segunda-feira, 13 de julho de 2026

EVANGELISMO SUL AMERICANO, ANÁLISE EM PRATOS LIMPOS


 

Na época da Guerra Fria, o Estado norte-americano viu a Teologia da Libertação e a Igreja Católica como problema geopolítico, isto é, como problema para o império norte americano de base protestante querendo dar uma cor mais parecida com o protestantismo deles lá. O caminho mais curto seria exportar para a América do Sul a sua vertente neopentecostal. E começaram uma campanha enviando pastores muito bem pagos com seus $dólares para fundarem templos e mais templos em cada canto e esquina. E em maior escala incentivando-os a se infiltrarem na política, de tal maneira que não custou a infestarem o Congresso com deputados e senadores frutos dos $dólares americanos, que logo avançaram para formar a bancada da Bíblia, no pior ultraje que jamais se deu de misturar religião e política.  Relatórios oficiais dos EUA apontavam a Igreja Católica latino-americana como força de mudança social, especialmente após o concilio do Vaticano II. Então o governo americano conseguiu levar o Vaticano para o lado dele através de muitas visitas de deputados e elementos da CIA que foram recebidos no Vaticano. Daí em diante, documentos da Igreja católica defenderam combater a Teologia da Libertação obedecendo assim à política dos Estados Unidos, como conta H.Kung no livro “A Igreja católica tem salvação? E houve aproximação entre política externa dos EUA e o Vaticano. Pesquisadores como David Stoll tratam a expansão evangélica na América Latina como fenômeno religioso combinado, ocorrido num ambiente em que Washington via a nova onda do catolicismo como ameaça, e setores conservadores dos EUA incentivavam alternativas religiosas para combatê-lo, no que conseguiram o apoio do Vaticano na época em que inclusive o Card. Ratzinger deu sinais que não queria aceitar o concílio cem por cento, mas pelo contrário, com muitas reservas. Era o pano de fundo que os Estados Unidos queriam. No Brasil, o crescimento neopentecostal também tem causas internas: urbanização acelerada, televisão, rádio, empreendedorismo religioso, falsas promessas de cura, rigorismo moral, rede de apoio à teologia da prosperidade. Autores como Ricardo Mariano descrevem o neopentecostalismo com forte presença midiática, política e empresarial tendo como pano de fundo a prosperidade ao jeito dos sonhos do Antigo Testamento mediante o imperialismo, o poder e a riqueza. O exemplo maior desta ideologia está na réplica do “Templo de Salomão” construído em São Paulo para trazer de volta o que já tinha a validade de prazo terminada. Afinal, ao que Jesus tinha dito que “não iria ficar pedra sobre pedra” do velho Templo que tinha se tornado “um antro de ladrões”, o seu Edir Macedo foi na mão contrária de querer voltar à réplica do mesmo Templo, ressuscitando de novo outro antro de novos ladrões que à custa de tanta enganação do povo e de tantos dizimeiros projetaram a mais baita safadagem de lavagem de dinheiro até formar o “Dizibanco” que agora enfrenta igual processo da Policia Federal igualzinho o EXBanco Master de Vorcaro. Vale dizer que Edir Macedo e seu Daniel Vorcaro são dois irmãos gêmeos.  E o que vemos hoje é que o neopentecostalismo brasileiro acabou se tornando uma das principais bases  políticas da extrema direita no Brasil. Lideranças religiosas transformaram púlpitos e redes de igrejas em estruturas de mobilização eleitoral. Em contrapartida, todos eles sustentam o pânico moral em torno de gênero e sexualidade, continuando a defender tudo quanto é de ideias arcaicas, e obsoletas tanto em matéria de ciências humanas e filosóficas como de religião. Em um comentário a este estado de coisas trago aqui a opinião e afirmação de um especialista do social, filosófico e religioso: “O povo descobrindo só agora que o neopentecostalismo foi uma estratégia da CIA para combater e enfraquecer a Igreja Católica e americanizar a sociedade brasileira” (Tauat Resende @eutauat).

P.Casimiro João      smbn

www.paroquiadechapadinha.blogspot.com.br

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