domingo, 11 de janeiro de 2026

DEUS NÃO É DEUS SEM NÓS E NÓS NÃO SOMOS NÓS SEM DEUS.


 

“Viver em Deus sem Deus, como se Deus não existisse” (Arthur Robinson). Assim: o filho que se emancipa. Assim a sua liberdade. Os pais ficaram para trás. Age por sua conta e risco. Não está mais esperando ser manipulado. Vive de experiências, e de ver como é. Objetivo dele? Querer avançar. E fazer diferente. Deu certo? Às vezes. Deu errado? Às vezes. A natureza tem em si as energias do conserto. Esta afirmação leva a outra que diz o mesmo, mas parecendo contraditória, no entanto completa a outra: Deus não é Deus sem nós e nós não somos nós sem Deus. Há uma pergunta no subconsciente de todos nós que parece barrar a ideia de que Deus não seria nosso parceiro: Como Deus permite o mal? A resposta depende de como eu entendo Deus. Se manipulador fora do universo, ou se é íntimo a nós e nosso parceiro. Não será que exigimos um Deus que nas aflições, basta um estalar de dedos para resolver nossos problemas? Mas, se nossa imagem de Deus concentra-se na presença e na parceria de Deus que em todas as coisas criou um ambiente livre e é parceiro da nossa liberdade, então as coisas mudam de aspecto. “O universo ordenado contém dentro dele muita coisa que é desordenada e incompleta. A criatividade múltipla torna inevitável um pouco de desordem e conflito. Leva em conta a possibilidade de grande desordem e mal. No modelo ecológico o mal origina-se do acaso e da liberdade que ele permite, não da providência. A razão pela qual a providência não elimina o acaso é porque um mundo sem acaso é um mundo sem liberdade. Toda entidade natural, todo átomo precisa ter um aspecto de autodeterminação ou espontaneidade e a interseção até de dois, sem falar em miríades de atos de autodeterminação é precisamente acaso. De fato, Deus controlar completamente o mundo seria o mesmo que aniquilá-lo. Uma pergunta dessa faria de Deus como onipotente ditador do universo, responsável por tudo que acontecesse e que, se quisesse, poderia mudar o curso dos acontecimentos num estalar de dedos ou de varinha mágica.” (Charles Birch, apud Michael Morwood “O católico de amanhã”, Paulus, 2013, pg 45).  Nossa linguagem religiosa torna-se perigosa quando pensamos num Deus que realmente manipula tudo. É perigoso falar abusivamente usando a “vontade de Deus”. Se por exemplo, o marido morre de repente de um ataque cardíaco, que imagem de Deus é transmitida à mulher, ao lhe dizer que isso deve ser o que Deus queria? Ou, que imagem de Deus é transmitida aos filhos desse casal na missa de sétimo dia se o padre fizer uma declaração no sentido de que “Deus levou” este homem de nós? Em vez disso não seria melhor outro discurso como: a vida tem validade de prazo no ser humano e em toda criação; em contrapartida, ao mesmo tempo traz um princípio de continuidade; deste modo, no princípio de continuidade estão os filhos  e  os familiares onde a vida se reconstrói e se recupera, assim como aquele que doa órgãos continua na vida do outro. O cosmo e a humanidade são duas realidades conectadas. Os estudiosos dizem que imperfeições vieram junto com a vida desde os 15 bilhões de anos no Big-bang. Mas a mesma criação que trouxe imperfeição trouxe também um princípio de recuperação ou o jeito de tudo recuperar. Isto já a filosofia e a religião hindú intuíu quando definiu três princípios divinos na criação: o princípio criador, o destruidor e o reparador ou técnico do conserto de tudo. Dentro desta sinfonia da vida os seres humanos somos os únicos conscientes desta realidade cósmica: destrutiva e reconstrutiva. Porque, no meio do cosmo sem consciência, a vida humana ficou como cabeça pensante e consciente. E ao princípio criador onipresente  em toda a criação damos um nome: Deus. “Pense na maravilha da existência humana: Damos literalmente a Deus voz e braços; damos ao amor aparência e forma, nós o personificamos. É literalmente verdade que Deus como espírito não fala. Você precisa de um corpo para fazer sons. Deus como espírito não compõe música. Deus como espírito não me abraça nem me carrega para a escola. Mas o Deus que vem à expressão humana em Elton Jhon compõe música que toca para sempre as vidas humanas. O Deus personificado nos poetas como Cora Coralina ou Florbela Spanca faz poesia que toca para sempre o coração e a mente dos seres humanos. Meus pais e meus irmãos e minhas irmãs dizem que me amam e me alimentam. Não deverei acreditar que neles a presença de Deus recebe forma humana?” (M.Morwood, o.c.p.44). Por outro lado, segundo a Física Quântica, não podemos mais separar o mundo material em Matéria inanimada e Mente. Mas ele é “Matéria-Mente”. “A ciência moderna nos diz que não devemos continuar a separar o mundo material em  Matéria inanimada e Mente como duas realidades diferentes. No entendimento atual a mente não se limita a ser uma função consciente ligada ao cérebro. A mente está presente em todas as coisas e torna-se consciente nos seres humanos, como dizíamos atrás. Eis um modelo científico de pensamento que nos permite ver a presença de Deus impregnando tudo que tem existência e os seres humanos de maneira especial. E essa presença criadora chame-se de Mente ou chame-se de Energia da Vida ou de qualquer outro nome, leva em conta o acaso e a liberdade e a espontaneidade e o totalmente inesperado.” (o.c.p42). A física quântica não nos diz que ISTO é o que Deus é,  como a “sarça ardente”. Pelo contrário, aqui Deus é entendido como presença encarnada em vez de como um “manipulador exterior (id, id). Posto isto, não há mais margem para manter uma visão mecanicista do mundo: um governante de fora da máquina ou da matéria, não raro impressa na imaginação popular, que ordenaria e disporia como quisesse, aumentando a emoção bajuta do dito popular que “tudo está na mão de Deus”; um Deus que pudesse planejar tudo passo a passo, e tudo resolveria num estalar de dedos.  “O deísmo entendia Deus como o agente externo ao mundo, que intervém só para iniciar a criação e preencher as lacunas. É esse o Deus que ainda é atual demais em muitos lugares contemporâneos da Igreja: uma superpessoa exterior que pudesse intervir na vida de determinados indivíduos em tempos de desespero para resolver problemas. Seria como o supervisor da máquina quando ela adoece” (M.Fague, apud M.Morwood, o.c.o.p41-42). Avançando para margens mais largas, vamos “enfrentar o desafio em primeiro lugar com a verdade básica da encarnação. O cristianismo tradicional nos ensina que em Jesus Deus se tornou humano. E se tomássemos esse entendimento cristão básico do envolvimento de Deus com a humanidade e o fizéssemos retroceder ao começo da criação? E se, ainda transcendendo e sendo maior que a soma total da criação, Deus se “encarnasse” em toda a criação, de modo que toda ela fosse infundida com a energia que é Deus e por ela fosse sustentada e guiada? No mesmo instante teríamos de abandonar a tendência limitadora e permitir que o nome “Deus” significasse, por um lado, uma realidade ilimitada infinitamente vasta, totalmente além de nossa imaginação. Não poderíamos restringir essa realidade a um “ele” que está no céu. Shirley Macklaire afirma que "todos nós somos parte do divino, não havendo separação entre Deus e nós". E o poeta C.de Brito reforça essa intjuição ao afirmar que em cada homem existe um Deus escondido, uma forma perfeita perdida numa aldeia de demônios." Tudo aponta para a mesma direção ao todo, ao conjunto à unidade profunda da vida. Por seu lado, Ettt.Hillesum: "Torna-se cada vez mais claro que Deus não pode nos ajudar, no sentido mágico que esperamos; somos nós que devemos ajudá-lo e, ao fazê-lo ajudamos a nós mesmos. Deus não nos poupa das cirfcunstâncias pois elas fazem parte da vida. Ele não assume a responsabilidade por elas: somos nós que seremos chamados à responsabilidade. A morada de Deus em nós precisa ser defendida até o fim. É uma fé adulta sem ilusões infantis, que entende Deus não como interventor externo mas como presença interior que precisa ser acolhida e protegida." Do mesmo jeito o teólogo Libanio: "Não se trata de imaginar Deus esperando nossos pedidos para agir milagrosamente, mas de compreender Deus presente  e atuando em nós, promovendo as forças da vida existentes. Presença esta que depende da nossa abertura, acolhida e disposição" Na mesma sintonia, vejamos a intuição dos teólogos da teologia africana: "Se pelos ritos de passagem Jesus se tornou plenamente humano, pela ressurreição ele passa a integrar a comunidade dos antepassados. A morte não é o fim mas outra modalidade do processo cíclico da existência humana, cuja referência maior são os ancestrais" (Antônio Silva, apud Armando, josé, RTA). Aqui as novas reflexões da teologia adequam com a ciência quântica, corroboram  a presença de Deus em toda parte como força, energia ou poder de vida. "Mas também devemos advertir que essa é linguagem inadequada e se esforça para estar em contato com a verdade de encarnação: Deus em tudo, com tudo e através de tudo. Simplesmente tentamos dar sentido à realidade que chamamos “Deus” em vez de afirmarmos que ISTO é o que o Deus é. Afirmamos que tudo está impregnado da presença de Deus. Chamamos a atenção dos seres humanos para o amor que está em nosso coração; chamamos a atenção para  o DNA e para os átomos e moléculas em nossa estrutura corporal onde há espontaneidade e vida e movimento; onde há crescimento; onde há liberdade de movimentos e possibilidades ilimitadas, e há também doenças, e há saúde. Isso é encarnação no nível básico. Deus realmente está em, com e através de tudo. Não teremos de adaptar então nossa imagem de Deus se formos levar isso a sério? (M.Morwood o.c.p.40-41). Dado que o entendimento tradicional de Deus e de nosso relacionamento com Deus foi formado pelos padrões de pensamento e visão de mundo da cultura judaica e cristã primitiva, e sofreu dos limites de uma cosmologia antiquada, somos desafiados com a visão atual. Aceitamos o desafio? Hoje, este outro tempo, outra cultura, outra ciência e outra visão do mundo não nos darão mais esclarecimentos? Antes de concluirmos, notemos que a Matéria e a Mente podem colaborar para uma maior validade de prazo da nossa vida, retomando o nosso pensamento expressado na página anterior. Prazo de vida ou prazo de menos vida, como muito bem investigou Renate J.de Moraes nos seus dois grandes volumes “O Inconsciente sem fronteiras”, onde ela detectou que a mente do feto já tem o poder de fazê-lo aparecer com câncer ou sem ele (o.c.p.426). E onde ela afirma: “Existe energia elétrica no cérebro que irradia fora dele”(o.c.p.328)

Na verdade, dessas premissas descritas resulta o corolário que dá o título a este capítulo  e a este volume, o primeiro volume de PÁGINAS DE TEOLOGIA BÍBLICA PARA HOJE: Deus não é Deus sem nós e nós não somos nós sem Deus. Este volume com este novo título é o primeiro de Dois novos volumes, em 2ª edição. Em 1ª edição editamos 10 volumes, que, como disse agora ficam reunidos neste dois volumes, o 1º: “Deus não é Deus sem nós e nós não somos nós sem Deus”. O 2º volume continuará com o mesmo nome dos 10 livros da 1ª edição: “Páginas de Teologia Bíblica para Hoje”.

P.Casimiro João     smbn

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segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O POSSIVEL E O IMPOSSIVEL DE DEUS.


 

Nas épocas antigas tudo era Deus que fazia, desde a chuva aos terremotos. Assim como acontece com a criança, para quem o pai faz tudo, tudo sabe, tudo pode. Eram os tempos em que a humanidade era criança como Paulo diz, “quando eu era menino pensava como menino, raciocinava como menino” (1Cor.13,11). Quando falamos de Deus falamos de nós mesmos. Nós não podemos mas “Deus pode” assim como diz a criança: o pai pode. E o que nós colocamos em Deus quando falamos de “poder”? Não é para vencer o inimigo? Não é para ganhar uma guerra impossível como falavam os hebreus? Por isso nos diz o teólogo: “O cuidado de transferir para Deus o conceito de onipotência se torna perigoso porque no decorrer da história a noção de onipotência de Deus corria pelos mesmos caminhos da violência humana e tirania e prepotência dos poderosos para escravizar  seja inocentes seja inimigos, e fazendo isso em nome de Deus “onipotente”, como nas colonizações e na Inquisição.  Por isso, falar da onipotência de Deus corria o caminho da prepotência dos reis. (Cf. Schillebeeckz, História humana, revelação de Deus,p.117). E por isso, diz Selma Lagorlaf: “não podemos falar da onipotência de Deus como no pensamento medieval onde se chegava a perguntas como esta: “Deus pode fazer um circo quadrado”? Ou como nas lendas populares e historinhas para crianças, onde na linguagem do mito e das fadas tudo é possível. Para se livrar de muitos problemas como este houve muitos arrazoados esquisitos na teologia americana, onde chegaram a dizer que Deus não tem nada a ver com o sofrimento dos homens, como dizia Kushner. Ou então outra corrente que inventou a “morte de Deus”: Deus teria que morrer para que o homem viva” Th.Altizer repetindo um slogan de Nietzsche. Daí surgiram os fundamentos sócio-históricos  e o laço entre a exploração e apropriação dos bens em nome de Deus. Transferiam para Deus o imperialismo cultural, econômico e político que se transformou na ideologia das direitas. Em outra dimensão vem a teologia de Bonhoffer: que Deus participa do sofrimento: é Deus que padece no sofrimento do justo com os pobres e oprimidos. Porém, vem o problema: Onde está o todo poderoso poder de Deus? “O Deus, que apenas tem dó de você e padece conosco deixa a palavra definitiva e última ao mal e ao sofrimento. Então não é Deus mas  o  mal que goza da onipotência. E o que significa neste caso Deus para o homem?” (o.c.p119). Outro caminho: Deixar o poder da “onipotência de Deus” para o fim dos tempos. Um absurdo porque os tempos não têm fim. Mas então qual o sentido do “Creio em Deus- Pai todo poderoso criador do céu e da terra” do nosso Credo? O segredo está no seguinte: A filosofia maniqueia tinha o “Deus” que morava em cima das nuvens, e que não se importava nem com o mundo da matéria nem com os homens, mas tinha também o famoso demiurgo que era um segundo deus menor que um dia se esquivou do céu e baixou anos de luz para brincar criando a terra e o cosmo. Tanto é assim que nos evangelhos vêm referências a ele, e o chamam de “o chefe deste mundo” e  “o príncipe deste mundo.” (Jo.14,30 e 16,11). Quando a Igreja começou a ganhar mais coesão fizeram o chamado “credo apostólico” para barrar essas ideologias afirmando que é o mesmo Deus que junta o poder dos “dois”, e fez o céu e a terra e não tem outro, coisa que mesmo assim ainda entrou no evangelho de João. Foi assim que entrou o “creio em Deus Pai-todo-poderoso” para fugir da filosofia dos maniqueus. Falei noutra página que Deus não é Deus sem nós, e nós  não somos nós sem Deus. Na verdade, na sua criação Deus juntou no ser humano a sua transcendência e a sua imanência, de modo que ele não pode ser Deus sem nós, assim como nós não somos nós sem Deus de tal maneira que ele age conosco e por nós, e a sua onipotência pode depender de nós. Quem diria que os homens um dia atravessariam os espaços cósmicos para achar as primeiras luzes do alvorecer do mundo há 15 bilhões de anos, no início do Big-bang? A onipotência de Deus, segundo Santo Tomás de Aquino é toda poderosa nas coisas possíveis, não nas impossíveis, como foi dito que Deus não pode fazer um círculo quadrado nem mudar que dois e dois sejam quatro e nem parar o caído do décimo andar, mas chamamos o bombeiro. Onde nós chegamos ele chega conosco mas não chega sem nós. Como disse um teólogo: “Deus está tanto na catedral como na cozinha. Em mim fala, move-se, dança, compõe música, ou escreve poesia, faz amor e cria vida, ri da imperfeição de tudo e chora por ela” (M. Morwood, “O católico de amanhã, Paulus, 2013, pag.101). Quer dizer que o ser humano tem a liberdade partilhada com a liberdade de Deus. E Deus precisa da nossa liberdade para agir, como vem repetido nos evangelhos: “A tua fé te salvou” (Mt.9,22). A cópia está na criança e no pai. Respeita a liberdade da criança, mas as duas liberdades colaboram. Vejamos mais uma vez Schilebeeckx: “A onipotência divina torna-se desarmada e vulnerável em nosso mundo. Evidencia-se como energia de amor que convida e outorga vida e liberta os homens, isto é, aos que se abrem à sua colaboração. Ora, este aspecto quer dizer Deus não procede contra a recusa humana.” (o.c.p 121). Ora, quando em linguagem tradicional falamos em “pecado’, podemos falar também em falta de colaboração. Ou, como diz Paulo Coelho, pecado vem de “pecus”, que é falhar o alvo. Um dia, quando Jesus declarou que “dificilmente um rico entrará no reino dos céus” Mt.19,23, os apóstolos perguntaram “então quem poderá salvar-se? Jesus terá respondido: “aos homens isso é impossível mas não para Deus, para Deus tudo é possível” (Mt.19,23). Com esta resposta fica tirado o peso da primeira afirmação e abre pano para dois pesos e duas medidas, ou seja se é possivel para Deus também é possível para os homens e vice-versa. Aí entra o método histórico-crítico na interpretação, e colocaria Jesus em cheque, se a afirmação fosse mesmo dele, o que é duvidoso pelo seguinte: a segunda afirmação teria sido feita por um segundo redator quando a Igreja já estaria se acostumando com as riquezas, e tomando a liberdade de invocar Deus para o seu lado, i.é, para o lado do seu churrasco: “Sim, Deus vai permitir as nossas riquezas, ele não vai cobrar esse tanto não”. E então seria: para os homens “é impossível” mas “para nós Deus permite e não está nem aí. Isso seria o “possível de Deus”,  ou o “tudo é possível para Deus”, ou “tudo é possível para nós, invocando em vão o nome de Deus e apropriando-se dele como donos de Deus; poruqe os ricos da época e não só, sempre se julgam os donos de Deus. Conclusão. Nós, pessoas humanas somos muito fáceis em querer domesticar Deus em nosso favor, adaptando-o aos nossos interesses. Na verdade, somos duros para com os outros e fáceis para nós mesmos. Para os homens isso é impossível. Isto é, para os outros, mas para nós não. Isto é, quando é do nosso interesse já não é impossível, e colocamos Deus do nosso lado.

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

UM NATAL DIFERENTE COM PADRE JÚLIO LANCELLOTTI


 

Neste momento, é importante ouvir a recomenda­ção do Papa Francisco: “Olhe além das luzes e das decorações e lembre-se dos mais necessitados. Servir aos outros vale mais do que buscar status, visibilidade social ou passar a vida inteira em busca do sucesso. Não percamos de vista o céu, cuidando de Jesus agora, acariciando-o nos necessitados, porque é neles que Ele se fará presente. Cuidemos dos trabalhadores que eram os pastores na época do presépio.” (Papa Francisco na Missa da Vigília de Natal de 2021). Pois bem: se o Natal nos chama a tocar a carne do outro, convida-nos também a tocar as ideias que gover­nam ainda hoje muita carne e muito corpo. É nesse ponto que a fé concreta encontra antigos scripts culturais. Para além das luzes, precisamos enxergar as sombras de certos mitos que seguimos repetindo, frequentemente como se fossem dogmas. Do presépio aos planetas, do cuidado concreto aos mitos concretos, o mesmo apelo retorna: “Não percamos de vista o céu”, como disse Francisco, mas sem perder de vista o chão. Acariciemos Jesus nos necessitados — e, com a mesma mão, arejemos as ideias que ainda negam dignidade a quem não cabe na antiga bitola. Porque Natal é isso: tirar o Menino do enfeite e colo­cá-lo no prato vazio; ouvir o choro dele nas periferias; e, já que “é a cabeça que conhece o caminho”, pensar melhor para amar melhor. Quer status? Passe. Quer visibilidade? Deixe para as vitrines. Na gruta, o que vale é servir — e nascer de novo. (Obs. Você encontra este trecho no Livro PÁGINAS DE TEOLOGIA BÍBLICA PARA HOJE, de Casimiro João, vol.VII, cap.05, p.53).

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

NATAL CÓSMICO

No céu, todos os dias nascem bilhões de estrelas, e na Terra milhões de crianças. Estudantes do Fundamental aprendem na Internet que o universo começou há cerca de quinze bilhões de anos. O Sol, estrela de segunda geração, nasceu dos fragmentos de outras estrelas muito antigas. O mapa reverso é fascinante: íons cerebrais dependem do alimento; o alimento depende dos fótons liberados no núcleo do Sol; e o Sol resulta de explosões de estrelas. A bola de fogo primeva existiu por milhões de anos sem consciência introspectiva, incapaz, por si só, de se dar conta do próprio esplendor. Mas a estrela reflete sobre si por nosso intermédio; em certo sentido, você é essa estrela. Não se trata de pura poesia: se os íons dependem do alimento e estes dos fótons do Sol, e se o Sol vem de estrelas que explodiram, então essa saraivada fotônica do início dos tempos  alimenta o seu cérebro. O que você sente e pensa agora só é possível pelo fogo cósmico. Você participa das estrelas – e elas participam de você. Não é por acaso que as estrelas entraram nos sonhos bons da humanidade: a “estrela de Jacó” (Num.24,17), a estrela de Belém (Mt.2,7), símbolos de luz, espírito e sobrevivência. Em culturas asiáticas, a estrela é fragmento do Ovo cósmico; entre os astecas representa a alma dos mortos; no Islã, é pela estrela que a Kaaba se situa no entro do céu; na mística nórdica, indica a região luminosa onde mora a divindade, como janela aberta. Estrela de Natal é mistura de profecias de Israel, e de intuições universais. Só não esqueça a estela que é você. O universo segue em expansão; no seu interior, berçários de estrelas permanecem acesos. Na Via Láctea, diz-se haver algo como 100 bilhões de estrelas; no conjunto do cosmos, estimam-se 200 bilhões de galáxias, cada qual com centenas de bilhões de Sóis. Estelas nascem quando, no ventre de uma galáxia, grandes massas de hidrogênio e hélio se comprimem; quando gás se contrai, esquenta como a bomba de encher pneu. Acende-se o combustível nuclear, núcleos se fundem, liberta-se energia em temperaturas de bilhões de graus; nasce uma estrela. A partir daí, o astro queima o combustível que o sustentará por toda a vida. As distâncias se medem a anos de luz; um ano de luz é 9.46 trilhões de quilômetros. A galáxia mais distante conhecida estaria a 32 bilhões de anos de luz. Imagine-se que, para chegar da Terra ao Sol levaríamos 500 anos; e diz-se que a Via Láctea produz uma nova estrela a cada 36 dias, como se o nosso Sol ganhasse uma irmã por mês, enquanto galáxias maiores acendem estrelas a cada duas horas. A consciência e a inteligência, vistas sob esse prisma, são fruto dessa energia. Um dia, íons e fótons no cérebro geraram uma sinapse decisiva no córtex; desse clique emergiu a consciência e, com ela, um novo DNA humano, separado dos primatas, com os quais ainda compartilhamos 98% do código genético. Os primeiros hominídeos, há 25 milhões de anos, já não tinham cauda; hoje, o embrião humano mostra uma cauda de 4 cm que é absorvida até a oitava semana. Em 6 de novembro de 2021, nasceu uma criança em Fortaleza com 12 cm de cauda não absorvida. Há cerca de 200 mil anos, a espécie humana aprendeu a falar; hoje, uma criança leva cerca de um ano e meio para falar. Há 4,4 bilhões de anos os primeiros hominídeos começaram a andar de pé, os australopitecos afarenses da Etiopia; os primeiros animais surgiram há 500 milhões de anos; dos peixes às criaturas terrestres, dos dinossauros  aos primatas, chegámos à era do 5G, da inteligência artificial, dos robôs e das viagens espaciais. No céu nascem todos os dias bilhões de estrelas, na Terra, milhões de crianças; e, um dia, nasceu uma Criança-Estrela chamada Jesus.

(Obs: Você encontra este trecho no livro PÁGINAS DE TEOLOGIA BÍBLICA PARA HOJE, de Casimiro João, vol.05, pag.99-102).

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

TEOLOGIAS QUE AVANÇAM COM ARMAS E TEOLOGIAS QUE MORREM COM AS ARMAS


 

Há duas formas de teologias que atravessam a história: as que avançam com as armas e as que morrem com as armas. A primeira é a teologia que se alia ao poder político, que se alimenta da força do Estado, que se apoia em reis, imperadores ou governadores para impor sua visão. Essa teologia prospera na marra, sustentada pela espada, pela fogueira, pela prisão, pela exclusão. É a religião que anda de mãos dadas com o império, garantindo privilégios, terras e influência, enquanto cala o grito dos pobres e marginalizados. A segunda é a teologia que se recusa a se dobrar ao poder, que escolhe a solidariedade ao ferido no meio da estrada, em vez do culto bem cumprido. É a espiritualidade que, como a de São Francisco, se despoja para estar com o pobre; ou como dos bispos e teólogos perseguidos, que escreveram e viveram ao lado dos trabalhadores e camponeses, denunciando injustiças. Essa teologia muitas vezes é acusada de “comunista”, combatida, calada, mas permanece fiel ao Evangelho que coloca o próximo acima da lei. A história recente confirma: após o concílio Vaticano II, quando floresceu a Teologia da libertação, logo os poderosos a tacharam de perigosa. Políticos, governadores e até lideres eclesiásticos se uniram para sufocar sua voz. Na época da guerra fria, quando o mundo estava dividido entre o poder dos Estados Unidos e da Rússia, Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos decretou que seria considerado comunista todo aquele que não se curvasse ao seu poder. E por isso a voz dos pobres e seus direitos foram calados. A arma do poder produziu a arma do silêncio. Nessa voz dos pobres estava a Teologia da libertação que ele proibiu enviando várias vezes mensagens ao Vaticano para que também proibisse. Eis, portanto a ironia: teologias que avançam com as armas podem até se impor por um tempo, mas se tornam cúmplices da morte e do esquecimento. Já as teologias que “morrem” com as armas, no fundo são as que permanecem vivas na memória do povo e na fidelidade ao Evangelho. Porque, como disse o próprio Jesus, não é aquele que clama “Senhor, Senhor” que herda o Reino, mas quem pratica a vontade do Pai”. (Obs. Este trecho você encontra no livro “PÁGINAS DE TEOLOGIA BÍBLICA PARA HOJE de Casimiro João, vol. 05, cap.VII, pp.79-80).

P.Casimiro João     smbn

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sábado, 20 de dezembro de 2025

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

“O que me  intriga é que o Padre Reginaldo reuniu-se com o ex-presidente Bolsonaro e, segundo a reportagem, ofereceu mídia ao Presidente. O canal católico também segue o direito canônico? Se segue, são dois pesos e duas medidas diferentes, confundindo assim os leigos e não leigos”. Postagem de David Urbano Robinho em 20.12.25

 David Urbano Robinho
 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Exclusivo: MBL está por trás da censura ao padre Júlio Lancellotti Publicado por Thiago Suman


 

 Atualizado em 17 de dezembro de 2025 às 15:04

A censura imposta pela Arquidiocese de São Paulo ao padre Júlio Lancellotti não pode ser compreendida sem olhar para o papel desempenhado por influenciadores da extrema direita católica, que transformaram o sacerdote em alvo permanente. Entre eles, destaca-se Miguel Kazam, ligado ao MBL (Movimento Brasil Livre) e com mais de 100 mil seguidores, que há meses conduz uma campanha sistemática de ataques ao religioso e de pressão pública sobre a Igreja.

Kazam construiu sua relevância digital explorando o conflito. Em vídeos e postagens, ele associa a atuação pastoral de Lancellotti a supostos desvios morais e ideológicos, misturando críticas religiosas com narrativas políticas típicas da guerra cultural. O episódio envolvendo o curta-metragem “São Marino” virou combustível central dessa estratégia. Ao atacar a participação do padre na narração da obra, Kazam passou a sustentar que Lancellotti promoveria uma agenda “trans” dentro da Igreja.

A ofensiva não se limitou às redes sociais. O influenciador admite ter preparado e enviado um dossiê com denúncias à Arquidiocese de São Paulo e ao Vaticano, com apoio de um advogado ligado a extrema direita católica. As acusações envolvem um suposto menor, extorsão e chantagens embora investigações conduzidas pela Justiça paulista, pelo Ministério Público e pela própria Arquidiocese tenham sido arquivadas por ausência de materialidade. Ainda assim, Kazam segue tratando insinuações como se fossem fatos consumados, reforçando um ambiente de linchamento moral. Ao mesmo tempo, o discurso de Kazam busca se blindar sob a narrativa de vítima. Após publicar vídeos críticos, ele afirmou ter sido alvo de “assédio judicial” por parte de um suposto assessor de Lancellotti, episódio que passou a ser explorado como prova de uma alegada proteção institucional ao padre. A estratégia é conhecida: inverter papéis, apresentar-se como perseguido e usar isso para legitimar ataques ainda mais agressivos, sem assumir responsabilidade pelo impacto das acusações lançadas. O resultado dessa campanha foi a contaminação do debate público dentro e fora da Igreja. Parlamentares da direita passaram a ecoar o conteúdo produzido nas redes, como no caso do pedido de CPI apresentado pelo vereador Rubinho Nunes, que tentou investigar Lancellotti e organizações que atuam com a população em situação de rua. A iniciativa naufragou quando vereadores retiraram apoio, alegando terem sido enganados. Ainda assim, o estrago político já estava feito. A decisão de Dom Odilo Scherer de restringir a atuação digital de Lancellotti surge nesse ambiente de pressão fabricada. Não é um gesto isolado de prudência institucional, mas uma resposta a uma ofensiva coordenada que transformou o padre em problema administrativo para a Arquidiocese. Kazam e outros influenciadores conseguiram empurrar a hierarquia para uma posição defensiva, na qual silenciar o alvo pareceu mais fácil do que enfrentar publicamente a máquina de difamação.” Ajuntamos alguns testemunhos mais:

Perla Müller ·

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“Silenciar o Padre Júlio não é assunto interno da igreja. É romper com a mensagem de Jesus. O incômodo não é a transmissão da missa. É o compromisso com os pobres, os invisíveis, os que vivem à margem. 🤍✊ Jesus enfrentou o poder, denunciou a hipocrisia religiosa e caminhou com quem não tinha vez nem voz. Quando a fé vira instrumento de privilégio  e quem vive o Evangelho é perseguido, o lado já foi escolhido. E não foi o de Jesus.”

“O Levante Popular da Juventude manifesta sua total solidariedade ao Padre Júlio Lancelotti que foi proibido de seguir transmitindo online suas missas aos domingos. Isso é mais uma ação que faz parte das perseguições, ataques e tentativas de criminalização por seu compromisso radical com os pobres, com a população em situação de rua e com o Evangelho vivido na prática. Defender Padre Júlio é defender o direito à vida, à dignidade e à justiça social diante de um projeto que tenta silenciar quem denuncia a fome, a miséria e a desigualdade no Brasil. Essa perseguição e tentativa de silenciamento revela o incômodo das elites com quem escolhe estar ao lado do povo e enfrenta a lógica da exclusão e do ódio. Seguiremos em luta, ao lado de Padre Júlio e de todos e todas que constroem a solidariedade como prática política”.

@levantedajuventude

#euapoiopadrejuliolancellotti . Outro: O caso levanta a pergunta: qual é o papel da Igreja no mundo moderno? Deve ela se manter nos ritos tradicionais ou sujar os pés na lama para ajudar os necessitados, mesmo que isso gere conflitos? Enquanto a burocracia decide o futuro do padre, a fila do pão na rua continua, esperando por quem lhes estenda a mão. ⛪🙏🥪🤐 Trajetoriatop ·

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Nosso comentário: É a ditadura da Igreja que o cardeal de S.Paulo quer reassumir. O País venceu a ditadura mas ele quer voltar à antiga, Deus que o livre. Vencemos um golpe e uma ditadura, mas o dom Scherrer quer retornar à antiga ditadura da Igreja e dos impérios, até proibindo a comunicação social, já se viu?

P. Casimiro João     smbn

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