu como primícias de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra” (Prov.8,22 ss). A “Sabedoria” foi primeiramente a deusa Astarte que entre os judeus fazia parte da corte dos deuses e era a esposa do deus de Israel antes de “fecharem” com o único deus Javé, depois do exílio da Babilônia. Após o exílio e com o domínio dos Asmoneus e Macabeus transferiram o apelido da deusa Astarte para “a Sabedoria”, para se verem livres da semelhança com os vizinhos de “vários deuses”.

Para a doutrina cristã da Trindade foram decisivos os concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381), onde o Espírito Santo ficou no posto de terceira pessoa da Santíssima Trindade. Antes desses concílios havia várias discussões a respeito da inclusão de Jesus Cristo na Trindade. Havia os Unitários que torciam pelo puro monoteísmo, segundo os quais era preciso não mexer na doutrina do Monoteismo. E havia os trinitários ou modalistas, que pensavam que podia haver três modos de Deus se manifestar. Seria assim como três “máscaras” semelhantes àquilo que usavam os atores gregos no Teatro para representarem personagens diferentes. Entre os gregos desta teoria se destacou Santo Atanásio. Ário, de outra maneira, defendia a teoria dos Unitários, segundo a qual o Filho, era uma pura criatura, a mais elevada das criaturas, mas assim mesmo criatura. Para resolver estes impasses foram convocados os concílios de Nicéia em 325, e Constantinopla em 381, ambos sob a autoridade do imperador Constantino, receoso que esta discussão poderia afetar a unidade do império. O imperador destituiu dos seus cargos Ário, e o mandou para o exílio e não espalhar mais suas ideias, e foi aceite a doutrina de Atanásio. Entre os latinos destacou-se também Santo Agostinho que propunha a teoria da predestinação. Deus já teria destinado uns para a salvação antes de Abraão e até antes de Adão, e por isso não havia a necessidade de um Filho de Deus se tornar Deus-e-homem para salvar os homens, uma vez que só-Deus-salva desde o princípio do mundo.

 As polêmicas não acabaram entre os pensamentos de gregos e latinos, e arianos, e foram vindo à tona em muitas ocasiões como nos concílios de Latrão IV em 1215; de Lião II em 1274; de Florença em 1431. Entre os modernos destaca-se Karl Barth no séc XIX e Moltman, que torciam pelo modalismo. Kalr Rahner aos modos de manifestação divina chamou substâncias, para substituir o termo grego de “máscara” traduzido para o termo latino de pessoa, dos concílios de Niceia e Constantinopla que definiram em Deus três pessoas numa única natureza divina.

Em 1995 o assunto voltou à baila no encontro do Patriarca Bartolomeu I de Constantinopla e João Paulo II, onde rezaram juntos, e onde no Credo comum o santo João Paulo II teria omitido a fórmula “Filioque”, i.é, que o Espirito Santo procede do “Pai e do Filho” e que tem sido o nó nevrálgico das polêmicas.

P.Casimiro João

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domingo, 12 de junho de 2022

As trindades das mitologias nas religiões da antiguidade.


 

“Oh três senhores, dizei-me qual é a verdadeira divindade dos Três”, rezava o devoto à Tríade dos deus da Índia. –“Ó devoto, aprendei que não há distinção real entre nós. O que lhe surge é somente a semelhança. O Único ser aparece sob as três  formas pelos atos de Criação, Preservação e Destruição. Mas Ele é um só”. Esta era a crença e a oração na antiguidade da Índia à Tríade dos deuses Brahma, Vishnu e Shiva. São Jerônimo afirmava, no sec.IV da era cristã que quase todas as religiões da Antiguidade possuíam uma doutrina similar à trindade. “Todas as nações antigas acreditavam na trindade de deuses” (Marie Sinclair, em “Antigas Verdades sob Uma Nova Luz’, p.382). Por seu lado, os Sumérios e babilônios tinham a sua trindade, Anu, que regia o céu; Entil, que regia a terra; e Ea, que regia as Águas.

Entre os gregos, o filósofo Aristóteles dizia: “Todas as coisas são em três, e três vezes é tudo. E vamos usar este número na adoração dos deuses, pois tudo e todas as coisas são limitadas por três, o fim, o meio, e  o início têm este número em tudo, e este compõe o númeiro da trindade” (Arhur Weigall, Paganismo e nosso cristianismo, 1928, p.197).

Vejamos o Livro dos Provérbios na nossa Bíblia: “O Senhor me possuiu como primícias de seus caminhos, antes de suas obras mais antigas; desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes das origens da terra” (Prov.8,22 ss). A “Sabedoria” foi primeiramente a deusa Astarte que entre os judeus fazia parte da corte dos deuses e era a esposa do deus de Israel antes de “fecharem” com o único deus Javé, depois do exílio da Babilônia. Após o exílio e com o domínio dos Asmoneus e Macabeus transferiram o apelido da deusa Astarte para “a Sabedoria”, para se verem livres da semelhança com os vizinhos de “vários deuses”.

Para a doutrina cristã da Trindade foram decisivos os concílios de Niceia (325) e Constantinopla (381), onde o Espírito Santo ficou no posto de terceira pessoa da Santíssima Trindade. As polêmicas não acabaram entre os pensamentos de gregos e latinos, e foram vindo à tona em muitas ocasiões como nos concílios de Latrão IV em 1215; de Lião II em 1274; de Florença em 1431. Em 1995 voltou à baila no encontro do Patriarca Bartolomeu I e João Paulo II, onde rezaram juntos, e onde no Credo comum o santo João Paulo II teria omitido a fórmula “Filioque”, i.é, que o Espirito Santo procede do “Pai e do Filho” e que tem sido o nó nevrálgico das polêmicas.

P.Casimiro João

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segunda-feira, 6 de junho de 2022

O mandamento universal – não faça aos outros o que não quer que façam a ti mesmo (Mt. 7,12).


 

É igual a: “amar o próximo como a si mesmo” (Mc.12,31); e “quem ama cumpriu toda a lei”(Rom.13,10). Paulo afirma que agora há as três virtudes, fé, esperança e amor, “Mas a maior delas é o amor”(1 Cor.13,13). Quer dizer que o amor vale mais do que a fé. Essa que é chamada a “regra de ouro” que vem expressa em todas as religiões da antiguidade, e por isso a Bíblia cristã a trouxe igualmente no Livro de Tobias: “Não faça para ninguém o que não gosta que façam para você”(Tob.4,15) e repetida no evangelho de Mateus: “Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós também a eles; esta é a lei e os profetas” (7,12).

Numa constatação pela historia, vemos que a tradição e a prática das Igrejas não tem sido essa, mas aquela de que a fé vale mais do que o amor. Por isso se matava, se queimava, se perseguia e se proibia de falar e de escrever, como na Inquisição e nas Cruzadas. Mas esta historia vem já do judaísmo: para impor a sua religião guerreavam com todo mundo. Porém, a mesma fé que formou e unia o povo judeu foi a mesma que acabou com o povo judeu 70 anos depois de Cristo.

 Logo em seguida continuou no Novo Testamento com o primeiro imperador Constantino condenando todo mundo que não se convertesse à nova religião do Estado que já era o cristianismo. Logo depois vieram as Cruzadas na Idade Média para combater o Islão. Em seguida a Inquisição e a caça às bruxas para matar e queimar quem não professasse a fé. Católicos matavam protestantes, e protestantes matavam católicos. Logo depois vieram as conquistas e as “colonizações” e os genocídios de populações dos novos continentes porque não eram do rei e da fé.

Por último, ainda ficou um saldo da Inquisição com a condenação de quem não tivesse as teologias da Idade Média, condenações como a do teólogo Leonardo Boff. Perseguições no Brasil de Leonardo Boff e da teóloga Ivone Gevara, que defendia os direitos das Mulheres. Houve as seguintes perseguições na América Latina: Gustavo Gutierrez, Ernesto Cardenal e Fernando Cardenal, e o bispo Dom Romero; e Jon Sobrino, que sobreviveu a uma chacina de seis jesuítas, igual o Frei Beto, brasileiro. Na Espanha: José Maria Castilho, Miguel d’Escoto, Edgard Parrares e Juan Afonso Estrada. Na França: Teilhard de Chardin, Dominique Chenu, Jacques Dupuis, Ives congar e Henri de Lubac. Na Alemanha: Karl Rahner, Edward Shillebeeckx e Bernhard Haring; Na Holanda: Hans Kung; Na América do Norte: Charles Curran e a teóloga Larina Byrne; Além de Marciano Vidal na Espanha, que junto com Bernhard Haring são os maiores moralistas do século 20.

Fazemos a seguinte observação: O Papa João Paulo II recebeu 15 visitas da CIA, no governo de Ronald Reagan, dos USA, pedindo informações políticas sobre a América do Sul para orientar o Card. Ratzinger e combater a teologia da libertação. Uma ocasião deixou de receber o bispo de El Salvador Dom Romero que fazia a caminhada com os pobres de El Salvador e o forçava a se submeter ao regime genocida do governo, até ser morto pelo regime dentro da catedral de El Salvador. Depois do assassinato do mesmo bispo o Vaticano reconheceu que promoveu uma campanha de difamação contra ele para não ser elevado às honras do altar, e não ser canonizado. (Cf. http://bit.lv/1xeiWi5).

Constatamos, porém, que nas cenas dos refugiados de guerras, e nas calamidades naturais, no atendimento a milhares de seres humanos ninguém pergunta qual é sua religião? E quando vêm técnicos de todas as Nações para socorrer terremotos, Tsunamis? Eles vêm de todas as nações e de todas as religiões...”Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei também a eles” Esta é a religião universal, onde o amor vale mais do que a fé, como dissemos. E já vimos que a fé pode matar, so o amor salva. A fé pode condenar, só o amor perdoa. A fé pode dividir, só amor une.

P.Casimiro João     smbn

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segunda-feira, 30 de maio de 2022

A canonização dos Santos e as pressas em algumas canonizações, herdeiras dos imperadores romanos.


 

Existem na Igreja tabus conciliares, surgidos após o Concílio Vaticano II e que ainda subsistem. Questões relativas à família e novas disposições para a nomeação dos bispos, reforma da Cúria dos cardeais e sobre o papado. Eram tabus no Concílio. Quanto ao controle da natalidade e métodos contraceptivos houve três intervenções sucessivas de eminentes cardeais, porém o debate foi logo abortado pelo Paulo VI, que sucedeu a João 23. Afinal o tema foi delegado a uma Comissão especial, que favorecia o debate, mas mesmo assim foi mais uma vez anulado pelo mesmo Paulo VI na encíclica “Humanae Vitae” de 1968, após o Concílio. No entanto, esta tentativa do Papa não teve êxito, desde o surgimento da pílula em 1960. E é sabido que milhões de mulheres católicas em todo mundo se utilizavam já desse método anticoncepcional. Aliás, a pílula foi inventada por dois cientistas católicos John Rock e Pasquale DeFelice. A bem da verdade, a referida Encíclica que proibia o controle da natalidade e como tal o uso da pílula mostrou o primeiro caso na história do século 20 em que a grande maioria do povo e do clero recusou-se a obedecê-la. (Cf H.Kung A Igreja tem salvação, pg.175 e 178).

É verificável que houve atividade e um propósito de frear o movimento conciliar assim como as reformas propostas pelo Concílio logo desde o Papa Paulo VI. Esta atitude de não aceitação do Concílio ainda aumentou com a chegada do Papa João Paulo II, atitude que alguns teólogos chamam de “traição ao Concílio” (o.c.p.180), que consiste num distanciamento da Igreja de tudo que tinha sido decidido nos documentos conciliares, o que por sua vez fazia distanciar da Igreja numerosos católicos de todo mundo.

E porque é tabu dizer a verdade na Igreja? Um dos tabus do reinado de João Paulo II foi um caso impactante como o seguinte: No México havia a Instituição dos “Legionários de Cristo” comandada pelo Padre Marçal Maciel. Esta congregação era super rica e milionária, tanto que fazia correr muito dinheiro para o Vaticano. Tanto como eles só outra semelhante, a “Opus Dei” também uma das preferidas do Papa. O padre Maciel era quem mais se opunha às orientações do Vaticano II. No entanto, convivia publicamente com duas mulheres de quem teve três filhos. E apesar disso era acobertado pelo Papa João Paulo II, pois eram muito amigos, de tal maneira que o P.Maciel foi o companheiro fiel e o organizador das Quatro viagens que João Paulo II fez ao México.

Quando João Paulo II faleceu, em 2005, foi visto um Cartaz de grupos dos “LEGIONÁRIOS DE CRISTO”, infiltrados na multidão, que muita gente chamava de “Milionários de Cristo”, os mesmo que o Papa poucos dias antes tinha abençoado e elogiado das janelas do Vaticano. Os cartazes pediam “SANTO SÚBITO”, isto é, a canonização rápida de João Paulo II.  E quando o Cardeal Ratzinger o sucedeu como Papa, teve logo o interesse em por em prática o slogan do Cartaz. Na verdade, esta pressa tinha como objetivo não dar chance a maiores dificuldades e objeções contra a canonização de João Paulo II. Como disse depois o  escritor alemão Michael Walsh: “Os Papas herdaram a tradição dos antigos imperadores romanos, que tratavam de endeusar os seus predecessores”.  E era essa a preocupação de Ratzinger. Por isso nem foram respeitados os prazos legais tanto para a beatificação como para a canonização. Inclusive, os médicos duvidam se  até a freira francesa que supostamente foi curada do mal de Parkinson se até mesmo ela esteve doente. (o.c.p.186-187).

Falando de tabus, falemos também sobre as canonizações de Santos. As canonizações começaram em 1.200 com Inocêncio III que chamou para si todos os procedimentos, e dos quais ele viu que poderiam retornar em fabulosos lucros para o Papado. Até lá eram os bispos que levavam seus amigos à honra do título de Santos. Honra que era mais ligada ao poder e à influência do que “dedo de Deus”, por isso que só concedida a nobres romanos e europeus influentes. Hoje em dia esses processos também dão muito dinheiro ao Vaticano. Dizia a freira que levou Santo Antônio de Santana Galvão aos altares: “Gastarei o que for preciso, mas levarei o Frei Galvão aos altares”. A este propósito, só para falar nos últimos Santos, detenhamo-nos no último Papa que fez mais “Santos” do que os outros Papas em 400 anos, João Paulo II: 1.380 beatificações e 538 canonizações. Algumas destas canonizações foram duvidosas, como os mortos na guerra civil da Espanha. Outra, a do Padre Pio, no qual as “chagas” ou “estigmas” foram consideradas “manipuladas”. Também a canonização do Pio IX tão reacionário aos tempos modernos, e com documentos que ficaram padrão de uma Igreja inimiga da ciência e da inteligência. Por seu lado, já como dito atrás, Bento XVI, na canonização de João Paulo II extrapolou todas as regras e espaços de tempo. Além de que protegeu o famoso Padre Marcial Maciel, “casado” com duas mulheres, e com a agravante de ser o organizador das suas Quatro viagens ao México. Eles guiavam-se por aquela pauta falada pelo historiador alemão Michael Walsh, como dito atrás: “Os Papas herdaram dos antigos imperadores romanos a tradição de eudeusar os seus predecessores”.

Falando de canonizações não será tabu falar sobre os gastos. As beatificações rendem na média de 35 mil Euros; As canonizações cerca de 55 mil Euros, cada processo. Imagine se entre os Países do 3º Mundo será possível nem pensar nessa aventura? Além disso há os lucros adicionais: Medalhas, imagens, Livros, Turismo, e Doações. Mas tudo isto será tabu com a mistura da proclamação da santidade dos Servos de Deus, que ficariam de queixo caído se eles soubessem disso.

Falando de Pio IX: “Declarou guerra à modernidade, e com a incentivação dos Livros do “Index” proibidos mundialmente manteve as inteligências mundiais no obscurantismo de rebanho imbecilizado e analfabeto” (Cf.H.Kung o.c.p.454). Eis alguns nomes de fama mundial que colocou no Index dos livros proibidos: Copérnico e Galileu, os pais da ciência moderna; Descartes, Pascal, Bayle e Malebranche, e Espinoza, s pais da filosofia moderna; Os filósofos Kant, Locke e Hume; Literatos como Diderot, D’Alembert com as suas Enciclopédias e o Dicionário Larousse; Hugo Grotius, teórico do Direito Internacional; Vitor Hugo, Lamartine e Balzac e Simone de Beauvoir, para falar nos principais. Imagine-se o cegueirismo ditatorial da Igreja católica dessa época causando um apagão cientifico da fé e das ciências (Cf. o.c.p. 139).

Sem falar épocas anteriores, em que Inocêncio III fez o seu casamento dentro do Vaticano. Vivendo em monumental luxo na busca desenfreada do prazer e em monumental devassidão colocaram nessa época as bases para o celibato do clero. Sisto IV colocou todos os seus sobrinhos com cargos no Vaticano, ele que tinha a ideia fixa do dogma da Imaculada Conceição de Maria. Alexandre VI com as amantes, e Inocêncio VII levou seus filhos também para o Vaticano (o.c.p. 125).

Conclusão. Um dado importante é que entre os candidatos à canonização, os leigos não têm vez. Nas pesquisas dos historiadores encontraram um Leigo por ano em média, no meio de centenas por ano de muitos outros.

P.Casimiro João        smbn

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domingo, 22 de maio de 2022

Quem não respeita o ser humano por causa da religião não é religioso. (Cf.Tg. 2,4).


 

Uma senhora de 60 anos, entrevistada num supermercado, atribuía as culpas de não ser alfabetizada ao seu velho pai que dizia “sempre foi assim, mulher não vai à escola, sempre foi assim.”

Quem sabe, por conta desse “sempre foi assim” há um grande país no mundo com 210 milhões de habitantes e tem 9 por cento de analfabetos, ou seja 13 milhões. É um país chamado Brasil. Ocupa o oitavo lugar no mundo do analfabetismo. Também não admira que tenha um ministro da educação que declarava há pouco publicamente que “pobre não pode ser doutor, isso é coisa de rico, e “sempre foi assim”. E, para adequar com esse objetivo foram inventadas manobras para diminuir o número de alunos nas universidades e alienar os jovens nas provas do ENEM, e das escolas. “Porque sempre foi assim”.

Um dia, entre as andanças pela Judeia, um homem diferente não tinha problema de se misturar com gente de má fama, e gente da rua, até para uma refeição. Os devotos e piedosos viam essa pessoa com maus olhos e o reprovavam porque estava infringindo as leis sociais antigas que proibiam essa promiscuidade. “Sempre foi assim, com a nossa separação, e o fulano extrapola”. Esse homem diferente atendia pelo nome de Jesus. E corria o boato que contava histórias como esta: o filho caçula de um rico fazendeiro saiu com a sua herança na bagagem, e viajou para a cidade grande, até gastar o último centavo. Quando se viu em apuros voltou para casa, e foi bem recebido, como um príncipe. O irmão mais velho do moço deu uma bronca no pai, porque não cumpriu a lei do castigo para esses casos. É porque sempre foi assim, pai, você tem que castigar o caçula e não está cumprindo a nossa lei.

Na época do 1960, do século passado, a Igreja católica fez uma reflexão com o episcopado mundial, e entre os debates e nas conclusões, ficaram resoluções que promoviam algumas mudanças para o futuro, e o que podíamos chamar de “inovações”. Seria longo enumerá-las aqui. Essa reflexão foi longa, a mais longa de todos os concílios, de tal forma que entre as atividades e intervalos, levou quatro anos. Foi o concílio Vaticano II. Pensado e promovido pelo Papa João 23, hoje São João 23, e encerrado com o Papa São Paulo VI. Uma das inovações que são mais materializadas e imediatas foi largar o latim nas Liturgias, e começar com as línguas vernáculas. Outra, foi a postura do padre-celebrante que celebrava de costas para o povo, veja só...Está na cara que estas coisas são como nos jogos de futebol, em que o técnico fala sobre a postura durante o hino nacional e a camisa que vestem. A filosofia do jogo é mais inacessível. Assim a teologia resultante do Vaticano II ficou escondida e só quase na letra para grande porcentagem no mundo. Mesmo assim, passados que foram poucos anos, tomaram corpo reações tais como: assim não pode acontecer, como era é que está bem, sempre foi assim, porque agora vai ser de outra maneira?

Bispos, padres, etc. se apavoraram e tentaram de todos os jeitos voltar atrás. São como aquele irmão do caçula, os que olham só para o passado, para trás. Se você olha só para trás não vai caminhar nunca. Os críticos contam mesmo que um cardeal, após o concílio, teve saudades do passado, e algumas vezes celebrou a missa em latim como antes do concílio e de costas para a assembleia. E quem conta é o Hans Kung, que foi um dos consultores do concilio. Paulo VI, no encerramento do concilio se despojou da Tiara de três coroas (poder espiritual, poder de estado e poder sobre os imperadores), e a tal tiara reverteu em favor dos pobres de Roma. Quando esse eminente cardeal  ocupou a cadeira do Papado, procurou nos armários e baús do Vaticano outra semelhante para usá-la. Foi o cardeal Ratzinger (H.Kung, A Igreja tem salvação, p.253).

Na verdade, o Card. Ratzinger, depois Papa Bento 16, fez de tudo para ressuscitar a antiga liturgia de antes do concílio. Driblando o Concílio de todos os modos ele fez um Motu Proprio onde escreveu que se pode celebrar nas duas liturgias, a de Pio V (do ano de 1500) e do Vaticano II. Pôs todo o empenho em recomendar a antiga Liturgia em latim e de costas para o povo, assim como na administração dos sacramentos. Chegou até ao ponto de conceder que algum bispo pudesse formar uma paróquia pessoal onde se fizesse essa liturgia antiga. (Cf. Motu próprio, Bento 16, 7/7/2007). Os danos causados por semelhante atitude revertiam não só em prejuízo para a Liturgia mas recaíam também como em cascata contra a aceitação dos outros documentos do Vaticano II.

Isso é o símbolo de atitudes do “sempre foi assim”. Porém, é preciso renovação das mentalidades ao ritmo do Vaticano II. “Acolher à mesa”, “acolher na eucaristia, acolher nos casamentos, segundas núpcias, acolher os diferentes, acolher os homo, acolher os e as LGBTs. Atenção, o filho mais velho pensava que “sempre foi assim”. Igualmente tem acontecido. “Ah, mas a minha religião não permite. Cuidado, que antes da religião existe o ser humano. Quem não respeita o ser humano por causa da religião não é religioso. (Tg. 2,4). A religião pode atrapalhar o ser humano. Antes de religioso é um ser humano. Se alguém deixa de ser humano para ser religioso, não é ser humano e nem religioso.

CONCLUSÃO. Por causa da religião do “sempre foi assim’, escreveu o Dom Angélico Sândalo Bernadino, bispo de Blumenau: “Tivemos enorme dificuldade na preparação, na realização do Concílio, e no pós-concílio dentro da Igreja. Algumas chagas ainda sangram em consequência das mudanças, que muitas pessoas bem intencionadas não compreenderam, agarradas que estavam a certas tradições com “t” minúsculo, e certos costumes. Não conseguiram abraçar a voz do Espírito que gritava naquele momento tão importante da história”.

P.Casimiro João   smbn

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