segunda-feira, 15 de abril de 2024

TEOLOGIA BÍBLICA, HISTÓRIAS “DE TRANCOSO” DO BRASIL E DA PALESTINA


 

Tem histórias para divertir no segundo Livro dos Reis, nos primeiros 13 capítulos, que mais parecem um tipo de aperitivo para depois os avós resumirem bem resumidas para os netos as histórias dos reis de Israel e de Judá. Eis como começa: 1- Um certo Ocozias deu uma quebradeira e mandou consultar os deuses, quando um tal profeta Elias o enganou dizendo que ele iria morrer. Ocozias mandou um oficial com 50 soldados buscar o profeta para matá-lo, mas Elias mandou um raio do céu cair sobre ele e queimou o oficial e os 50 soldados. Ocozias mandou segunda vez outro oficial e 50 sodados, e de novo outro raio caiu sobre eles e queimou o oficial e os seus 50 soldados. Ainda o rei mandou pela terceira dois oficiais com 50 soldados cada um, e pela terceira vez outro raio queimou os dois oficiais e os 50 soldados de cada um (2 R.1,1-18). No seguinte capítulo, depois de Elias subir ao céu num redemoinho e num carro de fogo, o discípulo Eliseu conseguiu ficar com o manto do mestre, e precisava passar para o outro lado do rio Jordão. Então pegou o manto de Elias e voltou para a margem do rio. Segurando o manto de Elias bateu com ele na água, que se dividiu em duas partes e ele atravessou o rio. (2 R. 2,11-15). Dali Eliseu foi para Betel. “Enquanto subia pelo caminho, um bando de garotos que tinham saído da cidade começaram a zombar dele gritando: “Suba careca! suba careca! Eliseu voltou-se, olhou para eles e os amaldiçoou em nome de Javé. Então duas ursas saíram do bosque e despedaçaram os quarenta e dois garotos” (2R.2,23-25). Em sequência, um dia três reis iam lutar contra o rei de Moab. E dirigiram-se ao profeta Eliseu, porque entraram num deserto depois de caminhar sete dias e faltou água. Ele mandou que cavassem bastantes poços: “cavem diversos poços nesse vale, pois vocês não verão vento nem chuva, mas este vale ficará cheio de água e vocês poderão beber com seus exércitos e animais” (2R.3, 9-20). Daquele lugar eles entraram no território de Moab e o arrasaram, “destruíram a cidade e cada um atirou  pedras nos melhores campos até os cobrir, fecharam todas as fontes e cortaram todas as árvores frutíferas diante do riso dos atiradores de pedras. Então o rei Moab pegou seu filho primogênito que lhe sucederia no trono e o ofereceu em holocausto sobre a muralha” (2R. 3,24-27). 2- Os irmãos profetas disseram a Eliseu: “Como você pode perceber, o lugar onde estamos é muito pequeno, vamos até o rio Jordão, e cada um nós pegará um tronco para construir ai uma casa. Eliseu disse, podem ir. E Eliseu foi com eles. Chegando ao rio Jordão começaram a cortar madeira. Um dos irmãos estava cortando um tronco e o machado caiu na água. Então ele gritou, mestre, o machado era emprestado. Eliseu correu ao lugar onde o machado tinha caído, cortou um galho de árvore, jogou na água, e o machado subiu e veio parar na mão do rapaz” (2R. 6,1-8). Noutro dia Aram, rei de Moab preparou-se para fazer guerra contra Israel, mas Eliseu soube e avisou as tropas de Israel. Aram soube que estavam sabotando a guerra. Um general disse: “Não somos nós, é o Eliseu. Aí mandou os seus soldados cercar a casa de Eliseu. Quando eles estavam chegando, Eliseu pediu a Javé para cegar os olhos deles, e disse, espere Deus até que eu chegue. Então o próprio Eliseu se juntou a eles, levando-os por outro caminho, onde os soldados de Israel aguardavam para acabar com eles” (2R.6,18-21).  Outra vez o rei de Aram, Ben-Adab cercou com seus soldados a cidade da Samaria. Então houve uma grande fome na Samaria. O rei de Israel estava passando pela muralha, e uma mulher gritou para ele: “Socorro senhor meu rei. Ele respondeu: Se Javé não socorre você, onde vou achar auxílio para você? Então ela falou pro rei: Traga o seu filho para aqui o comermos hoje, e amanhã comeremos o meu. Nós cozinharemos o meu filho e o comeremos. No dia seguinte o rei disse a ela: Agora entregue o seu filho para nós o comermos. Mas ela escondeu o filho dela” (2R.6, 24-32).

4- O rei Acab tinha 70 filhos. O rei de Israel mandou uma carta aos chefes da cidade pra cortar as cabeças dos 70 filhos do rei. E eles colocaram as cabeças em sacos. Jeú disse: “Façam com as cabeças dois montes e coloquem na entrada, junto à porta da cidade e deixem lá até amanhã de manhã. Jeú foi para s Samaria. No caminho encontrou parentes do rei. Jeú ordenou: “Prendam todos esses homens. Eles foram presos vivos e depois foram degolados no poço da cidade”.(2R.10, 1-9). 5- Último episódio da saga de Eliseu: ”Eliseu morreu e foi enterrado. Todos os anos, bandidos moabitas faziam incursões no país. Certa vez, alguns homens que estavam enterrando um morto avistaram um desses bandidos. Eles o mataram, Jogaram o corpo dentro do túmulo de Eliseu e foram  embora. Aconteceu que o corpo, tocando os ossos de Eliseu, reviveu e se colocou de pé”(2R.13, 20-22). Sem mais noticias sobre Eliseu assim encerra esta série “de trancoso”. O restante do livro, após este aperitivo, resume a vida dos reis, terminando sempre: “O resto da história vem escrito nos anais dos reis de Judá”.

Quer divertir-se “biblicamente” lendo com espirito de humor desimpedido de preconceitos, arrume um tempinho livre e vá degustando algum aperitivo de azeitonas com salame e queijo ou amendoim com batatas fritas e iscas de frango empanado, sozinho ou acompanhado, lendo estes primeiros capitulos do II livro dos Reis e compare com histórias “de trancoso” que os avós contavam para os netos como introdução a umas historinhas leves do resumo das guerras dos reis de Israel e de Judá. Você decidirá.

Conclusão. Compare com o conto moderno do “Pequeno príncipe”, de Saint Exupery, uma “história de trancoso”, que no evangelho poderia se chamar de “parábola”, cujo enredo consta do autor que se perdeu no deserto e foi guiado por uma estrela que se transformou no “pequeno príncipe” que o encaminhou para as águas do deserto. Contos “de trancoso” são contos de uma tradição oral que são transmitidos de geração em geração, pertencentes a uma cultura oral para diversão. O nome vem do popular contista Gonçalves Fernandes Trancoso que escreveu o livro “Contos e histórias de proveito e exemplo” em 1.577 e teve mais de 10 edições até os nossos dias.

P.Casimiro João       smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

Nenhum comentário: