Ainda que seus concidadãos ficassem admirados e escandalizados, porque ele não assumia e até rejeitava os atributos de messias, Jesus ia em frente. “E ficavam escandalizados por causa dele” (Mc. 6, 3). Como Paulo também Jesus podia dizer” quando me assumo fraco é então que sou forte” (2.Cor. 12, 10). “Porque aos filhos de cabeça dura e coração de pedra dirás: assim diz o Senhor Deus, quer te escutem quer não, pois são um bando de rebeldes, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”(Ez. 2,4-5).
Os conterrâneos de Jesus esperavam
ver nele os títulos e prerrogativas de um Messias. No entanto, nesses momentos
de sua vida, como durante o silêncio ao pender da cruz corresponde a lógica da
decisão de recusa de todo messianismo de força e de poder. Por isso a
consequência de vida radical do serviço à justiça e ao amor em favor dos pobres
e marginalizados levou Jesus à decisão de enfrentar a morte na cruz. No meio de
um mundo mau, todo esforço em prol da justiça e do amor significa risco de
vida.
Para Jesus, a causa de Deus –o reino
de Deus enquanto salvação do ser humano- era maior que a importância de sua
vida .
Na verdade, não foi Deus, para quem,
de acordo com Lv. 18, 21 os sacrifícios humanos são um horror, que levou
Jesus à cruz, foi a ação dos homens.
E por isso, não obstante a ameaça de
morte Jesus permaneceu fiel à sua mensagem, e se despediu dos seus em banquete
festivo, a Ceia. Por isso, ultimamente os teólogos
são levados a pensar e ensinar que a morte de Jesus teve um aspecto
político. Como diz Edwuard Schillebekkx: “a frase sob Pôncio Pilatos do
símbolo cristão envolve além de tudo o que possa significar teologicamente a
morte de cruz, um aspecto político”(História humana – revelação de Deus, p.
160).
Na realidade, Jesus envia seus
discípulos não apenas para comunicar sua mensagem do perdão dos pecados e a
vida eterna, mas também com a tarefa de tornar de novo sãs e curadas as
pessoas. O reino de Deus implica perdão dos pecados, mas é mais. Jesus toma
partido por pessoas que não têm defensores, mas acusadores que, apelando para a
lei e dedurando-as, as reduzem à marginalidade, impedindo-lhes que possam até
dar um passo em frente” (id). Pense no aleijado da piscina de Betesda (Jo.5, 7)
Quando Jesus em sua vida e opções
mudou a perspectiva de olhar o reino de Deus não só em direção a Deus, ao
templo e aos ritos da circuncisão, foi quando “colocou pimenta nos olhos dessa
gente”: a observância concreta do sábado cai diante do valor de pessoas
pobres, acusadas e marginalizadas.

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