segunda-feira, 6 de julho de 2026

A PECAMINOSIDADE SEMPRE CONSIDERADA PARA OS FIÉIS, NUNCA PARA A “HIERARQUIA”.


 

A autoridade é sempre considerada como como sem culpa, e os fiéis considerados sempre como culpados. Em  outra nossa publicação dissemos que Cristo não quis para si o título de “rei”. E hoje em dia os reis acabaram praticamente no mundo Os povos não quiseram mais os reis. Porém, tempos atrás, acabou o império romano, e a Igreja definitivamente ocupou o lugar dele. Aí nasceu a Igreja feita pirâmide: Papa, bispos, padres, leigos. E na sociedade civil: Clero, nobreza e povo, como era classificada em toda a Idade Média. A missão do Espirito Santo era só de fazer os fiéis acatarem e aceitarem na obediência o que decidiam e programavam os que estavam no topo da pirâmide.

Historicamente a “infalibilidade” do Papa não vem desde o nascimento da Igreja, mas vem a colegialidade, como se vê no primeiro concílio de Jerusalém onde as decisões saíram da colegialidade (At. 15). Hoje em dia isso tende a ser revisto cada vez mais, para deixar essa forma de uma Igreja abusiva usando essa plataforma como bengala de poder. Vimos ainda que os povos pagãos simpatizavam com  o nome de “rei” dado a Jesus. E de rei passava logo a imperador, ganhando o conceito de “império supremo de Cristo” sobre o mundo inteiro. Já se vê que respaldo daria essa ideologia a uma pessoa que se considerasse na terra o “representante” desse império, o Papa. Nada mais nada menos de que dar continuidade aos velhos sonhos de Israel de dominar o mundo com seu messianismo com a vinda do “reino” do filho de Davi e do sonho do velho Daniel (Dan cap.7), manifestado naquele pedido dos apóstolos:  “Senhor, é agora que vais restaurar o “reino” de Israel”? (At. 1,6).

Na época de Pio X e com a herança de toda a Idade Média fortaleceu-se a ideia da configuração da Igreja de Jesus como esse reinado vindo e nascido diretamente de Jesus sem que nada pudesse ser mudado e mexido nunca mais. Era a “infalibilidade” papal que estava em jogo. Porém, no concílio Vaticano II já começou sendo admitido  que a tão proclamada infalibilidade só pode ser assim conceituada  dentro de um consenso colegial. Neste setor temos que reconhecer que após século e meio de resistência às aquisições das liberdades oficiais do cidadão e do cristão vieram os textos do mesmo Vaticano II sobre a liberdade de consciência, liberdade religiosa, e direitos humanos que a muito custo foram sendo aceitos pela Igreja oficial. Na verdade até esta data, para a hierarquia eclesiástica o homem novo moderno que evoluía nestes conceitos de liberdade e emancipação e compreensão era tachado de “o homem velho” pecador e desobediente. Tudo que tinha o gosto de “moderno” era suspeito para a Igreja e considerado “tabu”. O conc. Vaticano II corrigiu a imagem anterior da Igreja para uma Igreja mais aberta. O Papa São João XXIII anunciou uma Igreja mais aberta mesmo e uma reforma mais ampla do Direito Canônico como frutos do Concílio que ele anunciou.  E dizem os entendidos que a edição que foi feita do Direito canônico não correspondeu às intenções fundamentais do mesmo Vaticano II, invertendo  o valor dos conceitos institucionais e dando mais valor à instituição do que à nova definição de Igreja como “povo de Deus” onde se realça a igualdade e liberdade dos fiéis leigos e os fiéis com outros títulos no mesmo serviço da Igreja. Vale dizer, na Igreja não tem títulos que separam, mas serviços que igualam na nova Igreja do Vaticano.

 

Nesta linha de compreensão fica corrigida a noção de pirâmide tradicional segundo a qual o pecado estava sempre do lado dos fiéis, e nunca do lado da hierarquia: a hierarquia como tendo sempre razão e humilhando sempre os fiéis, que sempre só “desobedeciam” e sempre eram pecadores. Vale dizer, o conflito era resolvido em favor da posição mais forte, e chamava-se a isto o pecado de base. Como consequência psicológica surgiam sobretudo sentimentos de decepção, de resistência e até de aversão. E afastamento de muito fiéis da Igreja. Só muitos séculos mais tarde é que veio um ou outro Papa pedir um perdão que já todo mundo não atendia e podia até ser considerado fora de época.

 

Na verdade, tantas vezes a hierarquia praticou uma política eclesiástica e não evangélica e teológica quando não queria nenhum diálogo com os que lhe eram incômodos, e no entanto formam parte da mesma Igreja que ela diz que é mistério de que todos participam. No entanto, estava ofendendo companheiros e não adversários. Pois na Igreja não há nenhuma relação de senhor e servo.

Resumindo: a pecaminosidade foi sempre considerada para os fiéis, nunca para a hierarquia; A autoridade considerada sempre como sem culpa. E os fiéis considerados sempre  como culpados.

P.Casimiro João         smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

 

 


Nenhum comentário: