Se direitos valem só para uma parte da humanidade essa parte legitimaria a injustiça e sancionaria a discriminação. Todos são iguais perante a Lei” diz o art. 5 da Constituição do Brasil, e o primeiro da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Onde é que um pobre pode ter acesso à Universidade? A um bom hospital? A concorrer a um cargo público? Não é igual perante a Lei? Quem trabalha tem direito a salário. Porém um agricultor e um profissional mecânico e um deputado qual deles trabalha mais? E porquê salário tão desigual? Há dez anos atrás, em 35 países analisados, o Brasil ocupava o último lugar do salário de professor, sendo que a China ocupava o primeiro lugar onde se paga melhor os professores. Daí que aquele direito igual perante a lei virou assim “todos os ricos são iguais perante a lei. E: “todos os “políticos são iguais” perante a lei. E tem muitos que não trabalham nada. E ainda assim: “Todos os pobres são iguais perante a lei. Iguais para sofrer, para não ter direito de ter direitos. Agora tem direitos que valem para uma parte da humanidade, sim: o direito do comprar as leis, o direito de explorar o outro e não ter cadeia, o direito de ter muitos salários, o direito de ter os filhos numa baita de Escola e Universidade. E assim uma parte da humanidade legitimaria a injustiça e a desigualdade. Só essa parte tem dinheiro para comprar e vender. Comprar advogados, soltura, habeas-corpus, comprar pobre por dinheiro para calar a boca diante do poder e comprar o voto do pobre para subir na eleição. E a desigualdade está legitimada perante a lei, porque o pobre não tem dinheiro e o dinheiro dá poder. E o direito de não ter poder também fica legitimado como fica legitimado o direito de ganhar pouco dinheiro porque não estuda. E o direito de defesa também fica legitimado porque não tem dinheiro. E o direito de prisão especial também fica legitimado porque o estudo superior dá direito a cela especial. E o direito de recorrer da sentença também está legitimado porque o pobre não tem dinheiro para recorrer e acabam os recursos. E as segundas e terceiras e quartas instâncias também ficam legitimadas para quem tem uma baita fortuna. E o direito de recorrer em liberdade para quem tem uma baita fila de advogados. E o direito de cumprir uma parte da pena para quem pagou uma baita multa. E essa parte da humanidade sanciona a discriminação. Discriminação de ter os filhos numas baitas Escolas e Universidades. Discriminação de conseguir uns baitas empregos e cargos públicos. Discriminação de driblar juízes, cartórios e documentos para facilitar documentos e compras de amazônicas terras e propriedades. Discriminação de viver em palácios brilhosos ao lado de famílias de trabalhadores que trabalham o dia todo para salários que não pagam o aluguel do barraco. Discriminação de planos de saúde para tudo, ao lado de quem morre nas filas do abandono. Neste ano se comemoram trinta anos da Constituição do Brasil e setenta anos da DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Porém agindo assim fica claro que: se direitos valem só para uma parte da humanidade, essa parte legitimaria a injustiça e sancionaria a discriminação. Daí que no poder das ditaduras Deus foi coisificado como legitimação da ordem estabelecida e como inimigo de toda mudança, libertação e emancipação.
P.Casimiro João
smbn
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