segunda-feira, 31 de agosto de 2026

DE UM GRITO DE GUERRA À CONSTRUÇÃO DE UM MONUMENTO DE FÉ

 


Antigamente, as guerras faziam parte da vida cotidiana dos povos, digamos, como hoje o futebol. E eram o esporte preferido e único dos reis, e seu passatempo. “No retorno do ano, na época em que os reis costumam fazer a guerra...(II Sam.11,1) Neste sentido, cada povo tinha o seu grito distintivo de avançar para o ataque. O grito distintivo de Israel era “emanú”, que significa: “quem está conosco”? O comandante gritava “emanú” e os saldados respondiam: ‘El”, que significava: “Deus”. Daí veio a palavra Emanuel. Daí em diante, “Emanuel”, de um simples grito de guerra passou a significar a presença de Deus no meio do povo.

 Na época do primeiro Isaías, o rei Acaz estava acuado e ameaçado por dois reinos e  dois reis que iriam avançar contra ele: o reino do norte de Israel, e o reino da Síria. O profeta então correu para dar-lhe conselhos e coragem. Na verdade, com essa história o profeta mudou o nome de um filho do rei para Emanuel, que seria o mesmo nome das vitórias das guerras. Foi o  passo para fazer o paralelo para épocas futuras, quando apareceu o mensageiro do céu à mãe de Jesus, e que o filho Jesus seria o grito de todas as lutas e de todas as vitórias. 

Não é sem motivo que NªSª Senhora é invocada domo Nossa Senhora da Vitória, NªSª da Ajuda, do Amparo, do Socorro, Auxiliadora, da Boa Hora, da Boa Viagem, do Bom Conselho, do Bom Despacho, do Bom Sucesso, da Esperança, da Luz, da Consolação, dos Desamparados, Desatadora dos Nós, das Dores, da Piedade, da Estrela, Rainha,  N.S. da Glória, da Lampadosa, do Livramento, das Mercês, da Misericórdia, dos Navegantes, dos Remédios, da Saúde. E digamos, não foi só em vida que Jesus é o Emanuel, o Deus conosco, também na cruz e na morte. O grito abafado na cruz e escondido na morte fez-se ecoar quando Deus o ressuscitou ao terceiro dia. E, como frisa e evangelho: “segundo as escrituras”. Porque segundo as Escrituras, o grito da vitória de “Emanuel” estava-lhe garantido. Lembremos que o Evangelho de Mateus é um evangelho de judeus cristãos. E foi nessa linha e nessa tradição, e com base nessa história que eles transmitiram essa teologia. Por isso, ao nome de Jesus que quer dizer “Deus salva”, foi aplicado o de “Emanuel”, Deus está conosco”. E ainda, o anjo falou que “ele vai salvar seu povo”. Seu povo de quê? Do poder romano? Dos dirigentes corruptos? Não somente o seu povo judeu, mas o povo de Jesus abrangendo todas as nações e todos os poderes e corrupções. “O Filho da Virgem Mãe será chamado Emanuel”(Mt.123). Se no diálogo de Isaías com Acaz esse nome poderia lembrar apenas um grito de guerra, aqui tem significado pleno.  Ele é Deus conosco, não apenas nos dando forças, mas também sendo a presença de Deus no meio da humanidade, Deus que vem caminhar com todos os lutadores. Jesus é a presença vitoriosa de Deus.

 

 

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