segunda-feira, 24 de agosto de 2026

MORTE E POLÍTICA EM JESUS



 O reino de Deus  era o absoluto, e todas as outras coisas eram relativas.

Ainda que seus concidadãos ficassem admirados e escandalizados, porque ele não assumia e até rejeitava os atributos de messias, Jesus ia em frente. “E ficavam escandalizados por causa dele” (Mc. 6, 3). Como Paulo também Jesus podia dizer” quando me assumo fraco é então que sou forte” (2.Cor. 12, 10). “Porque aos filhos de cabeça dura e coração de pedra dirás: assim diz o Senhor Deus, quer te escutem quer não, pois são um bando de rebeldes, ficarão sabendo que houve entre eles um profeta”(Ez. 2,4-5).

Os conterrâneos de Jesus esperavam ver nele os títulos e prerrogativas de um Messias. No entanto, nesses momentos de sua vida, como durante o silêncio ao pender da cruz corresponde a lógica da decisão de recusa de todo messianismo de força e de poder. Por isso a consequência de vida radical do serviço à justiça e ao amor em favor dos pobres e marginalizados levou Jesus à decisão de enfrentar a morte na cruz. No meio de um mundo mau, todo esforço em prol da justiça e do amor significa risco de vida.

Para Jesus, a causa de Deus –o reino de Deus enquanto salvação do ser humano- era maior que a importância de sua vida .

Na verdade, não foi Deus, para quem, de acordo com Lv. 18, 21  os sacrifícios humanos são um horror, que levou Jesus à cruz, foi a ação dos homens.

E por isso, não obstante a ameaça de morte Jesus permaneceu fiel à sua mensagem, e se despediu dos seus em banquete festivo, a Ceia. Por isso, ultimamente os teólogos são levados a pensar e ensinar que a morte de Jesus teve um aspecto político. Como diz Edwuard Schillebekkx: “a frase sob Pôncio Pilatos do símbolo cristão envolve além de tudo o que possa significar teologicamente a morte de cruz, um aspecto político”(História humana – revelação de Deus, p. 160).

 

Na realidade, Jesus envia seus discípulos não apenas para comunicar sua mensagem do perdão dos pecados e a vida eterna, mas também com a tarefa de tornar de novo sãs e curadas as pessoas. O reino de Deus implica perdão dos pecados, mas é mais. Jesus toma partido por pessoas que não têm defensores, mas acusadores que, apelando para a lei e dedurando-as, as reduzem à marginalidade, impedindo-lhes que possam até dar um passo em frente” (id). Pense no aleijado da piscina de Betesda (Jo.5, 7)

 

Quando Jesus em sua vida e opções mudou a perspectiva de olhar o reino de Deus não só em direção a Deus, ao templo e aos ritos da circuncisão, foi quando “colocou pimenta nos olhos dessa gente”: a observância  concreta do sábado cai diante do valor de pessoas pobres, acusadas e marginalizadas.

 

Nenhum comentário: